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Tratamento como prevenção na África


Estudos mostram que o tratamento de HIV reduz a taxa de novas infecções

Por Médicins sans Frontiers em 6 de março de 2014

Dois novos estudos divulgados pelo Epicentro, o braço de pesquisa da organização médica humanitária internacional Médicins sans Frontiers (MSF), na CROI, a Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, apontam para a redução de novas infecções de HIV em áreas em que o tratamento para o HIV foi bastante expandido. Os estudos são alguns dos primeiros a olhar para o possível impacto da redução de novas infecções pela terapia antirretroviral (TARV) no mundo real, fora dos laboratórios, e em ambientes onde há alta prevalência de HIV, como na África subsaariana.

O primeiro estudo foi conduzido no distrito Chiradzulu, em Malawi, cuja prevalência de HIV está em 17% e onde a implementação em larga escala da TARV pelo Ministério da Saúde e MSF começou em 2001. A cobertura da TARV no distrito é alta, em 65,8%. Numa análise de base populacional transversal, o estudo mostra que a taxa de novas infecções, ou incidência, está muito baixa, em 0,4%. A incidência foi maior entre mulheres do que em homens (0,57% contra 0,18%). Além disso, entre toda a população soropositiva pesquisada (incluindo tanto as pessoas que estão em TARV e as que não estão), uma porcentagem muito elevada (61,8%) tinha carga viral “indetectável” em seu sangue, abaixo de 1.000 cópias [em geral considera-se “indetectável” como abaixo de 50 cópias]. Isso é mais que o dobro da taxa de supressão viral entre a população de soropositivos nos Estados Unidos, avaliada em 25% em 2012.

“No nosso estudo, dois terços das pessoas vivendo com HIV têm o que é considerado como carga viral ‘indetectável’ e estão praticamente fora do risco de transmitir o vírus — é fenomenal ver que é possível chegar a estes níveis em contextos de recursos limitados”, disse o Dr. David Maman, pesquisador-chefe do estudo Malawi. “Uma vez que nosso estudo não é clínico, a taxa de novas infecções que estamos vendo sugere fortemente que o tratamento para o HIV sozinho tem um papel na redução da transmissão.”

O segundo estudo foi conduzido pela MSF na província KwaZulu Natal, na África do Sul, onde há uma das mais altas taxas de prevalência de HIV no mundo, em 25%. O tratamento em larga escala começou há menos tempo, próximo de 2009, embora tenha estado disponível desde 2004 em menor escala. Apesar da alta prevalência, a taxa incidência foi moderada, em 1,2% ao ano, também sugerindo que a TARV possivelmente tem seu impacto na redução de novas infecções. Outras descobertas do estudo são impressionantes. A prevalência em mulheres foi o dobro do que em homens e maior entre mulheres de 30 a 40 anos, em 56%. As mulheres jovens, de 20 a 30 anos, tinham a mais alta taxa de novas infecções, em 4% ao ano — quatro vezes maior do que para os homens da mesma idade. Em geral, a cobertura da TARV foi relativamente boa: três quartos das pessoas soropositivas estavam em tratamento, com cobertura melhor entre mulheres do que entre homens, em 78,5% contra 63,9%. A supressão viral foi alcançada em 89,6% das pessoas que receberam TARV por mais do que seis meses. Além disso, uma proporção alta de indivíduos com HIV estava ciente de sua condição sorológica antes do início do estudo.

“Estudos como este são essenciais para mostrar a realidade de epidemia”, disse a Dra. Helena Huerga, pesquisadora-chefe do estudo da África do Sul. “Nosso estudo nos mostra que a situação no mundo real é melhor do que esperávamos, mas também aponta exatamente para onde temos que mirar as estratégias de intervenção para maximizar seu impacto. Como podemos ver, quanto mais antigo o programa de tratamento, melhor parece seu impacto em reduzir a transmissão. Então, este é um sinal para os profissionais de saúde do mundo todo para continuar com o tratamento de HIV em larga escala, levando tratamento para o maior número de pessoas o mais cedo possível.”

Atualmente, o MSF oferece apoio na provisão de TARV para mais de 280.000 pessoas em mais de 20 países.


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19 comentários

  1. Feliz diz

    Nao conheço nada sobre este medicamento? é uma combinação de alguns remédios em um so? TARV.
    Nao sei se encararia tomar o remédio como prevenção, passei pelo PEP e nunca me senti tao pra baixo e enjoado.. Mas não descarto totalmente essa possibilidade para mim.

    Alguém pode me ajudar com uma duvida?

    sou gay, sexo oral insertivo é ou não um risco?
    meu namorado é +.. se saliva não transmite, pq existe essa recomendação? existem tantas respostas sobre isso, que já estou entrando em conflito..Abraços gente boa!

    • Feliz, não é nenhum remédio novo…

      São os mesmos remédios que tomamos que funcionam como prevenção, pois diminuem a nossa transmissibilidade, se a carga viral é indetectável.

  2. Camillo diz

    Feliz, estas são perguntinhas básicas que se encontram em vários sites na internet. Entretanto, vamos lá: TARV = Terapia AntiRretroViral, composta por mais de 1 medicamento, normalmente 3. Existem várias combinações. Com somente 1 medicamento seria monoterapia. A tarv pode ser combinada em 1 só comprimido, como o Atripla e outros, começando a ser disponíbilizada no Brasil. Não existem registros de infecção por sexo oral, entretanto apesar da possibilidade mínima, ela é real, dependendo de vários fatores, como ferida na boca, parceiro soropositivo e fora da Tarv e etc. Se alguém mais puder complementar ou corrigir minhas respostas….

  3. Ae galera! Muito feliz em saber que estão se comunicando por aqui. Tava meio “frustrado” com o fim do soropositivos.com .

    Abraço!

  4. Tony diz

    Vida, por que vc toma 7 e eu só 3 por dia ? Um dia o meu esquema vai falhar e terei que aumentar como vc o número de medicamentos ?

    • Tony, eu tomo o mesmo esquema desde que comecei o meu tratamento em 2009. Até agora eu não sei que critérios meu médico usou pra prescrever essa medicação. Eu me lembro que ele chegou a anotar em meu prontuário o esquema com efavirens (nem sei se é assim que escreve), depois decidiu que seria um outro que eu teria que guardar na geladeira (esse eu não quis) aí ele receitou esse que tomo até hoje..Kaletra, lamivudinha e tenofovir.

  5. Beto diz

    Olá gente. Me descobri soro positivo ha uns 3 meses. Meu ex era positivo e fez o teste na época da janela imunológica. Enfim, Passei pela infecção aguda, e achei muito estranho, pois nunca tinha sentido aquilo. Fiz o primeiro exame deu negativo, um mês depois deu positivo.
    Meu CD4 estava há um mes de 780, e minha carga viral de 15 mil.
    O meu medico falou dos benefícios de começar logo o tratamento. logico que fiquei acabado… tenho 26 anos. Mas encarei, há 17 dias comecei o tratamento com efavirenz, tenofovir e lamivudina. na segunda dia 14/7 começaram a aparecer manchas que mais pareciam ser picadas de mosquito nos meus braços. achei estranho e já tinha lido aqui no site sobre intolerância aos medicamentos. fui hoje mostrar ao meu medico dia 17/7 Quinta feira como estavam meus braços costas e pescoço, já estava se alastrando muito. Ele foi categórico… Isso é o efavirenz. vamos trocar!

    Dai ele me receitou um que eu morria de medo e ainda morro, pois vou tomar a primeira dose agora as 22h o temido Kaletra. Até o nosso querido ”JOVEM SOROPOSITIVO passou maus bocados, mas espero realmente que eu n tenha nada como nos outros… (Força, e fé Sempre!) Abraço a todos

  6. SILVA diz

    Eu faço uso de Biovir e Kaletra, e o primeiro mês pra mim foi horrivel, pois tudo que e novo e dificil de ter uma aceitação ainda mais nesse caso, mais nada demais, e suportavel, hoje já não sinto os efeitos, e acredite os efeitos são ruins mas o tratamento e bom o meu ja faz tres exames que dá indetectavél. FORÇA,FÉ SEMPRE.

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