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Dividir o mundo entre soropositivos e soronegativos é perigoso para sua saúde

Brasil Post

Antes que o nosso ano seja divido de vez entre antes e depois da Copa e, em seguida, antes e depois das eleições, aproveito para falar sobre uma divisão que apesar de amplamente difundida mundo afora é perigosamente equivocada. Dividir o mundo entre soropositivos e soronegativos, os portadores e os não portadores de HIV/aids, é ineficaz. Pior, dividir o mundo dessa maneira é perigoso para a sua saúde e para o controle da epidemia no mundo.

Depois que fui diagnosticado portador do HIV e aprendi bastante sobre a doença, entendi que essa divisão não explica nada sobre o risco de transmissão e sobre o impacto que receber um diagnóstico positivo para o HIV tem sobre o controle da epidemia. A verdade é que, na prática, existem três situações distintas de conhecimento da sorologia, sua ou de seu parceiro, e que impactam diretamente sobre a transmissibilidade. São elas:

A) A primeira diz respeito aqueles que têm o hábito de fazer o teste de HIV com frequência e sempre usar camisinha. Se por acaso falham em usá-la, fazem o teste de HIV pelo menos 30 dias depois da última relação sexual desprotegida, respeitando o período da chamada “janela imunológica”, que é o tempo que o organismo leva para produzir os anticorpos que sensibilizam o teste. Uma pessoa só pode ser considerada soronegativa se, cumprindo essas condições, receber resultado negativo no teste de HIV.

B) A segunda é aquela da qual faço parte, aqueles que fizeram o teste de HIV e este veio positivo. Quem passa por isso é então um soropositivo, um portador do vírus, uma pessoa que vive com o HIV. Seguindo o atual protocolo do Ministério da Saúde, quem recebe o diagnóstico positivo pode começar imediatamente seu tratamento com terapia antirretroviral, o “coquetel”, que é gratuito em todo o País. Trata-se de uma poderosa combinação de fortes medicamentos que são capazes de levar a “carga viral”, que é quantidade de vírus presente no sangue, a níveis indetectáveis pelos exames de laboratório. É o meu caso e de 76% dos que vivem com o vírus e sob tratamento no Brasil.

C) Mas há ainda um terceiro grupo, que geralmente passa despercebido pela maioria das pessoas. É o grupo daqueles que não sabem se têm ou não HIV, pois nunca fizeram ou não têm o hábito de fazer o teste. Se fazem, às vezes não respeitam a janela imunológica. Nessas condições, é impossível determinar a sorologia deste indivíduo, a quem podemos chamar de sorointerrogativo, um apelido bem apropriado pare este caso. (Há também aqueles que não fazem o teste porque morrem de medo dele ou do seu resultado, a quem eu gosto carinhosamente de apelidar de sorodesesperados!)

Esse cenário, que é real, mostra algo curioso. Os grupos das situações “A” e “B” têm algo essencial em comum: ambos cuidam da própria saúde. E a realidade, com base no conhecimento médico e científico que temos hoje, é clara: quem se cuida não transmite e não contrai HIV. E eu vou explicar o porquê.

O uso da camisinha, hábito de quem se cuida, oferece 95% de segurança se esta for utilizada corretamente. Por sua vez, a camisinha e a terapia antirretroviral combinadas oferecem segurança de 99,2%. Sim, é mais seguro fazer sexo com camisinha com um portador do vírus que sabe da sua condição e cuida da sua saúde, tomando os remédios e mantendo a carga viral indetectável, do que transar com alguém que não sabe a condição sorológica para o HIV. Num texto anterior, eu disse que o risco de contrair HIV de um portador do vírus que se cuida era o mesmo de “ser atingido por um cometa”. Peço desculpas, eu errei. Àquela altura, disse isso como força de expressão e só hoje é que eu realmente fiz as contas. A verdade é que é 3 vezes mais provável ser atingido por um meteorito do que pegar HIV através de sexo com camisinha com um portador em tratamento e com carga viral indetectável.

O mesmo não se pode dizer do grupo “C”, pois eles não cuidam da sua saúde. E quem não se cuida e não faz o teste, pode ser um portador do HIV não diagnosticado. Sem tratamento, a carga viral é possivelmente alta e, com isso, a transmissibilidade também. Existem dois momentos em que um portador sem tratamento apresenta maior carga viral e, portanto, maior risco de transmissão: no estágio final da infecção, já próximo dos primeiros sintomas da aids, e na fase inicial, logo após a entrada do vírus no organismo. Portanto, um recém-infectado que não sabe da sua condição é um potencial transmissor do vírus.

Posso parecer um parlamentar tentando defender o próprio aumento de salário — ou, no caso, a credibilidade de um discurso que tem interesse próprio –, mas a verdade é que não estou sozinho e a compreensão que eu apresento aqui é extremamente benéfica para o controle da epidemia no mundo. Em 2012, ao lado do governo da Noruega e de membros da sociedade civil de diferentes países, a Unaids propôs a Declaração de Oslo, a qual faz lembrar que:

“A epidemia de HIV é nutrida pelas infecções por HIV não diagnosticadas e não pelas pessoas que conhecem seu status positivo para o HIV.”

A declaração da Unaids é endossada pelo famoso Swiss Statement, a declaração feita em 2008 pela Comissão Nacional de Aids da Suíça, e por declarações similares feitas por autoridades médicas australianas e alemãs. Dois estudos científicos, HPTN 052 e Partner, dos quais já falei bastante aqui, vieram ao encontro destas declarações. Juntos, ambos já analisaram mais de 2 mil casais sorodiscordantes (quando apenas um dos parceiros é portador do HIV) e que não usam preservativo em todas as relações sexuais. Até o momento, não foi documentado um único caso sequer de transmissão do HIV a partir de um soropositivo que toma antirretrovirais e tem carga viral indetectável. No mês passado, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças americano (em inglês: Centers for Disease Control and Prevention — CDC) publicaram um texto sobre o risco de transmissão do HIV que usa como base o resultado destes estudos.

Com isso, espero que não reste mais nenhuma dúvida: a divisão entre soropositivos e soronegativos é ineficaz. O que existe de fato são aqueles que se cuidam e os que não se cuidam. De qual deles você quer fazer parte?

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25 comentários

  1. Entre anti-retrovirais e sorrisos. diz

    Esta cartilha é a mais atual do Ministério da Saúde, estou começando a escrever um artigo sobre a imagem do soropositivo na mídia do meu estado e já tinha visto a cartilha com os dados, achei bem interessante, mas precisava de algo mais atual. Estou tentando contato com a secretaria de saúde, mas, até o momento, não obtive resultado.

  2. Entre anti-retrovirais e sorrisos. diz

    Uma correção, acabei falando cartilha, mas é o boletim…

  3. mãe de um JS diz

    A escolha entre cuidar ou não da saúde em nada tem a ver com ser ou não soropositivo. Sabemos o quanto as pessoas, talvez grande parte delas, sempre protelam cuidados básicos com sua própria saúde, seja física ou psíquica. Como mãe de um JS creio que a minha maior luta é despertar a responsabilidade do meu filho com sua saúde, sua existência e com o seu próximo…é difícil, pois o tratamento não é simples e se torna quase que insuportável pelo desconhecimento e consequente preconceito. Como mãe faço o que está ao meu alcance e muitas vezes vou além disso, mas a palavra final sobre cuidar- se ou não sempre vai ser dele, isto é, sempre vai ser de cada um do nós. Amo este blog. Bjosss

  4. JuJo diz

    Amanhã começo oficialmente no tratamento lamivudina + tenofovir + efavirenz.
    estou morto de medo. -_-`
    Principalmente do Efavirenz.

    • mãe de um JS diz

      Vou falar pra vc o que me falaram aqui mesmo no blog, na ocasião do inicio do tratamenro do meu filho: os efeitos colaterais são individualizados, cada pessoa reage de uma forma, mas independente disso, os efeitos passam com o tempo, acredite! Persista e acredite que esses remédios trarão melhor qualudade de vida pra vc! Beijoss e boa sorte

    • Rafael diz

      JuJo, tb tomo essa bagaça de combinação. Eu penso o seguinte: é a melhor combinação, tem menos comprimidos, e você pode tomar uma vez ao dia. Por mais que você passe mal, pense que podia ser bem pior. Histórias de remédios de tamanho de jaboticabas, vômitos e diarrérias incontroláveis, 30 comprimidos por dia, uns a cada 6 horas, com outros a cada 12 horas…

      Um conselho? Encara assim quando você sentir o “tuin”. Podia ser pior, bem pior.

      Eu tô tomando há mais ou menos um mês e meio. Os efeitos colaterais diminuíram um bocado, mas ainda saio de órbita, de vez em sempre. Mas não tem nada que vai me fazer parar de tomar não. Força.

      • Eu uso essa TARV e às vezes nem lembro se tomei no dia,
        porque não sinto nada. Fique tranquilo quanto à isso, meu médico disse que essa é a combinação mais tolerável.

    • Alisson diz

      Relaxa daqui um tempo vira hábito…os efeitos colaterais passam…vida normal!!! 😉

    • Ricardo diz

      Utilizo esta combinação há cerca de dois anos. Posso lhe dizer que na minha feliz experiência tive uma única noite de sonho vívido (justo no primeiro dia) 1 (um) dia de náusea (primeiro dia posterior – isso apenas um dia mesmo). Durante a primeira semana sentia um pouco do efeito na “cabeça” digamos, mas bem suportável. Depois de 10 dias tive alergia (rash) que segurou com antialérgico e,desapareceu. Após um mês mais nada, apenas passei a lembrar bastante dos meus sonhos, o que não é propriamente ruim (até isso agora ja diminuiu muito). É verdade que os efeitos são diferentes mas, acredite, aguente as primeiras semanas, caso tenha efeitos colaterais, porque este esquema é muito mais fácil de tomar, a meia-vida da droga é longa e você não precisa ser absolutamente matemático nos horários (também não vá avacalhar), podendo haver pequenas e toleráveis variacoes nos horarios sem problemas.

  5. Rafael diz

    Sabe, esse artigo me remete a alguns pensamentos que me ocorreram, agora que sei que sou soropositivo. As pessoas não tem medo de pegar HIV, mas morrem de medo de ter HIV. (?!?) Ou AIDS. Pra quem é soronegativo, ou soroignorante, sei lá, é tudo a mesma coisa.

    Isso é apenas um comportamento preconceituoso sobre algo que as pessoas não entendem. E fico muito p*to da vida de ver que a sociedade acha que devemos informar nossa condição, apenas pra podermos ser discriminados. Já li muito coisas do tipo “é sacanagem o parceiro ou parceira não saber da sorologia, é errado as pessoas com HIV não informarem que tem HIV pra todos…” Mas ser tratado com preconceito, não é? Agora vou falar pra todo mundo, pra multidão ter o direito de me linchar, de me excluir? Logo eu, que não faço mal a ninguém?

    Desde que descobri, e me informei, percebi que represento muito menos risco do que uma pessoa que simplesmente não sabe se tem ou não HIV. Porque saber que tem HIV e transmitir propositalemente, não é uma questão de contágio, é uma questão de falta de caráter. Mas a sociedade tende a nos colocar num copo só.

    Me remete ao velho jargão dos pedintes nos transportes coletivos; “Podia estar roubando, podia estar matando…” Se eu saísse na rua e falasse: “Podia estar estuprando, podia estar contaminando, mas não…” Já iam me olhar com um ódio só, imagina.

    Repito: fico muito p*to e muito triste de sofrer esse preconceito, de uma sociedade orgulhosa de seu progresso e sua evolução. Mas retrógrada em pontos tão triviais.

    Ps: Jovem Soropositivo, você me ajudou e muito, apenas por ter lido as suas histórias. Acredite, agora sei dos muitos medos e anseios que você passou, e pode apostar que você me ajudou a superar muita coisa, apesar de eu ter descoberto minha sorologia recentemente. Esse seu blog faz um bem danado, e aposto que, pra muita gente que nem se manifesta. Mas deve agradecer de coração seu esforço. Forte abraço.

  6. Anai diz

    Assim eu me apaixono.
    Js casa comigo? 🙂 hahaha

    Brincadeiras à parte.
    Espero que você consiga levar seus textos até aqueles que desconhecem o “HIV” (como aconteceu comigo, que só soube realmente quando li “reagente”), bem como, consiga desmistificar o medo e a ignorância, daqueles que nos hostilizam.

    Seus textos deviam estar em jornais, revistas, redes sociais e até mesmo em outdoors, para que sua sapiência chegue aos ouvidos de todos e cale a boca dos preconceituosos.

    ;*

    • Roberto diz

      Vc falou em “casar”. Sou de Brasília, tenho 45 anos. Vc conhece um site em que mulheres solteiras + entram pra conversar, conhecer alguém? Obrigado pela ajuda. bjos

  7. Rafa diz

    Uma coisa bacana que está acontecendo (ao menos na última vez que fui fazer meu exame no CTA aqui em Recife) é que o aconselhamento está começando antes da coleta. Quando fiz outro exame dois anos atrás não era assim. Agora a profissional faz uma entrevista prévia com todos que vão fazer o exame e caso o paciente responda que passou por uma situação de risco a menos de trinta dias, a profissional não permite que a coleta seja realizada, aconselhando-o a retornar exatamente trinta dias depois. Muita gente desconhece sobre a janela e na ansiedade vai lá e faz um dia depois, uma semana depois da situação de risco. Digo isso pois nas duas vezes que fiz na vida, a espera pela janela foi agoniante e desesperadora. Principalmente quando se somatiza sintomas da fase aguda e tudo que aparece você pensa que tá com o vírus.

    Espero que os CTA’s de outros lugares do Brasil estejam na mesma linha, ajuda a evitar o aumento do número de sorointerrogativos.

    Seu blog é ótimo, parabéns pelo trabalho!

  8. Medo…. muito medo…. sem dormir e sem viver como provar o que fizeran comigo como vou explicar isso pra minha familia. Estou com catarro a dias. Nao sei se foi por causa do exame sera que a enfermeira fez merda. Ela abriu a seringa na minha frente mas sera que a ponta encostou em alguma superficie com hiv? Haja terapia viu. Mil possibilidade vem a minha cabeça horrivel ir me testar e so de pensar. Sera que pelo fato de eu conversar com a enfermeira ela fez merda? Penso muito no efeito borboleta como uma pequena açao ferra com a nossa vida.

    • Icarus,Ainda nessa??? e não contente que o JS desativou o outro blog, vc correu pra esse, Garoto esperto Rsrs.
      Sabe tenho pena de vc ficar nesse dilema do talvez, que tal mudar para Simmm??? Já que vc não desencana disso mesmo, então tenho impressão que é isso que vc deseja. Posso te ajudar enviando por sedex um vidrinho com um pouquinho do meu sangue, o que acha??? Vc terá 100% de certeza!!! Agora é serio! respeite as pessoas que estão aqui, que realmente precisam de ajuda,que estão tristes =( =/

  9. EX EX EX - Deprimido diz

    Icarusnew2, me responde uma coisa: tu ehs soropositivo?

    • Eu peguei 5 resultados negativos. Mas neste ultimo exame eu acho que a enfermeira me contaminou estoh com um catarro que nao passa e tive uma gripe. Apos o exame. Acho que ela encostou a ponta da agulha na bancada e tinha sangue contaminado. Acho que ela me contaminou. To com isso na cabeça nao aguento mais fazer exame.

      • santos diz

        vc está em pânico, pq deve ter lido na internet que o vírus fica ativo em meio externo por até 1 hora, né? se tem dúvida que está contaminado, aguarde 30 dias e faça de novo o teste.

      • Larissa diz

        De onde você é, icarusnew2? E fez em laboratório ou no CTA? Depois da minha coleta, tive uma gripe também, mas veio não reagente, fiz em laboratório particular e não tenho comportamento de risco. Você acha mesmo que há essa possibilidade? Acho muito mínima, a não ser que o “profissional” seja mau-caráter e queira prejudicar as pessoas. Essa gripe pode ter sido normal ou até somatização. Não se preocupe, a não ser que você tenha sido irresponsável em alguma situação.

  10. EX EX EX - Deprimido diz

    Por favor, nao escreva mais aqui. Isto eh um blog de auto ajuda, para partilhar experiencias, e voce esta mal direcionado aqui. Procure um tratamento psicologico, pois acho que este eh o teu problema.
    E antes de falar algo “ponta da agulha na bancada”, “sangue contaminado”, LEIA, INFORME-SE, CRESCA, antes de vir aqui comentar algo que nao ajuda, nao acrescenta nada.
    Pela tuas palavras, voce ja fez 5 exames, todos negativos.
    Porque tu foi fazer o 6 exame????
    Amigo, HIV eh algo serio. Nao eh algo para se brincar.
    Por favor, se voce nao tem amor proprio, respeito aos outros que aqui buscam um pouco de conforto.
    Quando voce tiver resultados do teu psicologo, faca contato novamente contando as novidades positivas.
    Ate la, se quiser voltar aqui, volte sempre. Mas com argumentos concretos.
    Teu panico nao esta ajudando ninguem aqui.
    Abracos.

  11. Bom, comecei a escrever esse comentário e nem sei ao certo o que gostaria de dizer aqui. Acho que só precisava falar com alguém.
    Na última segunda feira 30.06, fui ao urologista por uma suspeita de herpes genital. Durante a consulta ele solicitou que eu realizasse alguns exames de rotina para DSTs, dentre estes, o HIV. Já faz um bom tempo que eu tenho pânico só de pensar em fazer esse exame. O simples fato de imaginar a possibilidade de dar positivo já me gerava desespero. Em todas minhas consultas médicas pensava em pedir para o médico que solicitasse exame para o HIV, mas acho que esse medo sempre me impediu.
    Após essa consulta fui ao laboratório para realizar os exames. Já no dia seguinte tive a primeira notícia ruim: Meu resultado deu positivo para sífilis (1;256), após pesquisar verifiquei que essa taxa é altíssima. Durante essa semana os demais exames foram sendo liberado para consulta via internet, com a exceção do exame HIV.
    Na última quinta feira, 03.07, recebi uma ligação da biomédica do laboratório solicitando que eu realizasse uma nova coleta de sangue para repetiçao do exame HIV. Eu não perguntei o motivo da repetição e apenas disse que retornaria ao laboratório. Afinal, eu já sabia e sei o que uma ligaçao do laboratório pedindo para repetir esse exame significa, mBom, comecei a escrever esse comentário e nem sei ao certo o que gostaria de dizer aqui. Acho que só precisava falar com alguém.
    Na última segunda feira 30.06, fui ao urologista por uma suspeita de herpes genital. Durante a consulta ele solicitou que eu realizasse alguns exames de rotina para DSTs, dentre estes, o HIV. Já faz um bom tempo que eu tenho pânico só de pensar em fazer esse exame. O simples fato de imaginar a possibilidade de dar positivo já me gerava desespero. Em todas minhas consultas médicas pensava em pedir para o médico que solicitasse exame para o HIV, mas acho que esse medo sempre me impediu.
    Após essa consulta fui ao Sabin para realizar os exames. Já no dia seguinte tive a primeira notícia ruim: Meu resultado deu positivo para sífilis (1;256), após pesquisar verifiquei que essa taxa é altíssima. Durante essa semana os demais exames foram sendo liberado para consulta via internet, com a exceção do exame HIV.
    Na última qeu resultado certamente deu positivo.
    O que mais me espantou é que, diferente da maioria dos relatos que li por aqui, eu não chorei quando recebi essa ligação, não me desesperei, o coração não bateu mais forte, acho que nem minha expressão facial mudou. Todo aquele desespero que sempre tive só de me imaginar realizando um exame como esse não existiu. Eu não senti absolutamente nada, desliguei o telefone e voltei a trabalhar. Ainda não consigo sentir nenhum nervosismo, nem sequer preocupação.
    A única coisa que sinto desde aquela ligação é uma intensa e profunda vergonha. Vergonha por ter tanta instrução, acesso à informação e ainda assim ter contraído duas graves DSTs, dentre elas o HIV, Vergonha, por sempre ter andado com uma camisinha no bolso e mesmo assim não tê-la usado vez ou outra. Vergonha por imaginar que eu jamais serei capaz de me relacionar com alguém e expor a expor essa doença. Aliás, sinto um pouco de vergonha até por estar escrevendo aqui, mesmo que utilizando um nome diferente.
    Na verdade tenho vergonha até de retornar ao laboratório e dizer que estou lá para repetir o exame hiv. Estou sem coragem até para retornar ao médico que solicitou os exames.
    É uma mistura de vergonha e culpa. Me sinto culpado por ter apenas 24 anos e portar um vírus que deverá me acompanhar pelo resto da vida. A culpa é maior ainda por saber que, de certa forma, isso é fruto das minhas escolhas. Aliás, é fruto exclusivamente da minha irresponsabilidade.
    Acho que eu não consigo chorar nem me desesperar justamente por saber que fui eu quem causou isso a mim mesmo. Confesso que até tentei chorar ou passar o dia inteiro pensando nisso, mas não consigo. Me sinto simplesmente apático, indiferente.
    Em que pese estar me sentindo assim agora, vou retornar ao laboratório já na segunda feira para recoletar sangue para repetição do teste.
    É a primeira vez que escrevo aqui, não sei se esse comentário vai ser lido por alguém, espero sinceramente que sim. Me abri de forma tão franca aqui porque a única certeza que tenho desde já é que não irei expor meu dignóstico à ninguém, nem familia nem amigos.
    Sei que isso é uma luta que todos enfrentam, peço desculpas se de algum modo me expressei de maneira erronea ou ofensiva.
    Enfim, não sei qual era meu objetivo em dizer tudo isso, então termino sem fazer qualquer conclusão.

  12. Oi hugo, quem bom que vc não se desesperou,o desespero só atrapalha. Pode ser que o exame deu indeterminado e eles ligaram de novo pra ter certeza,agora suponhamos que realmente seja hiv+ bola pra frente e se tratar,não se sinta com vergonha são coisas que podem acontecer com qualquer um como aconteceu com a gente aqui do blog. mesmo tendo informação, paciência ué é a vida… não deixe de repetir o exame pro seu proprio bem. Se precisar conversar estamos aqui!!! Bjs 🙂

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