Hey, PARTNER! Gays e a Transmissão do HIV

Por Bob Leahy do PositiveLite.com em 3 de Junho de 2014

Bob Leahy, editor do PositiveLite.com, conversa com James Wilton, da CATIE, sobre o que o estudo PARTNER nos diz sobre o risco de transmissão do HIV entre homens homossexuais em que um dos parceiros é soropositivo, mas cuja carga viral é indetectável.

Olá, James. Obrigado por aceitar conversar novamente conosco, do PositiveLite.com, desta vez sobre o estudo PARTNER. Li sua análise sobre os resultados preliminares — a qual publicamos aqui — e isso me levou de volta ao dia em que recebemos a notícia sobre a transmissibilidade do HIV envolvendo homens gays com carga viral indetectável. Eu estava muito animado naquele dia. Você concorda que as descobertas são inovadoras?

Sim, eu acho que os resultados preliminares deste estudo são muito importantes. Desde que o estudo HPTN 052 divulgou seus resultados em 2011 — mostrando que o tratamento antirretroviral pode reduzir significativamente o risco de transmissão do HIV através de sexo vaginal — restaram questões não respondidas no que diz respeito às populações que fazem mais sexo anal, tais como alguns homens gays e homens que fazem sexo com homens. Os resultados preliminares do estudo PARTNER ajudam a responder à algumas destas questões.

Continue reading

Anúncios


Infecção por HIV passa ser de notificação compulsória

logo_aidsPortaria do Ministério da Saúde também torna obrigatória a notificação de acidentes de trabalho, violência sexual e casos graves e óbitos por varicela

Os profissionais de saúde dos serviços públicos e privados deverão, a partir de agora, notificar regularmente às autoridades de saúde os casos de infecção por HIV, a partir da confirmação do diagnóstico. A determinação consta em portaria publicada no Diário Oficial da União, que inclui a infecção por HIV na Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública. Antes, a obrigatoriedade era restrita aos casos de infecção em gestante, parturiente, puérpera e criança exposta ao risco de transmissão vertical do vírus.

A notificação da infecção pelo HIV seguirá os mesmos critérios de sigilo definidos na Lei de Acesso à Informação (12.527/2011). Os profissionais de saúde terão que notificar todos os casos de aids em adultos e crianças, mesmo que tenham sido comunicados anteriormente como infecção pelo HIV. Vale ressaltar que, a partir de agora, terão que ser notificados os portadores por HIV e também as pessoas que vivem com aids.

As pessoas com infecção pelo HIV em acompanhamento clínico-laboratorial e diagnosticadas com data anterior à publicação da Portaria serão notificadas à medida que comparecerem à rede de serviços de saúde. Os laboratórios da rede privada deverão informar, periodicamente, a Vigilância Epidemiológica todos os casos diagnosticados de infecção pelo HIV.

A nova lista é composta por 46 categorias de doenças e agravos que devem ser notificadas às autoridades de saúde, revisada com base no perfil epidemiológico nacional e alinhada ao Regulamento Sanitário Internacional de 2005. Integram esta lista as notificações de acidentes de trabalho grave e com exposição a material biológico; varicela em casos graves e óbitos; violência sexual e tentativa de suicídio como notificação imediata municipal, dentre outras. A atualização da lista é realizada sempre que há identificação de doenças e agravos de importância para a saúde pública nacional, desde 1961.

Até então, estes acidentes eram notificados apenas por unidades sentinelas (estabelecimentos de saúde que integram uma rede de vigilância específica). Tendo em vista a importância do tema, a notificação universal vai permitir uma visão mais concreta da realidade dos acidentes de trabalho no Brasil.

VARICELA – A portaria também torna obrigatória a inclusão na lista nacional de casos graves e óbitos por varicela, popularmente conhecido como catapora.

A notificação às secretarias estaduais e municipais passa a ser imediata, até 24 horas. A inclusão da doença na lista, além de permitir um acompanhamento dos casos e surto, possibilita uma análise da eficácia da incorporação da vacina contra a doença no Sistema Único de Saúde (SUS). Vale ressaltar que em alguns estados a doença já era de notificação compulsória.

Em até 90 dias, a Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, publicará normas sobre as definições de casos suspeitos e confirmados, fluxos e prazos da notificação e o funcionamento dos sistemas de informação em saúde.

VIOLÊNCIA SEXUAL – A portaria também estabelece que os profissionais das urgências e emergências notifiquem imediatamente às autoridades de saúde do município os casos de violência sexual e de tentativas de suicídio. O objetivo é garantir atendimento integral e humanizado, seja com medidas clínicas – como prevenção da gestação com contraceptivo de emergência e profilaxia de DST/Aids e hepatite B – ou com encaminhamentos a atendimentos especializados nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em hospitais da rede.

O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, ressalta que as informações geradas pela notificação são estratégicas para preparação de intervenções eficazes em saúde pública. “A notificação destas doenças possibilita que os gestores – tanto dos estados, municípios ou do próprio Ministério – monitorem e planejem ações de prevenção de controle, avaliem tendências e impacto das intervenções, indicando riscos para a população”, explica o secretário.

A portaria atual simplifica a norma para melhorar a informação por parte dos profissionais de saúde, com definição sobre o fluxo e prazo para a notificação (semanal ou em até 24 horas) e qual autoridade de saúde deve ser notificada. A atualização da lista envolveu a participação de representantes de secretarias estaduais e municipais de Saúde.

Por Luciano Leite e Carlos Américo, da Agência Saúde – Ascom/MS

Atendimento à imprensa (61) 3315.3580 – 2005


Brasil Post

Antes que o nosso ano seja divido de vez entre antes e depois da Copa e, em seguida, antes e depois das eleições, aproveito para falar sobre uma divisão que apesar de amplamente difundida mundo afora é perigosamente equivocada. Dividir o mundo entre soropositivos e soronegativos, os portadores e os não portadores de HIV/aids, é ineficaz. Pior, dividir o mundo dessa maneira é perigoso para a sua saúde e para o controle da epidemia no mundo.

Depois que fui diagnosticado portador do HIV e aprendi bastante sobre a doença, entendi que essa divisão não explica nada sobre o risco de transmissão e sobre o impacto que receber um diagnóstico positivo para o HIV tem sobre o controle da epidemia. A verdade é que, na prática, existem três situações distintas de conhecimento da sorologia, sua ou de seu parceiro, e que impactam diretamente sobre a transmissibilidade. São elas:

A) A primeira diz respeito aqueles que têm o hábito de fazer o teste de HIV com frequência e sempre usar camisinha. Se por acaso falham em usá-la, fazem o teste de HIV pelo menos 30 dias depois da última relação sexual desprotegida, respeitando o período da chamada “janela imunológica”, que é o tempo que o organismo leva para produzir os anticorpos que sensibilizam o teste. Uma pessoa só pode ser considerada soronegativa se, cumprindo essas condições, receber resultado negativo no teste de HIV.

B) A segunda é aquela da qual faço parte, aqueles que fizeram o teste de HIV e este veio positivo. Quem passa por isso é então um soropositivo, um portador do vírus, uma pessoa que vive com o HIV. Seguindo o atual protocolo do Ministério da Saúde, quem recebe o diagnóstico positivo pode começar imediatamente seu tratamento com terapia antirretroviral, o “coquetel”, que é gratuito em todo o País. Trata-se de uma poderosa combinação de fortes medicamentos que são capazes de levar a “carga viral”, que é quantidade de vírus presente no sangue, a níveis indetectáveis pelos exames de laboratório. É o meu caso e de 76% dos que vivem com o vírus e sob tratamento no Brasil.

C) Mas há ainda um terceiro grupo, que geralmente passa despercebido pela maioria das pessoas. É o grupo daqueles que não sabem se têm ou não HIV, pois nunca fizeram ou não têm o hábito de fazer o teste. Se fazem, às vezes não respeitam a janela imunológica. Nessas condições, é impossível determinar a sorologia deste indivíduo, a quem podemos chamar de sorointerrogativo, um apelido bem apropriado pare este caso. (Há também aqueles que não fazem o teste porque morrem de medo dele ou do seu resultado, a quem eu gosto carinhosamente de apelidar de sorodesesperados!)

Esse cenário, que é real, mostra algo curioso. Os grupos das situações “A” e “B” têm algo essencial em comum: ambos cuidam da própria saúde. E a realidade, com base no conhecimento médico e científico que temos hoje, é clara: quem se cuida não transmite e não contrai HIV. E eu vou explicar o porquê.

O uso da camisinha, hábito de quem se cuida, oferece 95% de segurança se esta for utilizada corretamente. Por sua vez, a camisinha e a terapia antirretroviral combinadas oferecem segurança de 99,2%. Sim, é mais seguro fazer sexo com camisinha com um portador do vírus que sabe da sua condição e cuida da sua saúde, tomando os remédios e mantendo a carga viral indetectável, do que transar com alguém que não sabe a condição sorológica para o HIV. Num texto anterior, eu disse que o risco de contrair HIV de um portador do vírus que se cuida era o mesmo de “ser atingido por um cometa”. Peço desculpas, eu errei. Àquela altura, disse isso como força de expressão e só hoje é que eu realmente fiz as contas. A verdade é que é 3 vezes mais provável ser atingido por um meteorito do que pegar HIV através de sexo com camisinha com um portador em tratamento e com carga viral indetectável.

O mesmo não se pode dizer do grupo “C”, pois eles não cuidam da sua saúde. E quem não se cuida e não faz o teste, pode ser um portador do HIV não diagnosticado. Sem tratamento, a carga viral é possivelmente alta e, com isso, a transmissibilidade também. Existem dois momentos em que um portador sem tratamento apresenta maior carga viral e, portanto, maior risco de transmissão: no estágio final da infecção, já próximo dos primeiros sintomas da aids, e na fase inicial, logo após a entrada do vírus no organismo. Portanto, um recém-infectado que não sabe da sua condição é um potencial transmissor do vírus.

Posso parecer um parlamentar tentando defender o próprio aumento de salário — ou, no caso, a credibilidade de um discurso que tem interesse próprio –, mas a verdade é que não estou sozinho e a compreensão que eu apresento aqui é extremamente benéfica para o controle da epidemia no mundo. Em 2012, ao lado do governo da Noruega e de membros da sociedade civil de diferentes países, a Unaids propôs a Declaração de Oslo, a qual faz lembrar que:

“A epidemia de HIV é nutrida pelas infecções por HIV não diagnosticadas e não pelas pessoas que conhecem seu status positivo para o HIV.”

A declaração da Unaids é endossada pelo famoso Swiss Statement, a declaração feita em 2008 pela Comissão Nacional de Aids da Suíça, e por declarações similares feitas por autoridades médicas australianas e alemãs. Dois estudos científicos, HPTN 052 e Partner, dos quais já falei bastante aqui, vieram ao encontro destas declarações. Juntos, ambos já analisaram mais de 2 mil casais sorodiscordantes (quando apenas um dos parceiros é portador do HIV) e que não usam preservativo em todas as relações sexuais. Até o momento, não foi documentado um único caso sequer de transmissão do HIV a partir de um soropositivo que toma antirretrovirais e tem carga viral indetectável. No mês passado, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças americano (em inglês: Centers for Disease Control and Prevention — CDC) publicaram um texto sobre o risco de transmissão do HIV que usa como base o resultado destes estudos.

Com isso, espero que não reste mais nenhuma dúvida: a divisão entre soropositivos e soronegativos é ineficaz. O que existe de fato são aqueles que se cuidam e os que não se cuidam. De qual deles você quer fazer parte?

image_1393626039


A reinvenção da camisinha

Com nanopartículas, de colágeno de boi ou para serem colocados num segundo. Conheça os 11 preservativos que disputam em maio um prêmio de US$ 1 milhão e podem mudar para sempre a forma como fazemos sexo seguro

De longe, é o método mais eficaz para prevenir doenças transmitidas durante o sexo. A camisinha funciona em até 95% dos casos e ainda é a maior arma contra a propagação da Aids. Só que está longe de cair nas graças dos homens. “Cerca de 95% relutam em usá-la. Se a transformarmos em objeto do desejo, estimularíamos a adesão”, diz Stephen Ward, da Fundação Bill e Melinda Gates. É com esse objetivo que a fundação entregará em maio um prêmio de US$ 1 milhão ao vencedor de um concurso para reinventar a camisinha.

De 812 equipes inscritas, restam 11 finalistas, que já ganharam uma bolsa no valor de US$ 100 mil. Todos miram as principais reclamações sobre os preservativos: são difíceis de colocar, reduzem o prazer sexual ou podem provocar perda de ereção. Por trás dessas justificativas (ou desculpas), apenas 43% dos brasileiros declaram ter o hábito de usar camisinha, por exemplo. Para mudar esse cenário, cientistas propõem preservativos ultrarresistentes, com tamanho único, que podem ser colocados em apenas um segundo e com substâncias que imitam as mucosas. Entenda a seguir quais são as estratégias dos finalistas.

Continue lendo



Tirando o Atraso com a Pesquisa da Cura e Patogênese na CROI 2014

Por Richard Jefferys do Treatment Action Group

Além dos estudos mencionados em posts anteriores (um possível segundo caso de cura pediátrica, a terapia genética da Sangamo e as limitações dos agentes de reversão de latência), a CROI 2014 contou com uma miscelânea de apresentações relacionadas à patogênese e pesquisa da cura. Webcasts de todas as sessões da conferência estão on-line, e muitos documentos já estão disponíveis em formato PDF. Breves resumos de alguns estudos notáveis ​​são anexados abaixo, com links para webcasts e documentos, sempre que possível. Resumos dos documentos que não estão disponíveis em formato PDF podem ser encontrados no livro da conferência.

Continue reading

Brasil Post

Foi publicada no Diário Oficial a Lei nº 12.984, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, que torna crime em todo o País a discriminação dos portadores de HIV e doentes de aids. A partir de agora, é crime punível com reclusão de até quatro anos e multa as seguintes condutas discriminatórias contra as pessoas que vivem com HIV/aids em razão da sua condição de portador ou de doente:

I – recusar, procrastinar, cancelar ou segregar a inscrição ou impedir que permaneça como aluno em creche ou estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado;

II – negar emprego ou trabalho;

III – exonerar ou demitir de seu cargo ou emprego;

IV – segregar no ambiente de trabalho ou escolar;

V – divulgar a condição do portador do HIV ou de doente de aids, com intuito de ofender-lhe a dignidade;

VI – recusar ou retardar atendimento de saúde.

A nova lei federal vem ao encontro da Resolução nº 1.665, de 7 de maio 2003, do Conselho Federal de Medicina, e da Lei Estadual de São Paulo nº 11.199, de 12 de julho de 2002, sancionada pelo governador Geraldo Alckmin. No Estado de São Paulo, já entendia-se ser discriminação:

I – solicitar exames para a detecção do vírus HIV ou da AIDS para inscrição em concurso ou seleção para ingresso no serviço público ou privado;

II – segregar os portadores do vírus HIV ou às pessoas com AIDS no ambiente de trabalho;

III – divulgar, por quaisquer meios, informações ou boatos que degradem a imagem social do portador do vírus HIV ou de pessoas com AIDS, sua família, grupo étnico ou social a que pertença;

IV – impedir o ingresso ou a permanência no serviço público ou privado de suspeito ou confirmado portador do vírus HIV ou pessoa com AIDS, em razão desta condição;

V – impedir a permanência do portador do vírus HIV no local de trabalho, por este motivo;

VI – recusar ou retardar o atendimento, a realização de exames ou qualquer procedimento médico ao portador do vírus HIV ou pessoa com AIDS, em razão desta condição;

VII – obrigar de forma explícita ou implícita os portadores do vírus HIV ou pessoa com AIDS a informar sobre a sua condição a funcionários hierarquicamente superiores.

Foi com o amparo da lei paulista que, em 2013, o Banco Itaú Unibanco foi multado em R$ 193 mil por ter negado financiamento imobiliário a um homem que vive com HIV. As denúncias de discriminação no Estado de São Paulo são acolhidas pelo portal da Ouvidoria da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania.

image_1393626039

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 12.984, DE 2 JUNHO DE 2014.

Define o crime de discriminação dos portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV) e doentes de aids.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o  Constitui crime punível com reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, as seguintes condutas discriminatórias contra o portador do HIV e o doente de aids, em razão da sua condição de portador ou de doente:

I – recusar, procrastinar, cancelar ou segregar a inscrição ou impedir que permaneça como aluno em creche ou estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado;

II – negar emprego ou trabalho;

III – exonerar ou demitir de seu cargo ou emprego;

IV – segregar no ambiente de trabalho ou escolar;

V – divulgar a condição do portador do HIV ou de doente de aids, com intuito de ofender-lhe a dignidade;

VI – recusar ou retardar atendimento de saúde.

Art. 2o  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 2 de junho de 2014; 193o da Independência e 126o da República.

DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardozo
Arthur Chioro
Ideli Salvatti

jornal1

Wikipedia não é fonte confiável sobre informações médicas, segundo estudo

The Huffington Post  |  De Taylor Casti

A enciclopédia online que pode ser editada por experts ou idiotas é uma fonte fácil de informação quando se está procurando saber qualquer coisa sobre um assunto novo. Mas um novo estudo comprova o que (espera-se) todos saibam: muitas páginas da Wikipedia contém informação falsa, especialmente as páginas médicas.

Dr. Robert Hasty, da Universidade Campbell, na Carolina do Norte, publicou em conjunto com uma equipe de pesquisadores um estudo na edição deste mês do Jornal da Associação Osteopática Americana. O estudo traz mais de 20 mil páginas médicas com informação equivocada da Wikipedia para o centro do debate. [Continue lendo.]

jornal2