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Anticorpos amplamente neutralizantes no caminho para vacina


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Um pequeno número de pessoas infectadas com o HIV produzem anticorpos com um efeito surpreendente: não são apenas anticorpos dirigidos contra a própria cepa do vírus, mas também contra diferentes subtipos de HIV que circulam em todo o mundo. Pesquisadores da Universidade de Zurique e do Hospital Universitário de Zurique agora revelam quais fatores são responsáveis para que o corpo humano produza tais anticorpos amplamente neutralizantes, abrindo novos caminhos para o desenvolvimento de uma vacina contra o HIV.

A partir das pesquisas já feitas sobre o HIV, sabemos que cerca de um 1% das pessoas infectadas produzem estes anticorpos que combatem diferentes cepas do vírus. Estes anticorpos amplamente neutralizantes (bNAbs) contra o HIV ligam-se às estruturas na superfície do vírus, as quais variam pouco e são idênticas dentre as diferentes cepas virais. Apelidado de “picos”, estes complexos de açúcar e proteína são as únicas estruturas de superfície que se originam a partir do vírus e que podem ser atacadas pelo sistema imunológico por meio de anticorpos. Devido ao seu alto impacto, estes anticorpos constituem uma ferramenta promissora para o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o HIV.

 

Carga viral, a diversidade de vírus e a duração da infecção incentivam a produção de anticorpos

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Uma equipe suíça de pesquisadores liderados pela Universidade de Zurique e pelo Hospital Universitário de Zurique realizou um extenso estudo sobre os fatores responsáveis pela produção de anticorpos amplamente neutralizantes contra o HIV. Eles examinaram cerca de 4.500 pessoas infectadas com o HIV que estão registradas no Swiss Cohort Study e no Zurich Primary HIV Infection Study e identificaram 239 pessoas capazes de produzir esses anticorpos.

Em primeiro lugar, três características específicas da doença são importantes: a quantidade de vírus presente no corpo, a diversidade dos tipos de vírus encontrados e a duração da infecção por HIV não tratada. “Nosso estudo nos permitiu mostrar pela primeira vez que cada um destes três parâmetros — carga viral, a diversidade de vírus e duração da infecção — influencia de maneira independente no desenvolvimento de anticorpos amplamente neutralizantes”, explica Huldrych Gunthard, professor de doenças infecciosas no Hospital Universitário de Zurique. “Portanto, nós não temos necessariamente que considerar todos os três parâmetros para a concepção de uma vacina contra o HIV. Isto é especialmente importante no que diz respeito à administração da vacina — não seria possível imitar uma infecção não tratada de HIV com uma vacina.”

 

Negros produzem anticorpos amplamente neutralizantes com mais frequência

Um segundo fator diz respeito à etnia: pacientes negros que vivem com HIV formam anticorpos amplamente neutralizantes mais frequentemente do que as pessoas brancas — independentemente dos outros fatores analisados no estudo. Para Alexandra Trkola, professora de virologia médica no Hospital Universitário de Zurique, esta surpreendente descoberta precisa ser estudada mais de perto: “Primeiro de tudo, precisamos entender mais precisamente o significado e o impacto dos fatores genéticos, geográficos e sócio-econômicos de pessoas de diferentes etnias sobre a formação destes anticorpos.”

 

Diferentes subtipos de vírus influenciam o local de ligação dos anticorpos

O terceiro fator envolve a influência do subtipo de vírus na formação de anticorpos. Enquanto a frequência da produção de anticorpos permanece inalterada, os pesquisadores mostraram que o subtipo de vírus tem uma forte influência sobre o tipo de anticorpo formado. O subtipo B do HIV é mais susceptível de levar à produção de anticorpos dirigidos contra a região da superfície do vírus, através do qual o vírus se liga às células imunitárias humanas (o local de ligação é chamado de CD4). Em contraste, o subtipo B não favorece à produção de anticorpos que se ligam ao açúcar dos picos de vírus (chamados de V2). Características estruturais específicas sobre a superfície do vírus afetam, assim, a especificidade da ligação dos anticorpos, de acordo com o subtipo de vírus.

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“Nossos resultados mostram como diferentes fatores impulsionam a formação de anticorpos que, grosso modo, combatem diferentes cepas virais”, conclui Trkola. “Isso vai abrir um caminho sistemático para o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o HIV.”

 

Swiss HIV Cohort Study

O Swiss HIV Cohort Study, lançado em 1988, contém dados de mais de 19.000 pessoas infectadas com HIV na Suíça. A rede inclui os cinco hospitais universitários suíços, dois hospitais maiores cantonais, hospitais menores e vários médicos particulares que tratam de pacientes com HIV. O Swiss HIV Cohort Study também tem um banco biológico com mais de 1,5 milhões de amostras.

Atualmente, mais de 9.000 pessoas são tratadas dentro do Swiss HIV Cohort Study — o que representa cerca de 75% de todas as pessoas tratadas com terapia antirretroviral na Suíça. Além de tratamento de alta qualidade, o objetivo do Swiss HIV Cohort Study é a realização de pesquisas multidisciplinares integradas, tanto no setor básico como no clínico. O Swiss HIV Cohort Study é predominantemente financiado pela Swiss National Science Foundation.

Em 26 de setembro de 2016 por MedicalXpress

Mais informações: Peter Rusert et al. Determinants of HIV-1 broadly neutralizing antibody induction, Nature Medicine (2016). DOI: 10.1038/nm.4187. Referência: Nature MedicineFonte: University of Zurich

Abivax avança com novos medicamentos


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Abivax, uma empresa de biotecnologia que quer usar o sistema imunológico para eliminar doenças virais, concluiu um segundo marco importante em seu projeto estratégico de inovação, chamado CaReNa.

Iniciado em 2013, este projeto colaborativo, liderado pela Abivax e com a participação de CNRS e Theradiag, pretende desenvolver novas soluções terapêuticas e de diagnóstico que visam combater as interações proteicas com o RNA do HIV. O custo total do projeto é de 18,2 milhões de Euros, dos quais 13,6 milhões serão aportados pela Abivax. O projeto tem a ajuda da Bpifrance com empréstimos reembolsáveis e subsídios, no total de 7,3 milhões de Euros, dos quais 5,2 milhões são usados em operações da Abivax. Até agora, a empresa recebeu 3,4 milhões e 1,8 milhão devem ser aportados até o final de 2018.

A conclusão deste segundo marco no CaReNa é a consequência dos progressos alcançados no desenvolvimento do projeto emblemático da companhia, a ABX464, um candidato terapêutico em estágio de estudo clínico que pode vir a se tornar uma parte essencial na cura funcional do HIV/aids.

A Abivax desenvolveu a ABX464 usando sua plataforma tecnológica antiviral única e patenteada, criada em colaboração com o CNRS e do Instituto Curie, dedicada a produzir pequenas moléculas antivirais com um novo modo de ação. A plataforma é baseada em sistemas de rastreamento biológico, construída para que possamos compreender os processos envolvidos nas emendas do RNA viral dentro das células hospedeiras humanas, as quais podem revelar a capacidade de compostos químicos desenvolvidos pela da Abivax para inibir as interações entre RNA e proteína.

A ABX464 é uma pequena molécula pioneira e com propriedades únicas de ação. Ela não apenas demonstrou ser capaz de inibir a replicação virai in vitro e in vivo, como também em induzir uma redução de longa duração da carga viral do HIV, após a interrupção do tratamento, em modelos animais. Como resultado, os cientistas acreditam que esta molécula pode ser a primeira de uma nova classe de medicamentos antirretrovirais, os quais podem vir a conduzir a uma cura funcional para pacientes com HIV.

A ABX464 está atualmente em estudos clínicos de fase intermediária e pode ser aprovado para uso em pacientes já em 2020. Em 2014, dois estudos de Fase I realizados em indivíduos saudáveis demonstrou que o produto foi bem tolerado nas doses terapêuticas previstas. Em 2015, um estudo de fase IIa em 80 pacientes infectados com o HIV mostraram a primeira evidência da atividade da ABX464 em seres humanos. Os dados deste estudo de escalonamento de dose, controlado por placebo, apresentados em fevereiro 2016 durante a CROI (Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas), em Boston, e em julho 2016 durante a 21ª Conferência de Aids, em Durban, África do Sul, demonstraram a segurança e eficácia da ABX464 em monoterapia no tratamento de pacientes infectados com o HIV não tratados previamente. Uma redução da carga viral de pelo menos 0,5 log (mais do que 68% de redução) foi observada em 1 paciente entre 6 sob 75mg, 2 pacientes de 6 no grupo de 100mg e 4 pacientes de 6 sob 150mg. Não houve variação significativa na carga viral nos 6 pacientes que receberam placebo. Os efeitos indesejáveis observados foram aqueles normalmente observados no contexto de tratamentos antivirais.

Para demonstrar o efeito de longa duração em pacientes com HIV, um segundo estudo de Fase IIa foi iniciado na Espanha, França e Bélgica. Conhecido como ABX464-004, este estudo foi concebido para demonstrar o efeito a longo prazo da ABX464 que havia sido observada anteriormente, durante os estudos pré-clínicos, sobre a carga viral. O novo estudo pretende recrutar 28 pacientes que vivem com HIV, cuja infecção está bem controlada com Darunavir, um dos medicamentos referência tratamentos antirretrovirais contra a aids. ABX464 está sendo administrada em 21 destes pacientes em adição ao seu tratamento antirretroviral normal. Os 7 pacientes restantes recebem placebo em adição ao seu antirretroviral. Após 28 dias, todos os tratamentos são interrompidos e o estudo, em seguida, mede o tempo até o reaparecimento do vírus no sangue destes pacientes. O principal critério de eficácia do estudo é o momento de rebote da carga viral. Este rebote tem sido estudado e demonstrado que provêm dos “reservatórios de HIV”, as áreas em que o vírus está escondido no corpo e que não é afetada pelos diferentes tipos de antirretrovirais atuais. Os resultados preliminares deste estudo estarão disponíveis antes do final de 2016.

“A validação que recebemos da Bpifrance para a conclusão deste segunda importante etapa do CaReNa representa um reconhecimento dos avanços alcançados no desenvolvimento da ABX464 e traz um financiamento adicional para avançar em nossas metas futuras”, disse o Dr. Hartmut Ehrlich, professor e CEO da Abivax. Somos gratos a Bpifrance, que tem apoiado o projeto desde o início e continua a nos trazer recursos importantes para este programa de desenvolvimento e expansão da nossa plataforma de tecnologia antiviral.”

 

Sobre a Abivax:

A Abivax é uma empresa inovadora de biotecnologia, focada em estimular o sistema imunológico para eliminar doenças virais. a Abivax utiliza três plataformas tecnológicas para o desenvolvimento de medicamentos: antiviral, adjuvante e uma plataforma de hiper-imunes. O ABX464, seu composto mais avançado, está atualmente na fase II de estudos clínicos e é uma pequena molécula antiviral oral pioneira em bloquear a replicação do HIV através de um único mecanismo de ação. Além disso, a Abivax está avançando em estudos pré-clínicos contra outros alvos virais, coom chikungunya, ebola e dengue, bem como um adjuvante (um intensificador imune). Vários desses compostos estão previstos para entrar desenvolvimento clínico dentro dos próximos 12 a 18 meses.

Em 13 de setembro de 2016 por BusinessWire

 

Eleitores de Trump acham que Hillary tem aids

O canal americano Comedy Central foi falar com alguns eleitores de Trump pra aprender um pouco com eles.

Anvisa proíbe publicidade de mutamba para cura da aids


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A Anvisa proibiu, nesta sexta-feira (26/08), a divulgação irregular do produto feito a partir da planta mutamba e que estaria alegando a cura do HIV/aids.

O produto “Mutamba contra a Aids” não tem registro na Agência e é, portanto, um produto clandestino, de origem e composição desconhecidas. A medida é preventiva, pois, apesar das denúncias, não foram encontrados indícios da comercialização da “cura da aids”. A resolução RE 2.290/16, portanto, proíbe a publicidade do produto em todo o território nacional a partir da data de publicação no Diário Oficial da União.

 

Denuncie promessas falsas

mutamba

O produto feito à base da planta mutamba não apresenta ensaios clínicos que comprovem suas características medicinais e, dessa forma, não possui registro na Agência. Os produtos irregulares, isto é, produtos que estejam fora das exigências da Agência, não oferecem garantias de eficácia, segurança e qualidade, que são necessárias para saber se um produto funciona e é seguro.

Produtos e medicamentos irregulares ou falsificados podem não fazer efeito, prejudicar tratamentos médicos ou, em casos mais graves, comprometer a saúde de quem o consumir. Antes de comprar ou divulgar produtos de origem suspeita ou não registrados, entre em contato com a Anvisa através do canal (0800-642-9782). Você também pode fazer uma denúncia pela Ouvidoria da Anvisa.

Em 26 de agosto de 2016 pela Ascom/Anvisa

Quase soronegativos

Nós não morremos mais de aids. Nós não vamos viver menos que uma pessoa que não tem HIV. Com tratamento antirretroviral e carga viral indetectável, nós não transmitimos o HIV através de relação sexual. Temos o código genético do vírus integrado em algumas células, mas provavelmente seremos a geração de soropositivos que vai experimentar a cura.

É verdade, muitas pessoas com HIV ainda morrem por conta de complicações decorrentes da aids, porém, a maioria delas são aquelas que não tem acesso ao tratamento antirretroviral, infelizmente, como ainda é o caso de muitas regiões na África, por exemplo, ou aquelas que foram diagnosticados tarde, já no hospital, com algum doença oportunista relacionada à aids.

Por hora, também é verdade que ainda vivemos um pouco menos que as pessoas que não têm HIV. Uma pessoa soropositiva e que alcançou 50 anos de idade entre os anos de 2006 a 2014 tem uma expectativa de vida de 72,5 anos, enquanto uma pessoa soronegativa pode esperar viver até os 80,2 anos. Todavia, uma pessoa soropositiva que fez 50 anos de idade entre 1996, o ano em que a terapia antirretroviral combinada de três medicamentos foi implementada, a 1999 poderia esperar viver somente até aos 67,8 anos. Para olhar para o futuro, colocamos esses números num gráfico e assim podemos presumir, sem exageros, que a atual geração de jovens soropositivos não vai viver menos que soronegativos.

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Sobrevida, em anos, entre as pessoas de 50 anos de idade com e sem HIV.

O mesmo vale para a incidência de cânceres, relacionados e não-relacionados à aids, que ainda têm uma taxa mais elevada entre as pessoas que vivem com HIV do que entre as pessoas soronegativas. Uma das possíveis razões para essa taxa mais elevada é a inflamação crônica, um assunto pontual ainda não totalmente compreendido pelos médicos e cientistas, a qual é um pouco maior em soropositivos e que, a longo prazo, acredita-se, pode trazer complicações ligadas à uma série de doenças, incluindo cardiovasculares, autoimunes, doenças hepáticas, renais e câncer.

Ainda assim, os gráficos já mostram, nos dias de hoje, um declínio das taxas de câncer entre soropositivos. Projetando para o futuro, não é exagerado concluir que em breve teremos a mesma taxa de incidência de cânceres que os soronegativos.

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Neste gráfico, a linha azul mostra a incidência de cânceres não relacionados com aids, enquanto a linha verde mostra a incidência de tipos de câncer relacionados à aids, ao longo do tempo.

As pessoas com HIV que serviram como referência para os gráficos acima são aquelas que passaram pelo começo da epidemia de HIV/aids, quando não havia tratamento e, quando este surgiu, ainda era muito agressivo, tóxico e, muitas vezes, não tão eficaz.

Aliás, de tão agressivos e ineficazes, os primeiros tratamentos antirretrovirais não foram capazes de salvar a vida da pequena Kat Schurmann, filha adotiva do casal Schurmann, cuja história está no filme brasileiro Pequeno Segredo, que concorre agora por uma indicação ao Oscar 2017 de filme estrangeiro. Kat nasceu em 1992, antes do surgimento da terapia antirretroviral, infectada com o HIV por transmissão vertical, nome que se dá à transmissão do HIV durante a gravidez, parto ou amamentação de uma mãe soropositiva. Ela faleceu em 29 de maio de 2006, aos 13 anos de idade, devido à complicações decorrentes do HIV.

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Hoje, para viver quase como soronegativos, ainda precisamos dos antirretrovirais. São o mesmo tipo de medicamentos que aqueles implementados em 1996, embora, atualmente, eles sejam mais modernos, mais simples de ingerir e menos tóxicos — por isso, com menos efeitos colaterais, incluindo ausência de lipodistrofia, uma condição comum decorrente dos primeiros coquetéis de antirretrovirais, que faz com que a gordura corporal seja realocada pelo organismo de maneira desproporcional.

Hoje, para controlar o HIV precisamos somente de um comprimido por dia, o qual é composto por três medicamentos diferentes, que inibem os processos que o vírus usa para se replicar dentro do organismo. Em breve, esse único comprimido deve passar a conter apenas dois ou, quem sabe, um único medicamento antirretroviral, o que deve reduzir ainda mais a toxicidade destes medicamentos e, muito possivelmente, melhorar ainda mais os indicadores que falamos acima.

Os antirretrovirais atuais são muito mais avançados que aqueles a que Kat Schurmann teve acesso. Com eles, não é difícil manter o vírus no sangue em quantidade tão baixa que é indetectável, mesmo pelos exames mais precisos de laboratório. No Brasil, de acordo com o último Boletim Epidemiológico, aproximadamente 88% das pessoas que vivem com HIV e que fazem tratamento antirretroviral no país têm carga viral indetectável.

Sob tratamento antirretroviral e com o vírus indetectável no sangue, também não há vírus detectável no fluído pré-ejaculatório e há em baixa quantidade no sêmen. Isso provavelmente é o que faz com que, desde o começo da epidemia, nunca tenha sido observada uma única transmissão sequer a partir de pessoas que vivem com HIV, fazem tratamento antirretroviral e têm carga viral do HIV indetectável no sangue, muito embora já tenham sido feitos longos e extensos estudos entre milhares de casais sorodiscordantes (quando só um dos parceiros é positivo para o HIV) que optam por não fazer uso do preservativo. No último destes estudos, o Partner, foram acompanhados 1.166 casais sorodiscordantes, vários deles homossexuais, em 75 centros clínicos espalhados por 14 países europeus e, assim como nos estudos similares anteriores, não foi documentada uma única transmissão do HIV a partir de quem faz tratamento antirretroviral e tem carga viral indetectável. Zero transmissão.

Essa realidade faz com que a concepção natural, sem inseminação artificial, sem camisinha, já seja uma opção para casais sorodiscordantes que planejam ter filhos. Portanto, no sexo, soropositivos em tratamento e com carga viral indetectável já são como soronegativos. “Derrubou a carga viral, não tem como transmitir o HIV. Esse hoje é o mecanismo mais poderoso de prevenção que existe”, explicou Fábio Mesquita, ex-diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, durante o X Curso Avançado de Patogênse do HIV, que aconteceu na Faculdade de Medicina da USP, em 2015. “É mais poderoso que a camisinha.”

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Por conta desta eficácia do tratamento como prevenção na transmissão do HIV, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, o Unaids, estabeleceu uma meta, que determina que “90% de todas as pessoas vivendo com HIV conheçam seu status; que 90% das pessoas diagnosticadas recebam terapia antirretroviral; e que 90% das pessoas recebendo tratamento possuam carga viral suprimida e não mais possam transmitir o vírus”.

A Suécia foi o primeiro país a alcançar essa meta. Se ela for alcançada por mais países, a epidemia de HIV/aids será virtualmente controlada até 2030, com apenas 200 mil infecções por ano, ante as 2,1 milhões de novas infecções em 2015. Restarão com HIV no mundo as atuais 36,7 milhões de pessoas soropositivas, aproximadamente, dentre as quais eu estou incluído.

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Em 2030, qual será a diferença entre soropositivos e soronegativos? Se os gráficos acima estiverem certos, muito pouco: continuaremos a não morrer de aids, teremos uma expectativa de vida igual a de soronegativos e, ao invés de um comprimido por dia composto por três medicamentos, provavelmente teremos uma única pílula composta por um único antirretroviral — quem sabe, administrável em doses mais espaçadas que a atual dose diária. Para ser aprovado pelas autoridades de saúde, esse tratamento terá de continuar a manter a nossa carga viral indetectável e, por isso, continuaremos incapazes de transmitir o HIV.

Até lá, esperamos que viajantes com HIV não sejam mais deportados ou impedidos de entrar em alguns países, como ainda acontece hoje. Esperamos que mulheres com HIV na Rússia não sejam mais presas por não revelar sua condição sorológica aos seus parceiros e que elas não sejam mais esterilizadas à força em Uganda, tal como tem acontecido enquanto você lê esse texto. Esperamos que não hajam mais leis criminalizantes, que ainda hoje punem desproporcionalmente aqueles que vivem com HIV — como em alguns estados americanos, por exemplo, que já chegaram à condenar soropositivos que cuspiram ou morderam outras pessoas a 35 anos de prisão, e nos Emirados Árabes, onde um soropositivo está preso há mais de 10 anos por ter HIV.

Enfim, esperamos, tal como a meta proposta pelo Unaids, que nos próximos anos não haja mais estigma, discriminação e preconceito contra quem vive com HIV. Nesse cenário, o que é que restará de diferente?

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“Carregamos cerca de 100.000 pedaços de DNA que vieram de retrovírus, conhecidos como retrovírus endógenos. No total, eles compõe estimados 5 a 8% de todo o genoma humano”, explica uma matéria da National Geographic, de 2015, que teve a colaboração de Carl Zimmer, autor do livro A Planet of Viruses.

“Os cientistas sabem que esta fusão aconteceu porque os vírus têm genes distintos. Quando os cientistas vasculham o genoma humano, às vezes se deparam com um trecho de DNA que carrega marcas de um vírus. O tipo mais fácil de vírus de reconhecer são os retrovírus, um grupo que inclui o HIV. Retrovírus fazem cópias de si mesmos infectando as células e, em seguida, usando uma enzima para inserir seus genes no DNA da célula hospedeira. Em seguida, a célula lê o DNA inserido e faz novas moléculas que se montam em novos vírus.

“Na maioria das vezes, os retrovírus se comportam como outros vírus, saltando de um hospedeiro para outro. Mas, por vezes, um retrovírus vai parar no genoma de um óvulo ou do esperma. Se, em seguida, ele terminar em um novo embrião, então o embrião vai levar uma cópia do vírus em cada uma de suas células, incluindo o seu próprio óvulo ou esperma. E assim por diante, de pais para filhos, aos netos.

“Não há como ter certeza de que estamos livres de novos retrovírus endógenos e se o HIV ou outros novos retrovírus irão dar um jeito e integrar nossos nossos genes” — se isso acontecer, bem, então os soronegativos é que vão ficar mais parecidos com soropositivos.

Aids e Câncer em São Paulo: magnitude e transcendência

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A Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP convida para a Jornada Aids e Câncer no município de São Paulo: magnitude e transcendência“, realizado pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, pelo Registro de Câncer de Base Populacional de São Paulo – RCBP-SP, pelo Sistema Único de Saúde – SUS, pelo Programa Municipal de DST-AIDS da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Município de São Paulo e pela Prefeitrua do Município de São Paulo.

Data: 29/09/2016 Local: FSP/USP – Av. Dr. Arnaldo, 715 – Auditório João Yunes – Cerqueira – Capital, SP. Inscrições gratuitas até 27/09 às 14:00h. Vagas limitadas.

Expectativa de vida de soropositivos com mais de 50 anos duplica


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A sobrevida estimada a partir dos 50 anos entre as pessoas que vivem com HIV na Dinamarca quase duplicou, passando de 11,8 anos, entre 1996 a 1999, para 22,8 anos, entre 2006 a 2014. Porém, a sobrevida estimada das pessoas soropositivas ainda é menor do que pessoas da mesma idade e sexo na população da Dinamarca.

A expectativa de vida com o HIV tem aumentado dramaticamente nos últimos anos, como as pessoas tomando combinações antirretrovirais mais fortes, mais seguras e mais convenientes. Alguns estudos sugerem que as pessoas com HIV estão vivendo quase tanto tempo quanto as pessoas sem HIV. Contudo, a análise da sobrevida projetada é complicada e nem todos os estudos constataram que as pessoas com HIV têm a mesma expectativa de vida que soronegativos. Por exemplo, um estudo da Califórnia descobriu que a diferença entre a expectativa de vida de 24.768 pessoas com HIV e 257.600 sem HIV caiu de 44 anos, entre 1996 a 1997, para apenas 12 anos, em 2011. Essa diferença persistiu mesmo em pessoas soropositivas relativamente saudáveis, que começaram terapia antirretroviral com uma contagem de CD4 acima de 500.

Por causa do aumento da sobrevida com HIV, pessoas com 50 anos ou mais representam uma proporção crescente de grupos de pessoas com HIV. E ainda pouco se sabe sobre a expectativa de vida com o HIV em pessoas com 50 anos ou mais. Para abordar esta questão, pesquisadores na Dinamarca realizaram um estudo de âmbito nacional de pessoas soropositivas pareadas por idade e sexo, comparando com pessoas sem HIV.

 

Como funcionou o estudo:

Todos que estão em tratamento contra a infecção pelo HIV na Dinamarca vão para algum dos oito centros de HIV, onde os cuidados de saúde, incluindo a terapia antirretroviral, são gratuitos. Desde janeiro de 1995, a Dinamarca mantém registros médicos eletrônicos de todas essas pessoas, incluindo dados sobre o tratamento antirretroviral, a contagem de CD4 e carga viral. Outros registros no país incluem dados atualizado regularmente sobre todos os residentes dinamarqueses que foram internados em algum hospital na Dinamarca, além de dados sobre mortes, emigração e imigração.

Este estudo avaliou as pessoas infectadas pelo HIV que atingiram a idade de 50 anos entre janeiro de 1996 e maio de 2014 e viveram durante pelo menos um ano depois de testar positivo para o HIV. Os pesquisadores compararam cada pessoa soropositiva à 6 pessoas da mesma idade e sexo na população comum. A equipe de pesquisa também identificou um grupo de pessoas soropositivas “bem tratadas” entre 2006 e 2014, que tinham tomado a terapia antirretroviral durante pelo menos 1 ano, tinham carga viral abaixo de 500 cópias e uma contagem de CD4 igual ou superior a 350 depois de tomar antirretrovirais durante 1 ano e, também, que não tinham sido diagnosticadas com qualquer doença relacionada à aids ou doença grave não-relacionada à aids. Os pesquisadores compararam cada uma dessas pessoas bem-tratadas com HIV à 6 pessoas na população comum que não tinham infecção pelo HIV ou qualquer outra doença grave.

A equipe de pesquisa usou os registros nacionais para determinar o tempo de 50 anos de idade e morte por qualquer causa, data de saída Dinamarca e data da última visita médica registrada para pessoas com HIV. Eles utilizaram um método estatístico padrão para determinar a sobrevivência de pessoas que entraram no grupo de estudo em três períodos: 1996-1999, 2000-2005 e 2006-2014. Esta análise deu aos pesquisadores uma taxa de mortalidade por todas as causas. Os pesquisadores também calcularam a razão da taxa de mortalidade comparando a mortalidade no grupo de pessoas HIV ao grupo da população em geral.

 

O que o estudo descobriu:

O estudo identificou 2.440 pessoas soropositivas de 50 anos de idade ou mais e 14.588 pessoas na população em geral combinadas com o grupo com HIV por idade e sexo. No grupo com HIV, 530 pessoas (21,7%) morreram durante o período do estudo, em comparação com 1.388 pessoas (9,5%) na população em geral.

Entre as pessoas com HIV, a média de sobrevivência estimada a partir de 50 anos de idade aumentou de 11,8 anos em 1996-1999 para 17,8 anos no período 2000-2005 e para 22,5 anos em 2006-2014. Para o grupo de comparação da população em geral, a sobrevida mediana de 50 anos de idade foi de 30,2 anos ao longo de todo o período do estudo. Em outras palavras: uma pessoa soropositiva de 50 anos de idade em 1996-1999 poderia esperar viver até aos 67,8 anos, enquanto uma pessoa soropositiva de 50 anos de idade em 2006-2014 poderia esperar viver até os 72,5 anos. Contudo, o grupo com HIV e 50 anos de idade em 2006-2014 não alcançou a população em geral, que poderia esperar viver até aos 80,2 anos.

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Para todo o período do estudo, 1996-2014, os pesquisadores compararam a chance de morte por qualquer causa relacionado ao HIV contra causas não relacionados ao HIV em grupos etários agrupados por 5 anos, expressando a razão da taxa de mortalidade. Em comparação com pessoas compatíveis na população em geral, as pessoas de 50 a 55 anos de idade com HIV tiveram 3,8 vezes mais chance de morte durante todo o período do estudo. A maior chance de morte com o HIV cresceu menos nos grupos etários mais velhos. Contudo, o grupo de 75 a 80 anos de idade com HIV ainda tinham 1,6 vezes mais chance de morte do que as pessoas compatíveis na população em geral. A razão da taxa de mortalidade, comparando as taxas de mortalidade em pessoas com e sem HIV foram mais elevadas em 1996-1999 e caíram em todas as faixas etárias em 2000-2005 e 2006-2014.

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Em seguida, os pesquisadores se concentraram nas 517 pessoas com HIV “bem tratadas”, que não tinham sido diagnosticadas com uma doença relacionada à aids e não tinham qualquer doença grave não-relacionada à aids um ano depois de começar a terapia antirretroviral. Os pesquisadores combinaram as 3.192 pessoas na população em geral que não têm uma doença grave por idade e sexo.

A sobrevida média estimada a partir de 50 anos de idade no grupo com HIV foi de 25,6, em comparação com 34,2 anos no grupo de comparação da população em geral. Em outras palavras: pessoas com 50 anos de idade e relativamente saudáveis com HIV poderiam esperar viver até aos 75,6 anos, em comparação com 84,2 anos na população em geral. Comparando as taxas de mortalidade em pessoas soropositivas com a população em geral, a taxa de mortalidade de 1,7 significa que as pessoas de 50 anos de idade relativamente saudáveis com HIV tiveram uma taxa de mortalidade 70% maior.

 

O que estes resultados significam para você:

Este estudo nacional da Dinamarca descobriu que pessoas de 50 anos de idade com HIV podem esperar viver mais tempo se completaram 50 anos em 2006-2014 do que aqueles que completaram 50 anos de idade em 2000-2005 — e muito mais do que aqueles que completaram 50 anos de idade em 1996-1999. Pessoas soropositivas de 50 de idade e mais velhas que evitaram aids e doença graves não-relacionadas à aids por conta da terapia antirretroviral podem esperar viver ainda mais tempo.

Ainda assim, os grupos com HIV ainda não alcançaram a expectativa de vida de pessoas na população em geral na Dinamarca, na mesma idade e sexo. A recente comparação de 24.768 pessoas soropositivas na Califórnia e 257.600 pessoas sem HIV descobriram resultados semelhantes.

Grandes estudos como estes mostram que as recentes melhorias na terapia antirretroviral e cuidados de saúde para o HIV estão ajudando as pessoas soropositivas a viver muito mais tempo com a infecção. Contudo, as pessoas soropositivas ainda enfrentam mais desafios de saúde do que as pessoas sem HIV. Estes desafios incluem taxas mais elevadas de algumas doenças graves, como doenças cardíacas, câncer, diabetes e doença renal ou hepática. Pessoas soropositivas devem trabalhar com seus médicos para cuidar de doenças não-relacionadas à aids que podem representar alguma ameaça específica e tomar medidas para reduzir as chances de contrair essas doenças. Soropositivos que já têm uma doenças não-relacionadas à aids podem tomar medidas para controlá-las.

A coisa mais importante que você pode fazer para viver mais tempo mesmo com o HIV é tomar todos os seus antirretrovirais regularmente, exatamente como seu prescrito pelo médico. Se você tem dificuldade para tomar as pílulas regularmente, fale com o seu médico a respeito de encontrar maneiras de melhorar a ingestão do comprimido. Às vezes, pode ser possível mudar para uma combinação antirretroviral na qual se sente mais confortável de tomar.

Cuidar bem da sua saúde geral é importante para todas as pessoas com HIV, mais especialmente para pessoas com 50 anos de idade ou mais. Muitas doenças graves tornam-se mais frequentes à medida que uma pessoa envelhece, tenha esta pessoa HIV ou não. Este estudo concluiu que pessoas com 50 anos ou mais que controlam a sua infecção pelo HIV e evitam a aids e doenças graves não-relacionadas à aids podem esperar viver mais tempo do que as pessoas que adquirem essas doenças.

Por The Center for Aids Information & Advocacy para The Body Pro em setembro de 2016

Filme brasileiro no Oscar conta história de filha adotiva com HIV


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Pequeno Segredo será o representante brasileiro na disputa por uma indicação ao Oscar 2017 de filme estrangeiro. Dirigido por David Schurmann e inédito nos cinemas brasileiros, o longa desbancou Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, que era favorito à vaga. De acordo com Bruno Barreto, presidente da comissão de eleição, os votantes optaram por escolher “um filme que dialogasse mais com os critérios da Academia”.

Schurmann é integrante da família que foi a primeira tripulação brasileira a dar a volta ao mundo em um veleiro, e Pequeno Segredo conta a história de Kat, a menina portadora de HIV adotada pela família em uma de suas viagens. Julia Lemmertz, Mariana Goulart, Maria Flor, Marcelo Antony e Mariana Goulart. integram o elenco.

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Em sua página no Facebook, o diretor agradeceu a indicação: “Obrigado a todos os que acreditam nesse filme. Meu profundo respeito a todos os maravilhosos filmes inscritos. Tenham certeza que faremos de tudo e não economizaremos energias para representar nosso país na premiação do Oscar 2017. Obrigado, Obrigado, obrigado!”.

Programado para chegar aos cinemas de todo país em 10 de novembro, Pequeno Segredo fará uma pré-estreia limitada antes de 30 de setembro, ainda sem data definida, para poder se qualificar a concorrer ao Oscar 2017.

Por Agência Aids em 12 de outubro de 2016

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