O domínio .hiv é uma fita vermelha digital: ajuda a levantar fundos para apoiar projetos relacionados ao HIV e promove a conscientização sobre a causa. E tem um toque especial: o programa único de micro-doação .hiv. Para cada visita em seu site .hiv, será doada uma pequena quantia de dinheiro para projetos relacionados ao HIV. Assim, navegar em websites .hiv torna-se uma maneira fácil e divertida de fazer o bem.

Um nome de domínio .hiv faz parte de um portfólio mais amplo. Você é livre para usá-lo como quiser, mas recomendamos simplesmente redirecionar à sua página inicial padrão. Com este princípio básico, o nome de domínio .hiv fornece uma segunda porta de entrada para o conteúdo web que habitualmente seus usuários acessam, mas melhora a experiência de navegação através da micro-doação.


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Em evento de caridade da luta contra a aids, atrizes pornô japonesas vão deixar seus seios serem apertados por um dia

Por em 25 de agosto de 2014 para IBTimes

Pelo menos 10 atrizes pornô japonesas devem participar por um dia de um evento de conscientização da aids, em que deixarão que seus seios sejam apertados. O evento será transmitido ao vivo por canal de televisão adulto.

O evento anual de caridade, traduzido como “Ajuda do Peito”, acontece todos os anos há 11 anos. Quem quiser apertar os seios das atrizes deve doar para uma organização de caridade que luta contra a aids. As atrizes, no entanto, pediram que os espremedores de seios sejam gentis.

Eu estou muito ansiosa para que várias pessoas acariciem meus seios. Mas ficaria muito feliz se apartarem com delicadeza”, disse Rina Serina, uma das atrizes que se voluntariou para participar do evento, ao jornal Tokyo Sports, de acordo com a AFP. Outras atrizes também estão entusiasmadas com o evento. “É para caridade! Aparte, doe dinheiro e vamos ser felizes!”, disse Iku Sakuragi, de 21 anos.

O programa está sendo apoiado pela Japan Foundation for Aids Prevention. Em eventos anteriores, foram implementadas regras, tais como a esterilização das mãos antes do aperto e apenas dois apertos por pessoa. No evento deste ano é provável que haja orientações semelhantes.



Sou soropositivo, faço tratamento e estou indetectável. Então, sai do meu pé!

Por Dave. R. para o PositiveLite.com em 22 de agosto de 2014

Dave R. pergunta: “Você não faria sexo comigo porque eu tenho HIV? Eu ofereço menos risco do que você, meu amigo. Vá em frente, tente provar que estou errado!”

Estou oficialmente cansado de ser tratado como um pária (que no dicionário é definido como: “um termo de censura e abuso: uma pessoa inútil ou desprezível; um miserável, um vira-lata.”)!

De onde vem isso? Sou soropositivo, estou em tratamento e o vírus é indetectável no meu corpo. Ainda assim, sou visto como impuro, indigno de toque e pouco atraente. Por que isso? Porque é que o mundo, em geral, e, sim, os meus companheiros homossexuais, sempre empáticos, acham isso? Você sabe me explicar?

Apesar das últimas pesquisas e do fato de praticamente não haver casos conhecidos de uma pessoa como eu, com carga viral indetectável, infectar outra pessoa, por que eu não entro para o grupo de pessoas consideradas como parceiros sexuais seguros? Rejeições recentes, sutis e rudes, confirmaram o meu status como um pária social, mesmo dentro da minha própria comunidade.

Estou generalizando, é claro. Existem centenas de razões pelas quais as pessoas não me acham atraente, para não falar da minha idade cronológica. Tudo bem, não há problema quanto a isso. Está no olho de quem vê. No entanto, quando sou rejeitado por causa da sigla mais carregada de conotações e histórias antiquadas de todas, o HIV, isso me irrita.

Pessoas que vivem com HIV já passaram por 30 anos de infecção, sobrevivência, tratamento, melhora do tratamento, até tornarem-se saudáveis e indetectáveis, provando-se opções sexuais mais seguras do que alguém que não faz o teste. Ainda assim, somos vistos como “impuros”, que devem evitados e humilhados a todo custo.

Eu aceito que demore algum tempo para que a população em geral acompanhe as notícias e entenda que as pessoas indetectáveis ​​não transmitem o vírus. Mas me aborreço diante do fato de que ninguém está interessado em divulgar esta notícia. Também me irrito diante da covardia das organizações em prol dos soropositivos e dos meios de comunicação LGBT, que também são relutantes em publicar quaisquer descobertas que possam danificar a mensagem de sexo seguro, sempre qualificando qualquer declaração com ressalvas. Quem é que não está farto de ler “A pesquisa sugere …”?

Qual é o problema destas organizações? O problema delas está em recusar a aceitar que o Tratamento como Prevenção [TasP, do inglês Treatment as Prevention] vai derrubar a transmissão do HIV. Ao invés disso, gritam como se a liberdade pessoal estivesse sob ataque, sempre que se sugere que todo mundo deveria ser testado e, se necessário, tratado para o HIV. Não há lógica por trás disso e, ainda assim, as organizações LGBT em todo o mundo estão enterrando a cabeça na areia, se recusando a encarar os fatos.

Aquele idiota, [diretor da Aids Healthcare Foundation, Michael] Weinstein, que disse que o Truvada não é nada mais do que uma droga para festas capaz de nos levar às orgias em uma escala romana, tipifica este grupo de pessoas que, devemos concordar, estão desgostosas com a ideia de um pênis sem camisinha entrar num ânus. São tão arrogantes que não podem confiar que existem pessoas capazes de fazer escolhas sensatas e assumir a responsabilidade pela sua própria saúde. Ainda assim, este homem é chamado de líder dos soropositivos! Porém, não é disso o que precisamos mais. Temos os meios para reduzir o estigma do HIV, mas, mesmo assim, julgamentos morais ainda governam o dia.

Recentemente, tive a experiência pessoal de ser categorizado e rotulado a ponto de humilhação e desprezo. Depois de ter perdido uma relação de amizade, decidi me reerguer voltar ao mundo dos relacionamentos. No entanto, há muito tempo desisti da ideia de esconder o meu status sorológico e minha história — é tanto parte de quem sou, que é inútil tentar escondê-lo. Diferentemente de como fazia antes, em vez de ser passivo e esperar que as pessoas entrassem em contato comigo, decidi enviar mensagens exploratórias para aqueles com quem senti que poderia estar interessado. Não entrei em contato com jovens, ou mesmo com pessoas com menos de 40, pois me sinto atraído por pessoas maduras que já viram um pouco da vida. Minha ideia era falar abertamente da minha condição e não esconder os fatos.

Algumas reações foram francamente horripilantes. Demonstraram negação completa da minha existência e silêncio total a partir da minha revelação, ou até investidas contra minha moral, duvidando e sugerindo que eu tivesse praticado atos de depravação, me acusando de querer espalhar a minha “doença” entre os “inocentes”. Felizmente, nem todo mundo reagiu dessa forma. Houve aqueles que educadamente me disseram que não iriam nunca considerar ter relações sexuais com um cara positivo (o que não é bom para o ego, mas aceitável em nome da liberdade de escolha) e aqueles que francamente admitiram que estavam com medo de serem infectados. Ao meu ver, honestidade nunca é insulto.

Para muitas pessoas, é simplesmente impossível tentar apresentar os fatos. As campanhas de saúde pública dos anos 80 fizeram o seu trabalho muito bem, fazendo todos pensarem que estávamos morrendo — e, de fato, muitos morreram. Porém, agora já se passaram mais de 20 anos. Ainda assim, informar as pessoas sobre as últimas descobertas científicas não vem como crível: elas não estão lendo isso como prova científica e nos meios de comunicação adequados.

Informar as pessoas que soropositivos indetectáveis ​​e em tratamento são sexualmente mais seguros do que a maioria das pessoas seria uma boa notícia, digna de alarde por todos os meios. No entanto, há uma relutância tangível em dar às pessoas os fatos. Provavelmente, porque muito poucos escritores de manchete são capazes de resistir a frase que vem depois dela, como “… orgias sexuais ilimitadas inevitáveis!” Nós já estamos enfrentando o tsunami do uso do Truvada na prostituição, pois a prevenção também é vista como uma porta de entrada para a depravação.

O problema é que, para muita gente, a palavra “indetectável” significa muito pouco. A palavra não representa o que deveria: risco quase nulo de infecção. A palavra não está sendo usada lá fora e eu quero saber o porquê. Precisamos driblar os sites de organizações gays com um pensamento mais liberal e também precisamos — eu odeio dizer isso — que os meios de comunicação heterossexuais façam algum jornalismo sério, educando as pessoas.

Os detratores mais racionais dizem que é muito cedo e que as chances de erro, com todas suas possíveis consequências, são muito grandes. OK. Mas prove para mim que as pessoas indetectáveis ​​são, de algum modo, um perigo para os outros. E traga os fatos: quantas pessoas em tratamento, com um sistema imunológico forte e níveis indetectáveis ​​de HIV no sangue infectaram alguém? Você não pode dizer, porque não existe ninguém.

O argumento contra é o de que o HIV pode permanecer detectável em outros fluídos e órgãos do corpo e que ele é indetectável apenas nos métodos de ensaio atuais. Mesmo supondo que seja assim mesmo, os níveis “invisíveis” pelos exames atuais devem ser minúsculos, dado que a infecção cruzada simplesmente não está acontecendo. Caso contrário, haveria estatísticas de todo o mundo, com pessoas indetectáveis ainda infectando outras pessoas. Se você tem argumentos contra, eu imploro, refute o meu ponto de vista.

Só podemos concluir que, para além do sempre presente perigo de outras DSTs (sempre presente também para o resto da população, gostaria de lembrar), o meu estado presente significa que ninguém pode pegar HIV de mim, se eu fizer sexo seguro ou não. Não fosse verdade, os aumentos de infecção pelo HIV teriam sido inundados por milhões de novos casos, se espalhando como incêndios florestais em todo o mundo.

O ressurgimento do barebacking [sexo anal sem camisinha] (se é que já foi embora um dia) teria visto muitas infecções deste tipo. A cepa mais comum de HIV começou em um lugar e se espalhou em 10 anos por todo o mundo. Algo está impedindo que isso aconteça novamente e este algo é o tratamento antirretroviral eficaz. Sim, casos de novas infecções ainda estão acontecendo, mas eles são em sua maioria de pessoas que não sabem que estão infectadas porque ainda não fizeram o teste. Assim, agora que o pânico do HIV está mais brando, considerando o número de jovens (e idosos) que descartam os preservativos, por que é que não vemos o HIV fora de controle novamente? Porque o tratamento é danado de eficaz.

Pessoas com HIV e indetectáveis são parceiros sexuais seguros. Se você sabe de algo que eu não sei e tem evidência para sustentá-lo, prometo engolir minhas palavras. Enquanto isso, não há razão para não dizer ao mundo os fatos e definir as pessoas indetectáveis longe das algemas do estigma. O problema que temos é um problema de imagem. Nós já estamos contaminados; já estamos sujos demais para deixar esse conhecimento solto no mundo novamente.

Na busca por aceitação entre a sociedade cética, nossas próprias organizações se esqueceram de que o sexo é uma parte integrante da nossa identidade e preferem que não falemos sobre isso. Atrevo-me a dizer que a razão disso é para evitar que os patrocinadores não cortem seu apoio! Estão esperando que toda a primeira e segunda geração de soropositivos morra (de causas naturais) para, em seguida, com um novo tom rosado, as comunidades LGBT ilibadas tomarem o seu lugar na sociedade, imaculadas pela insinuação sexual do HIV.

Os homossexuais continuam a fazer sexo pela bunda — e sempre o farão — e a população hetero nunca vai se esquecer disso, não importa quantos buquês de noiva e casas com cercas brancas em volta apareçam por aí.



Estudo conclui que a maioria dos pacientes poderia mudar para um regime antirretroviral mais bem tolerável

Por Barbara Jungwirth, do

Uma análise de 120 australianos que fazem uso de quatro antirretrovirais mais antigos — apelidados de medicamentos RATE por incluir Ritonavir (parte do Kaletra), Abacavir, Tenofovir e Efavirenz — concluiu que a grande maioria poderia mudar para novas medicações que são mais bem toleradas.

O estudo, publicado na PLOS ONE, observou o histórico de tratamento e o perfil de resistência a medicamentos dos participantes, bem como testes de tropismo para o Maraviroc, sempre que possível (feito em 38% das pessoas estudadas). Os medicamentos RATE são prescritos para a maioria dos pacientes em terapia antirretroviral. Os efeitos colaterais que podem ser evitados com outros coquetéis incluem interações medicamentosas, reações alérgicas, menor eficácia quando a carga viral é alta, maior risco de doença cardiovascular, redução da densidade óssea, disfunção renal, distúrbios neuropsiquiátricos e aumento dos níveis de lipídios.

Novos regimes de medicamentos considerados pelos pesquisadores foram Rilpivirina, Etravirina, Atazanavir, Raltegravir e Maraviroc, bem como a antiga Lamivudina (3TC). Dependendo da susceptibilidade ao Maraviroc, 98% dos participantes do estudo (se todos forem suscetíveis ao Maraviroc, 94% dada a suscetibilidade desconhecida) poderiam mudar para um regime com pelos menos duas drogas ativas e mais seguras e 89% (se todos forem suscetíveis ao Maraviroc, 87% dada a suscetibilidade desconhecida) poderiam mudar para uma com três medicações mais seguras.

O estudo também descobriu que 57% dos australianos que fazem uso de medicamentos antirretrovirais estão usando dois ou mais medicamentos RATE e podem se beneficiar da troca para novos regimes. Os autores do estudo preveniram, no entanto, que “a maioria dos regimes considerados ‘viáveis’ no estudo não foram ainda rigorosamente testados em estudos clínicos e podem ser considerados não-convencionais.” Os autores concluíram que estudos randomizados controlados podem ser necessários para determinar as vantagens e desvantagens de mudar o regime de pacientes estáveis para novos regimes que não incluam medicamentos RATE.


A UNAIDS prorrogou as inscrições de estágio até 22 de agosto de 2014. São quatro vagas para alunos dos cursos de Relações Internacionais, Comunicação, Jornalismo, Administração, Publicidade e Propaganda, Marketing, Ciências Sociais, Ciências Políticas ou Antropologia para apoiar as ações do escritório em Brasília, DF. A UNAIDS irá selecionar três estagiários para a área técnica e um para a administrativa. Saiba como se candidatar clicando aqui.

Há algum tempo eu traduzi aqui uma entrevista de James Wilton, editor do PositiveLite.com, com Bob Leahy, da CATIE, sobre o que o estudo PARTNER nos diz sobre o risco de transmissão do HIV. Nessa entrevista, Bob dizia que:

Nós sabemos que as pessoas que estão com carga viral indetectável no sangue podem algumas vezes ter níveis detectáveis (embora reduzidos) de vírus em outros fluídos corporais, incluindo sêmen, líquidos vaginal e retal. Entretanto, as implicações deste fenômeno na transmissão do HIV não estão ainda tão claras.

Enquanto alguns estudos mostram que discordância de carga viral entre sangue e outros fluídos corpóreos é comum, outros sugerem que é incomum. Infelizmente, o estudo PARTNER não monitorou a carga viral nos fluídos genitais e retais, então não sabemos quão comum era o fenômeno entre os participantes do PARTNER.

Embora numa amostragem muito reduzida, o estudo abaixo contribui com a resposta de Bob, pois analisou a presença do HIV no sêmen de soropositivos em tratamento antirretroviral.


Relação entre transmissão, micróbios, ambiente imunológico no sêmen e a carga viral do HIV

Por PLOS Pathogens em 24 de julho de 2014

Embora o HIV seja encontrado em muitos fluídos corporais, a transmissão sexual através do sêmen é a via mais comum de infecção. Consequentemente, a quantidade de vírus no sêmen (a carga viral do sêmen) afeta a probabilidade de transmissão do HIV. Além de esperma, o sêmen também contém fatores imunológicos e comunidades de bactérias, um ambiente que poderia influenciar a carga viral. Uma pesquisa publicada em 24 de julho na revista PLOS Pathogens relata que a infecção pelo HIV reconfigura a relação entre bactérias no sêmen e fatores imunológicos, os quais, por sua vez, afetam a carga viral, sugerindo que o microbioma do sêmen desempenha um papel na transmissão sexual do HIV.

Pesquisadores liderados por Lance Price, do Translational Genomics Institute Research, EUA, e Rupert Kaul, da Universidade de Toronto, Canadá, estudaram a relação entre as bactérias do sêmen com a infecção pelo HIV, através da análise de amostras de sêmen de 49 homens que fazem sexo com homens (HSH). Eles se concentraram em HSH em virtude do alto risco de transmissão sexual de HIV nesta população. 27 destes homens eram soropositivos e forneceram amostras de seu sêmen antes e depois de começarem a terapia antirretroviral (TARV), e também um e seis meses após seu início. Amostras de 22 HSH soronegativos serviram como controle.

Entre os homens soropositivos que estavam em TARV, o número total de bactérias nas amostras — a carga bacteriana do sêmen — foi correlacionado com a carga viral do HIV. Analisando o DNA das bactérias das amostras, os pesquisadores detectaram um total de 248 tipos únicos de bactérias no sêmen dos soronegativos, e uma média de 71 tipos diferentes por amostra. Em amostras de indivíduos soropositivos que não fazem uso de TARV, a diversidade do microbioma do sêmen foi significativamente reduzida, enquanto a abundância relativa dos grupos de bactérias mais comuns diferiram. A TARV por seis meses reduziu a carga viral de HIV no sêmen para níveis indetectáveis​​ e restaurou a diversidade e a composição das bactérias a uma situação semelhante à dos soronegativos.

Não houve correlação entre soronegativos e os fatores imunológicos e a carga bacteriana no sêmen. Em contraste, homens soropositivos apresentaram correlação tanto entre a carga bacteriana quanto entre a carga viral, entre vários fatores, mais fortemente à chamada interleucina-1 beta (IL-1B), um importante mediador da inflamação.

“Ao delinear a direcionalidade e causalidade entre as relações complexas que foram observadas, nota-se que mais estudos são necessários”, dizem os pesquisadores. Os dados, segundo eles, “sugerem uma interação entre o microbioma do sêmen, a imunologia local e a carga viral do sêmen. Uma carga bacteriana mais alta no sêmen pode levar à maiores níveis de IL-1B, o qual poderia induzir à libertação viral, deste modo aumentando a carga viral no sêmen.” Os pesquisadores concluíram que os resultados “sustentam a hipótese de que as bactérias no sêmen têm um papel na inflamação local e na liberação de HIV. Elas podem ser um alvo para reduzir o risco de transmissão do HIV.”

Referência

  1. Liu CM, Osborne BJW, Hungate BA, Shahabi K, Huibner S, et al. The Semen Microbiome and Its Relationship with Local Immunology and Viral Load in HIV Infection. PLoS Pathog, July 2014 DOI: 10.1371/journal.ppat.1004262


Tesamorelin pode ajudar pacientes com HIV a perder gordura

MELBOURNE, Austrália — Pacientes infectados pelo HIV tratados com hormônio liberador de hormônio do crescimento alcançaram reduções modestas na gordura abdominal e no fígado, de acordo com cientistas.

Num estudo preliminar que envolveu 54 pacientes, o tratamento com Tesamorelin (Egrifta), reduziu o tecido adiposo visceral em 34cm², comparado a uma redução de 8cm² alcançada em pacientes que tomaram placebo (P=0.005), de acordo com o Dr. Steven Grinspoon, da Harvard Medical School e Massachusetts General Hospital em Boston, e seus colegas, durante a Conferência Internacional de Aids. Os resultados também foram publicados simultaneamente no Journal of the American Medical Association.

Eles descobriram que a variação média de lipídios para porcentagem de água — um marcador de gordura no fígado — foi reduzida em 2% em pacientes tratados com Tesamorelin, com um aumento de 0,9% entre os pacientes tratados com placebo (P=0.003).

“A habilidade do Tesamorelin de reduzir a gordura no fígado em conjunção com a redução na gordura abdominal pode ser clinicamente importante para pacientes com infecção pelo HIV que apresentam doença hepática gordurosa, juntamente com o aumento da gordura abdominal”, afirmou Grinspoon. “Enquanto alguns pacientes com doença hepática gordurosa não associada ao uso de álcool têm uma evolução benigna, outros podem desenvolver um condição mais séria, envolvendo inflamação hepática, danos celulares e fibrose, os quais podem progredir para cirrose e doença hepática em estágio final ou ao câncer de fígado.”

Tesamorelin é o único medicamento aprovado pelo FDA com o objetivo de reduzir o depósito de gordura abdominal que pode se desenvolver em pacientes que fazem uso da terapia antirretroviral para tratar a infecção pelo HIV. Ele estimula o organismo a produzir hormônio do crescimento, o qual pode reduzir a lipodistrofia.

A lipodistrofia é acumulação anormal de gordura abdominal, que pode surgir em 20 a 30% dos pacientes que fazem uso de medicamentos antirretrovirais. Em torno de 30 a 40% das pessoas que vivem com HIV podem desenvolver doença hepática gordurosa não associada ao uso de álcool, mas não necessariamente em conjunto coma lipodistrofia.

“Embora a hipertrofia abdominal seja menos comum com os novos medicamentos antirretrovirais, existe um grupo significativo de pacientes com acumulação de gordura abdominal que usam antirretrovirais há bastante tempo”, afirmaram os pesquisadores. “Na infecção pelo vírus da imunodeficiência humana, a acumulação de gordura abdominal é associada o acúmulo ectópico de gordura no fígado.”

O principal autor da pesquisa, Dr. Takara Stankey, também da Harvard Medical School, disse que o Tesamorelin age especificamente na redução da gordura abdominal, mas seus efeitos sobre o fígado são desconhecidos. “A população observada foi majoritariamente de homens que viviam com HIV e sob tratamento antirretroviral por um longo período, o que é consistente com mudanças lipodistróficas”, disse Grinspoon.

Os pesquisadores examinaram 76 pessoas, randomizando 54 indivíduos que atendiam aos critérios de inclusão. Deste grupo, 26 foram designados para o grupo de placebo e 28 foram escolhidos aleatoriamente para receber Tesamorelin. Os participantes do estudo receberam injeções subcutâneas diárias durante 6 meses, com Tesamorelin (2mg/dia) ou placebo.

Uma vez que o hormônio de crescimento pode aumentar o nível de açúcar no sangue e reduzir a sensibilidade à insulina, cerca de metade dos indivíduos em cada grupo também foram submetidos a procedimentos para analisar a secreção de insulina e a resistência à insulina.

20 pacientes que receberam placebo e 25 que receberam Tesamorelin fizeram acompanhamento de 3 meses. 20 pacientes que receberam placebo e 23 que receberam Tesamorelin fizeram visitas de acompanhamento aos 6 meses. Os dados disponíveis incluem pacientes que fizeram as visitas de 6 meses.

A avaliação também incluiu a medição ampla de fatores relacionados à infecção pelo HIV, lipídios e metabolismo de glicose, além de análise de gordura abdominal por tomografia computadorizada e de gordura no fígado por espectroscopia de ressonância magnética.

Análises no começo e no fim do período de 6 meses indicaram que não parece haver diferenças estatisticamente significantes nos estudos de insulina a longo prazo, segundo os pesquisadores relataram. Embora o tratamento com Tesamorelin pareça reduzir a sensibilidade à insulina e aumentar os níveis de açúcar no sangue na avaliação feita aos 3 meses, as medições feitas aos 6 meses voltaram aos níveis observados no início do estudo, sugerindo que o impacto do medicamento no metabolismo da glicose foi apenas temporário, segundo Stanley.

“Os efeitos colaterais sobre a glicose pelo uso do Tesamorelin a longo prazo são neutros mas importantes, uma vez que os pacientes que vivem com HIV e acúmulo de gordura abdominal podem ter resistência subjacente à insulina; é importante saber que esta não vai ser agravada por este tratamento”, explicou Grinspoon. “Uma vez que sabemos que a gordura no fígado é associada à inflamação no fígado, reduzi-la pode resultar em menos inflamação.” Ele relatou que os testes de enzimas hepáticas e de marcadores de inflamação do fígado foram menores entre os pacientes tratados com Tesamorelin.

Os autores observaram que a ampla utilização de Tesamorelin em pacientes infectados pelo HIV e com lipodistrofia pode ser limitada, uma vez que a droga é cara, com algumas estimativas de preço chegando a US$ 3.000,00 por mês.

Eles lembraram que o grupo não foi escolhido especificamente por apresentar aumento de gordura no fígado, e que, devido a mudança absoluta de lipídios em água ter sido modesta, tem pouca importância clínica e seus dados não são conhecidos. Além disso, biópsias de fígado — o método ideal para avaliar características de doença hepática gordurosa não alcoólica e doença hepática avançada — não foi realizada. Os pesquisadores também não coletaram dados após a descontinuação do Tesamorelin.

“Estudos anteriores demonstraram que a gordura visceral pode voltar a se acumular após a descontinuação da Tesamorelin e estudos futuros serão necessários para determinar se reduções na gordura hepática com Tesamorelin são mantidos após a descontinuação do tratamento”, escreveram eles.



Soropositivos contam como é viver com HIV hoje no Brasil; veja relatos

Por Mariana Lenharo do G1, em São Paulo

Relatório da Unaids apontou que novos casos cresceram no Brasil. Tendência mundial é de queda: de 2005 a 2013, casos diminuíram 27,5%

A tendência de aumento das novas infecções por HIV no Brasil veio à tona recentemente com a divulgação de um relatório da Unaids, programa da Nações Unidas sobre a doença. O levantamento constatou que, globalmente, o número anual de novos casos caiu 27,5% entre 2005 e 2013, enquanto para o Brasil foi apontado um crescimento de 11,8%.

Dados consolidados pelo Ministério da Saúde, por sua vez, indicam aumento de 9% entre 2002 e 2012.

Segundo especialistas ouvidos pelo G1, a diferença do país em relação à tendência mundial, que tem as infecções em queda, pode ter várias explicações. Uma delas é o fato de o Brasil estar em uma fase diferente da epidemia em comparação a outras regiões, além da carência de novas estratégias de prevenção. [Continue lendo.]