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Os hábitos da felicidade

O que é felicidade, e como podemos ter um pouco dela? Matthieu Ricard, um bioquímico que virou monge budista, diz que podemos treinar nossas mentes em hábitos de bem-estar para gerar um verdadeiro sentimento de serenidade e realização.

Matthieu Ricard
Monge, autor, fotógrafo
Às vezes chamado de “o homem mais feliz do mundo”, Matthieu Ricard é monge budista, autor e fotógrafo. Veja sua biografia completa.

Quando teremos a cura?


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Como anda a pesquisa da cura do HIV? É ético tirar as pessoas dos antirretrovirais para participar de pesquisas da cura do HIV? Você acha que teremos uma cura para o HIV nos próximos anos? Estas são algumas das perguntas que fizemos aos pesquisadores que fazem parte do Instituto para a Pesquisa sobre a Cura do HIV da amfAR, na Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), durante um fórum no Dia Mundial da Aids deste ano.

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Depois de uma apresentação minuciosa sobre os progressos realizados peloInstituto para a Pesquisa sobre a Cura do HIV no ano passado, o grupo de cientistas e um soropositivo sobrevivente de longo prazo responderam às perguntas sobre a busca de uma cura para o HIV. Aqui está o que aprendemos.

 

Quando teremos uma cura para o HIV?

“As pessoas muitas vezes me perguntam isso”, disse Steve Deeks, “e, honestamente, eu não tenho a mínima ideia. Mas espero que tenhamos um regime — uma combinação viável e testável — até o atual financiamento deste instituto acabar, nos próximos anos. Essa é uma perspectiva otimista”, disse ele. Deeks comparou o conhecimento dos cientistas hoje diante do que se sabia sobre o HIV no início dos anos 90. “Em 1993, ninguém tinha a menor idéia de que seríamos realmente capazes de controlar o vírus. No entanto, três anos depois, nós conseguimos.”

 

O HIV persiste no organismo porque há células de HIV latentemente infectadas que não são mortas pelos antirretrovirais — são os “reservatórios” de HIV. Se uma pessoa fica em terapia antirretroviral por muitos anos — e mantém uma carga viral indetectável durante este tempo — as células CD4 infectadas latentemente não morrem?

“Dois estudos têm mostrado que elas podem durar 70 a 75 anos”, disse Deeks. As células do reservatório do HIV infectadas latentemente podem, infelizmente, durar muito tempo. “Eu até desafiaria esses números”, disse Warner Greene, PhD. Segundo ele, as células no reservatório latente podem se dividir a fim de manter sua presença nos tecidos de todo o corpo. “Há uma outra escola de pensamento que diz que [o reservatório latente] estará lá para sempre, até que o ataquemos.”

 

Quanto tempo leva para que o reservatório de HIV, de células CD4 infectadas latentemente, seja estabelecido no corpo depois que uma pessoa é infectada? As pessoas que iniciam a terapia antirretroviral muito tempo depois da infecção têm reservatórios maiores ou reservatórios mais difíceis de atingir com terapias de cura?

O reservatório de HIV é estabelecido logo após a infecção, disse Deeks, geralmente de 15 a 28 dias após a pessoa ser infectada. Entre as semanas dois e quatro, o reservatório “cresce de 100 a 1.000 vezes, então muito acontece durante esta janela crítica de duas semanas”. Embora possa ser um desafio para as pessoas a iniciar a terapia antirretroviral imediatamente após terem sido diagnosticadas, “durante esse período de tempo, cada minuto conta”, disse Deeks. Quanto mais cedo a pessoa começar a terapia antirretroviral após a infecção, menor será o número de células CD4 infectadas latentemente pelo HIV que farão parte do reservatório viral. Após esse período, quanto mais cedo você iniciar a terapia, mais você vai preservar o funcionamento do seu sistema imunológico.

As pessoas que iniciam a terapia com HIV tardiamente terão maiores reservas de HIV, disse Peter Hunt. Além disso, as estratégias de cura do HIV que dependem do poder do sistema imunológico de uma pessoa para alvejar e limpar as células infectadas pelo HIV podem funcionar menos em pessoas que começam o tratamento contra o HIV muito tarde.

 

Existem outros vírus que se comportam como o HIV?

Segundo Greene, em geral os vírus perseguem uma de duas estratégias para permanecerem vivos e persistirem no organismo do hospedeiro. “Eles se replicam [fazem cópias de si mesmo] cronicamente ou formam latência. A maioria dos vírus escolhe um ou outro, mas o HIV faz os dois.”

 

Há diferenças nos reservatórios de HIV e na pesquisa da cura entre homens e mulheres?

“Há muito tempo sabemos que há diferenças entre homens e mulheres quando se trata da biologia do HIV”, disse Hunt. As mulheres que não estão em terapia antirretroviral tendem a ter cargas virais mais baixas do que os homens que não estão em tratamento, qualquer que seja a contagem de CD4. Os hormônios sexuais femininos, como o estrogênio, parecem de fato suprimir a reativação do HIV (quando células latentemente infectadas começam a produzir vírus), o que mantém o HIV escondido, disse ele.

Greene explicou que há diferenças entre como os agentes que podem “chutar” o HIV — como os agonistas de TLR — funcionam em homens em comparação com as mulheres. As células dendríticas das mulheres respondem menos bem aos agonistas de TLR-7, enquanto os agonistas de TLR-9 parecem funcionar igualmente bem em homens e mulheres. Em suma, segundo Deeks, se a comunidade de cientistas for séria em descobrir se as diferenças baseadas no gênero de fato influenciam nas terapias de cura do HIV, eles terão de conduzir estudos com este propósito, para responder a essas perguntas.

 

Por que os pesquisadores têm que tirar as pessoas de seus medicamentos antirretrovirais? Isso é ético?

“Não há truque para nos dizer o quão bem uma estratégia de cura funciona”, disse Satish Pillai, PhD. Para descobrir se uma terapia de cura do HIV é eficaz, disse Greene, você tem que tirar a pessoa de seus antirretrovirais. “É o padrão”, disse ele. “A única maneira que nós descobrimos que os pacientes de Boston não tinham sido curados, ou mesmo a bebê do Mississippi, foi porque seu vírus voltou após a terapia ter sido interrompida.”

Hoje em dia, os medicamentos antirretrovirais são tão poderosos que a maioria das pessoas que os tomam têm níveis “indetectáveis” de vírus no sangue. As células de HIV latentemente infectadas são muito raras — elas compõem uma em cada milhão de células CD4 — por isso são extremamente difíceis de encontrar. As estratégias de medição dos reservatórios ainda são cruas e os cientistas não têm uma estratégia de medição específica ou sensível o suficiente para determinar se uma pessoa está verdadeiramente livre das células infectadas latentemente pelo HIV.

Atualmente, os protocolos de pesquisa da cura do HIV, disse Deeks, são extremamente cuidadosos e conservadores quando se trata de interromper a terapia antirretroviral das pessoas. “Nós não vamos parar a terapia e dizer às pessoas para voltar em três meses. Paramos a terapia e vemos as pessoas duas a três vezes por semana durante o tempo em que é provável que o vírus volte. Então, monitoramos o vírus com muito cuidado.”

Na semana passada, Deeks contou que sua equipe viu um participante que saiu da terapia antirretroviral, mas teve um rebote de seu vírus em 50 cópias/mL. “Nós colocamos essa pessoa imediatamente de volta em terapia. Nós não precisamos ver o vírus tomar o controle novamente, só precisamos saber quando ele volta.”

 

Vamos supor que encontremos uma cura para o HIV. Hoje em dia, há 37 milhões de pessoas vivendo com o HIV. Quais são suas previsões sobre a nossa capacidade de implantá-la em todo o mundo?

Para que uma terapia de cura do HIV tenha um impacto global, ela tem de ser segura, eficaz e escalável, disse Deeks. “Fizemos um estudo com a Fundação Gates, que nos fez esta pergunta. Eles fizeram muitas estimativas e descobriram que tem que ser algo que pode ser administrado em uma pequena clínica, por um curto período de tempo — digamos, até seis meses. E não pode custar mais de US$ 1.500 por pessoa. Pessoalmente, eu imagino um regime finito de seis meses, com duas ou três drogas diferentes que podem ser adicionadas a um regime estável de antirretrovirais, sem exigir um tratamento de longo prazo em uma cama de hospital. Em teoria, isso poderia funcionar e seria revolucionário.”

 

Matt Sharp, você é um membro da comunidade que participou de um estudo de cura de terapia genética há cinco anos. Depois de ouvir essas apresentações, qual é a sua percepção de como as coisas estão indo?

“É muito animador ver a pesquisa avançar para os detalhes”, disse Sharp. “Determinar as formas de medição e de aplicação clínica. Mas também é um pouco assustador, para mim como paciente, saber que eu provavelmente não serei curado — quer dizer, talvez não seja curado. Vou manter os dedos cruzados. Já é possível ver o legado do que está acontecendo atualmente e perceber que um dia chegaremos lá, por isso, eu ainda estou animado e otimista.”

Por Emily Newman em 21 de dezembro de 2016 para Beta

Ritonavir, Saquinavir e degeneração neuronal


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Os medicamentos antirretrovirais têm representado uma mudança de vida para pacientes com HIV, mas podem ter efeitos colaterais significativos. Cada vez mais vidências têm relacionado estes medicamentos à distúrbios neurocognitivos associados ao HIV, que podem se manifestar com esquecimento, confusão e mudanças comportamentais e motoras. Contudo, ainda não havia uma explicação clara sobre como estes fármacos influenciam o cérebro.

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia já localizaram alguns dos principais causadores de danos neuronais. Seu estudo sugere que alguns inibidores da protease, dentre os medicamentos mais eficazes contra o HIV, levam à produção de peptídeos beta amilóides, frequentemente associados à doença de Alzheimer. Os medicamentos induzem a um aumento nos níveis da enzima que cliva a proteína precursora de amilóide (PPA), para produzir beta amilóide, que é responsável pelos danos aos neurônios.

“Os inibidores de protease são terapias antivirais muito eficazes, mas têm toxicidade inerente”

Notadamente, a inibição dessa enzima, chamada BACE1, protegeu as células cerebrais humanas e de roedores contra danos, sugerindo que o tratamento desta via com um novo fármaco poderia minimizar danos aos neurônios em pacientes sob terapias antirretrovirais. “Os inibidores de protease são terapias antivirais muito eficazes, mas têm toxicidade inerente”, disse Kelly Jordan-Sciutto, presidente e professora do departamento de patologia da Penn School of Dental Medicine e autora sênior do estudo. “Nossas descobertas nos fazem repensar como estamos usando estes medicamentos e até mesmo considerar desenvolver uma terapia adjuvante para reduzir alguns desses efeitos negativos.” O estudo foi publicado no American Journal of Pathology.

Os inibidores da protease, tais como o Ritonavir e o Saquinavir, são parte essencial do coquetel de medicamentos que conseguiu reduzir a mortalidade de pessoas infectadas pelo HIV em 50%. Embora compostos mais recentes façam parte dos tratamentos de primeira linha para pacientes nos Estados Unidos, esses inibidores de protease continuam amplamente utilizados na África e em outras áreas em desenvolvimento atingidas duramente pelo HIV/aids. Esses remédios agem bloqueando enzimas virais necessárias para a criação de partículas infecciosas que permitem que o vírus se espalhe pelo corpo.

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Pesquisas anteriores da equipe de Jordan-Sciutto sugeriram, entretanto, que os inibidores de protease podem ter efeitos tóxicos sobre o sistema nervoso central. Um dos estudos, por exemplo, demonstrou que eles desencadearam a ativação de vias de resposta ao estresse, incluindo o estresse oxidativo e um processo chamado de resposta a proteínas mal enoveladas, ou UPR, do inglês unfolded protein response. A UPR acontece quando a célula detecta proteínas mal enoveladas ou modificadas, causando uma interrupção na tradução de proteínas. Sua função é proteger uma célula de proteínas aberrantes, mas, quando cronicamente ativada, pode levar a danos celulares ou à morte.

Mesmo após esses estudos, não ficou claro se a UPR vista em pacientes com HIV foi induzida como resultado do vírus ou do tratamento e pelas moléculas mediadas por ele. Além disso, os pesquisadores ficaram intrigados com as descobertas do colega e coautor Robert Vassar, da Northwestern University, que mostraram que o estresse induzido pela UPR levou à ativação da BACE1, a enzima que despedaça a PPA para produzir beta amilóide.

“A UPR é ativada em pacientes com HIV, tanto dentro como fora da terapia antirretroviral”

“O estudo emergiu dessas três linhas de evidências convergentes”, disse Jordan-Sciutto. “Sabíamos que a UPR é ativada em pacientes com HIV, tanto dentro como fora da terapia antirretroviral, sabíamos que, apesar da terapia antirretroviral, a deficiência cognitiva persiste nesses pacientes e sabíamos que a ativação da UPR leva a um aumento de BACE1.” Para determinar se e como os danos neuronais resultam do tratamento com medicamentos e para determinar o papel da BACE1, a equipe investigou os efeitos dos inibidores de protease em dois modelos animais e, em seguida, investigou o mecanismo de ação em células em cultura.

Primeiro, para confirmar que os próprios medicamentos, e não a infecção subjacente ao HIV, eram responsáveis pelos danos neuronais, eles examinaram uma população de macacos, alguns dos quais com SIV, um retrovírus muito semelhante ao HIV que afeta primatas não humanos. Os pesquisadores descobriram que os animais infectados com SIV que tinham sido tratados tinham aumento da expressão de PPA em seus neurônios, sinal de danos e um aumento de BACE1 em comparação com animais não tratados.

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Eles ainda confirmaram que os medicamentos eram os culpados em causar estas mudanças, administrando Ritonavir e Saquinavir em ratos adultos saudáveis. Novamente, observaram aumentos significativos de BACE1. Voltando às células em cultura, eles descobriram que a administração de Ritonavir ou Saquinavir em doses equivalentes às observadas no sangue de seres humanos tratados levou a aumentos dramáticos em marcadores moleculares associados com UPR, bem como a aumentos na expressão de BACE1. Além disso, eles demonstraram que o aumento de BACE1 levou diretamente a um aumento no processamento de PPA. A aplicação de um inibidor de BACE1 a células cerebrais de ratos em cultura evitou o dano que o tratamento com Ritonavir induziu.

“O próprio vírus causa um estresse, mas os medicamentos estão causando um estresse adicional e danos aos neurônios”

“Juntando isso com nossos achados anteriores sobre estresse oxidativo, parece que os medicamentos estão desencadeando um estresse oxidativo que está prejudicando as proteínas e induzindo a resposta à proteínas mal enoveladas”, disse Cagla Akay Espinoza, cientista de pesquisa no laboratório da Jordan-Sciutto e coautor do estudo. “O próprio vírus causa um estresse, mas os medicamentos estão causando um estresse adicional e danos aos neurônios, em parte pela BACE1 levando ao processamento abaixo da proteína precursora amilóide”.

Um conjunto final de experimentos mostrou que uma enzima chamada PERK, que tem um papel importante na UPR, ajudou a mediar o aumento da expressão de BACE1 em neurônios, desencadeado por inibidores de protease. “Estamos muito interessados no papel do PERK neste processo”, disse Jordan-Sciutto. “A segmentação PERK e/ou BACE1 poderia ajudar a contribuir para uma abordagem terapêutica para tratar medicamentos associados a distúrbios cognitivos”.

As novas descobertas abrem uma série de vias para pesquisas futuras. A equipe gostaria de explorar a possibilidade desta via de danos neuronais se aplicar a outros medicamentos contra o HIV e sobre como a UPR difere de acordo com a fonte sua indução, se é o vírus ou os medicamentos. Além disso, dada a ligação entre beta amilóide, PPA e doença de Alzheimer, a equipe está curiosa para saber mais sobre como estes peptídeos contribuem para os distúrbios visto tanto nesta doença quanto nos distúrbios neurocognitivos associados ao HIV.

Em 16 de dezembro de 2016 por ScienceDaily

Fonte: Materiais oferecidos pela University of Pennsylvania. Referência: Patrick J. Gannon, Cagla Akay-Espinoza, Alan C. Yee, Lisa A. Briand, Michelle A. Erickson, Benjamin B. Gelman, Yan Gao, Norman J. Haughey, M. Christine Zink, Janice E. Clements, Nicholas S. Kim, Gabriel Van De Walle, Brigid K. Jensen, Robert Vassar, R. Christopher Pierce, Alexander J. Gill, Dennis L. Kolson, J. Alan Diehl, Joseph L. Mankowski, Kelly L. Jordan-Sciutto. HIV Protease Inhibitors Alter Amyloid Precursor Protein Processing via β-Site Amyloid Precursor Protein Cleaving Enzyme-1 Translational Up-Regulation. The American Journal of Pathology, 2017; 187 (1): 91 DOI: 10.1016/j.ajpath.2016.09.006

Quais alimentos são saudáveis?


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Pipoca é saudável? E pizza, suco de laranja ou sushi? E frozen yogurt, costeletas de porco ou quinoa? Quais alimentos são saudáveis? Em princípio, essa é uma pergunta bastante simples e uma pessoa que deseja comer de maneira mais saudável deve saber quais alimentos escolher no supermercado e quais deve evitar. Infelizmente, a resposta não é tão simples.

A Food and Drug Administration americana recentemente concordou em rever seus padrões para os quais os alimentos podem ser considerados “saudáveis”, um movimento que destaca o quanto o conhecimento nutricional mudou nos últimos anos — e o quanto permanece desconhecido.

Morning Consult, uma empresa de mídia e pesquisa, pesquisou centenas de nutricionistas — membros da Sociedade Americana de Nutrição –, perguntando-lhes se achavam que certos alimentos (cerca de 50) eram saudáveis. A Morning Consult também pesquisou uma amostra representativa do público americanos, questionando a mesma coisa.

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Os resultados sugerem uma surpreendente diversidade de opiniões, mesmo entre especialistas. Sim, alguns alimentos, como couve, maçãs e aveia, são considerados “saudáveis” por quase todos. E outros, como refrigerantes, batatas fritas e biscoitos de chocolate, não são. Mas há alguns alimentos que parecem ter uma percepção pública positiva, enquanto outros confundem tanto o público quanto os especialistas. (Sim, nós estamos falando de você, manteiga.)

“Há vinte anos, eu acho que sabíamos cerca de 10% do que precisamos saber sobre nutrição”, disse Dariush Mozaffarian, reitor da Escola de Ciências e Políticas Nutricionais Tufts Friedman. “E agora nós sabemos 40 ou 50%.” Aqui está o que descobrimos.

 

Alimentos considerados mais saudáveis pelo público do que por especialistas:

 Porcentagem que descreve como “saudável” Nutricionistas Público
granola-barBarra de cereais 28%
71%
coconutoilÓleo de côco 37%
72%
frozen-yogurtFrozen yogurt 32%
66%
1606wtopancakes1Granola 47%
80%
slimfast_cmykShake dietético 21%
47%
orange-juiceSuco de laranja 62%
78%
americancheeseQueijo 24%
39%

Dos 52 alimentos que pedimos para especialistas e para o público para avaliar, nenhum tinha tanta diferença quanto à barra de cereais. Mais de 70% dos americanos a descreveu como saudável, enquanto menos de um terço dos especialistas em nutrição fez o mesmo. Uma diferença semelhante existe para a granola, a qual menos de metade dos nutricionistas inquiridos a descreve como saudável.

Vários dos alimentos considerados mais saudáveis por americanos do que por especialistas, incluindo frozen yogurt, um shake dietético e barras de cereais, têm algo em comum: eles podem ser acrescidos de montes de açúcar. Em maio, a Food and Drug Administration anunciou um novo modelo de rótulos nutricionais: uma das prioridades era permitir ao distinguir claramente entre os açúcares naturalmente presentes nos alimentos e os açúcares que são adicionados mais tarde, para aumentar os sabor. (Você ficaria surpreso com quantos alimentos têm açúcar adicionado.) Muitos nutricionistas sabem disso, mas em geral o público ainda não.

 

Alimentos considerados mais saudáveis por especialistas do que pelo público:

 Porcentagem que descreve como “saudável” Nutricionistas Público
quinoaQuinoa 89%
58%
flextariantofu30Tofu 85%
57%
sushiSushi 75%
 49%
hummusHummus 90%
66%
wineglassVinho 70%
52%
shrimpCamarão 85%
69%

No outro extremo do espectro, vários alimentos receberam um selo de aprovação do painel de especialistas, mas deixaram os inexperientes incertos. O mais surpreendente foi a reação à quinoa, um grão considerado um “superalimento”, tão freqüentemente elogiado como saudável que parece ter virado piada. (Atualmente, o site de culinária do New York Times oferece 167 receitas com quinoa, das quais cerca de um terço é explicitamente marcada como “saudável”.)

Além disso, tofu, sushi, hummus, vinho e camarão foram classificados como significativamente mais saudáveis por nutricionistas do que pelo público. Por quê? Uma razão pode ser que muitos deles são alimentos novos na dieta americana popular. Nosso colega Neil Irwin mediu as menções de alimentos na moda ao longo dos anos e descobriu que a quinoa só recentemente ficou famosa. Outros podem se confundir com mensagens ambíguas da imprensa sobre alimentos saudáveis. O camarão foi demonizado por conta de sua taxa elevada de colesterol, embora as diretrizes recentes tenham mudado. Por sua vez, as mensagens públicas sobre os benefícios do álcool são conflitantes: enquanto beber moderadamente parece trazer alguns benefícios à saúde, um consumo maior, obviamente, pode causar danos à saúde.

Não é surpreendente encontrar áreas em que tanto o público americano quanto os especialistas discordam. Espera-se que os pesquisadores estejam mais bem informados sobre as pesquisas atuais e que os consumidores comuns sejam mais suscetíveis às afirmações dos comerciantes de alimentos, mesmo que estas alegações sejam duvidosas. Ainda assim, alguns dos alimentos dividem tanto o público quanto os especialistas.

 

Alimentos em que especialistas e público se dividem:

Porcentagem que descreve como “saudável” Nutricionistas Público
popcornPipoca 61%
52%
pork-chopCostela de porco 59%
52%
milkLeite integral 63%
59%
steakBife 60%
63%
cheddarcheeseQueijo cheddar 57%
56%

Quatro dos alimentos listados acima — bife, queijo cheddar, leite integral e costelas de porco — tendem a ter muita gordura. E a gordura é um tópico que poucos especialistas parecem concordar. Anos atrás, o consenso nutricional era que a gordura, e particularmente a gordura saturada encontrada na carne vermelha, era ruim para o coração. Porém, novos estudos são menos claros a respeito disso e muitas das discordâncias entre os nutricionistas tendem a ser sobre a quantidade certa de proteína e gordura em uma dieta saudável.

A incerteza sobre esses alimentos, expressa tanto por especialistas quanto pelos americanos comuns, reflete a falta de evidência nutricional sobre eles. (Se você é um amante de bife e sente-se desencorajado por esta notícia, nosso colega Aaron Carroll escreveu que a carne vermelha é provavelmente saudável desde que com moderação.)

Muitos consumidores querem comer alimentos saudáveis, mas não sabem o que escolher. Para obter alguma perspectiva sobre isso, perguntamos ao Google quais alimentos mais frequentemente são pesquisados — “[Nome do alimento] é saudável?” A comida que as pessoas mais têm dúvidas foi uma que os nutricionistas geralmente mais aprovam: sushi.

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Existem algumas áreas de consenso nutricional. Quase todos concordaram que laranjas, maçãs, aveia e frango podem seguramente ser descritas como saudáveis e concordaram também que biscoitos de chocolate, bacon, pão branco e refrigerante não podem.

 

Alimentos que ambos os grupos consideram não saudáveis:

 Porcentagem que descreve como “saudável” Nutricionistas Público
cheeseburgerHamburgers 28%
29%
jerkyCarne seca 23%
27%
pepsiRefrigerante 18%
 16%
whitebreadPão branco 15%
18%
cookieBiscoito de chocolate 6%
10%

 

Alimentos que ambos os grupos acham saudáveis:

 Porcentagem que descreve como “saudável” Nutricionistas Público
appleMaçã 99%
96%
orangeLaranja 99%
96%
nongmo-2Aveia 97%
 92%
roastchickenFrango 91%
91%
turkeyPeru 91%
90%
peanutbutterManteiga de amendoim 81%
79%
potatoBaked potatoe 72%
71%

 

Como é que tudo isso deixa um consumidor bem-intencionado e ocasionalmente confuso? Possivelmente mais tranquilo. Mas, às vezes, a ciência da nutrição é confusa até para os especialistas.

Muito provavelmente, sua dieta do dia a dia é muito mais importante do quaisquer regras rígidas que ditam um alimento como “bom” ou “ruim”. Nosso colega Aaron Carroll publicou uma lista de regras de bom senso para comer de maneira saudável, o que já é um bom começo.

Aproveitamos a pesquisa para perguntar aos especialistas se eles consideravam sua própria dieta saudável e como eles a descreveriam. 99% dos nutricionistas disseram que ter uma dieta muito ou relativamente saudável. O tipo de dieta mais comum foi a “mediterrânea”: 25% dos nutricionistas a escolheu como a mais saudável de todas. Mas também houve uma resposta muito comum, mesmo entre os especialistas, que disseram não seguir “nenhuma regra ou restrição especial”.

Sobre esta pesquisa:

O New York Times fez uma lista de alimentos em consulta com especialistas em nutrição e a partir das tendências de pesquisas no Google. A pesquisa pública foi realizada on-line pela Morning Consult e incluiu 2.000 eleitores registrados. Você pode ler os resultados completos aqui, com tabelas de referência cruzada aqui. A pesquisa com nutricionistas foi enviada para os membros da Sociedade Americana de Nutrição, um grupo profissional de nutricionistas. Nem todos os membros completaram a pesquisa, mas 672 nutricionistas o fizeram. O New York Times entende que o resultado dessa pesquisa não é uma medida científica de todos os nutricionistas, mas como uma medida útil e imperfeita dos alimentos que estes profissionais consideram ser saudáveis.

Por

Carta de uma leitora: traição e HIV

“Olá, Jovem.

Necessito dividir a minha história porque li poucos relatos de mulheres, porque preciso desabafar. Espero que possa me compreender e me ajudar. É difícil saber por onde começar.

“Já fazia dez dias que eu estava com os remédios em casa e não tinha coragem de começar a tomá-los.”

Acho que tudo começou há mais ou menos sete meses, quando conheci o seu blog. Eu estava desesperada, procurando informações relacionadas ao HIV. Tinha acabado de descobrir minha sorologia positiva, em 10 de maio de 2016, e foi através do seu blog que tirei muitas dúvidas no decorrer desses meses — e te agradeço por isso. Comecei a tomar a medicação ‘3 em 1’, no dia 1º de dezembro, quando por acaso vi uma reportagem sobre o dia Mundial de Luta Contra a Aids — este foi o empurrão que eu precisava, pois já fazia dez dias que eu estava com os remédios em casa e não tinha coragem de começar a tomá-los.

“Abriu em mim uma porta para a ilusão de que eu nunca teria HIV.”

Tenho 33 anos, sou do Rio Grande do Sul. Estava casada há dois anos, com um homem mais jovem. Nossa relação parecia ser respeitável e saudável — e, quando digo ‘saudável’, me refiro ao fato de que, logo nos dois primeiros meses de namoro, fizemos o teste de HIV e demais doenças sexualmente transmissíveis. Todos resultaram negativo. E acho que foi neste momento que me senti muito feliz, achando que estava imune a tudo. Abriu em mim uma porta para a ilusão de que eu nunca teria HIV, pois achava que tinha encontrado alguém em quem eu podia confiar e com quem eu não precisaria mais usar preservativos, uma vez que estávamos em um relacionamento sério e fiel e já falávamos sobre ter um filho. Acredito que muitos indivíduos passam por esta situação: confiar sua saúde à outra pessoa, não é mesmo?

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No decorrer do relacionamento tivemos briga e uma breve separação, por besteiras que envolvem qualquer casamento. Voltamos em seguida, como de fato acontece com qualquer um. Mas foi nos meses seguintes que comecei a desconfiar que ele estava me traindo. Procurando no computador, encontrei um site de sexo no histórico do navegador. Coloquei o e-mail dele e sua senha e, então, fui levada para uma página cheia de mensagens que ele trocara com pessoas com quem vinha fazendo sexo, com quem ele estava se relacionando durante todo o nosso casamento. Descobri que ele era bissexual.

Me desesperei quando li uma conversa na qual ele indagava sobre a suspeita da pessoa com quem ele estava saindo ter HIV. E não tinha como contar isso a ninguém. Liguei pra ele falando o que havia descoberto, mas ele negava tudo. Nos separamos. Ficamos sem nos falar por algum tempo. Esperei o período de janela imunológica e o convenci a ir fazer o teste.

“Ele ficou em silêncio, antes de desabar em choro, pedindo desculpas, até me contar do resultado positivo no teste de HIV.”

Foi o pior dia da minha vida quando vi a cara dele ao sair da sala. Ele ficou em silêncio, antes de desabar em choro, pedindo desculpas, até me contar do resultado positivo no teste de HIV. Enquanto ele chorava, saí correndo e fui fazer o meu teste, o qual também deu reagente. Meu mundo desabou. O que eu ia fazer agora? Eu queria morrer.

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Cheguei em casa e comecei a procurar na internet. Descobri o seu blog e, aos poucos, fui me acalmando. Percebi também que, por mais que não fosse alienada, eu era totalmente leiga no assunto. Consegui respirar com mais alívio, mas confesso que a dor, a culpa e a vergonha ainda me perseguem. Não tenho coragem de falar sobre isso com quase ninguém: as únicas pessoas que sabem são os médicos do SUS e meu ex. Sequer tive coragem de contar para meu médico do plano particular, pois toda minha família se consulta com ele — e tenho a certeza de que eles não entenderiam e me julgariam. Desde o meu diagnóstico, vivo nesta prisão interna. Não estou trabalhando. Fico quase 24 horas em casa sozinha. Me isolei totalmente.

Por outro lado, acho que consegui me manter racional. Convenci meu ex a fazer todos os exames necessários, a fim de saber quanto tínhamos de CD4 e carga viral. Meu primeiro exame deu 649 células/mm³ de sangue e 26 mil cópias do vírus. Esperei mais 3 meses e fiz novamente o exame de carga viral, que veio em 27 mil. Meu médico me convenceu que era melhor começar a fazer o tratamento antirretroviral. Eu sabia que quanto mais cedo, melhor.

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Peguei os frascos de remédio, decidida a aderir ao tratamento. Mas, quando cheguei em casa, perdi toda a coragem. O medo tomou conta de mim: tinha medo dos efeitos colaterais que eu poderia sentir, ainda mais sozinha e sem ter ninguém para recorrer. Como eu disse, tomei essa coragem no dia 1º de dezembro. Passadas algumas horas, senti tontura. Minha boca ficou molhada, mas os lábios estavam secos. Um gosto estranho. Minha barriga ficou inchada. Será que não me alimentei muito bem? Nos últimos dias a tontura já foi menor, embora minha barriga continue muito inchada. Tive vontade de vomitar. Acordei no meio da noite com muita sede.

“Enquanto não existe a cura, quero chegar ao indetectável.”

Peço desculpas se escrevi demais. A verdade é que queria deixar registrado aqui que nunca devemos depositar a nossa saúde nas mãos de outra pessoa, por mais que confiemos nela. Todos falhamos. Todos tempos nossos medos e segredos. Aprendi que devemos continuar nos prevenindo sempre e que, em caso de falha, sempre há uma saída — eu, agora, estou tentando encontrar a minha. Enquanto não existe a cura, quero chegar ao indetectável, para nunca sentir a culpa que vi nos olhos de meu ex, por ter transmitido esta doença para alguém, por ter descoberto que ele estava com HIV e que o passou para mim.

Obrigada por poder te escrever, Jovem. Já me sinto um pouco melhor em dividir a minha história.”

Charlie Sheen está indetectável com injeção semanal


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Charlie Sheen revelou que seu HIV está completamente suprimido graças a uma injeção experimental parte de um estudo clínico. O ator, que participa do estudo para o medicamento chamado Pro 140 desde o começo de 2016, divulgou esta notícia na véspera do Dia Mundial de Luta Contra a Aids.

Ao contrário da terapia antirretroviral tradicional, que envolve tomar medicamentos todos os dias, Sheen recebe uma injeção semanal que não tem efeitos colaterais. Na terça-feira, Sheen recebeu a notícia do diretor do estudo clínico dizendo que ele havia alcançado a supressão completa do vírus usando apenas este novo método. Em outras palavras: seu vírus não é mais detectável, fazendo do Pro 140 uma perspectiva promissora para pessoas com HIV/aids.

Faz pouco mais de um ano desde que Sheen, de 51 anos de idade, revelou publicamente seu diagnóstico positivo para o HIV, coincidindo com o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, quando as autoridades de saúde pública se unem para aumentar a conscientização a respeito da doença. Sheen disse que nunca se sentiu tão forte e confiante sobre sua condição. Ele espera que esta pesquisa resulte na aprovação deste novo tratamento e que ajude a desestigmatizar as pessoas que vivem com HIV.

Charlie Sheen, retratado em uma estréia na última quarta-feira, disse que não experimentou efeitos colaterais com a injeção de Pro 140.

“É incrível”, disse Sheen. “Lembro de como me senti naquele dia e de como me sinto hoje. Uau! Que transformação! Em um instante você está no caminho para a perdição e, no próximo, você está no caminho da providência. É incrível. Eu pensava que ficaria preso nesse coquetel antirretroviral para sempre, mas olhe para mim agora. Sou muito grato aos gênio da CytoDyn por desenvolverem isso e por terem me encontrado.”

Pro 140 é um “inibidor de entrada e de fusão” que é injetado semanalmente. É feito a partir de um anticorpo, ao invés de produtos químicos sintéticos. Os inibidores de entrada e de fusão protegem as células do sistema imunológico contra a infecção pelo HIV. Para isso, o fármaco se liga a um receptor de proteína na superfície da célula imunológica. Normalmente, o HIV usaria essa proteína como um porta de entrada para entrar e infectar uma célula. Estudos mostram que quando esta porta de entrada é bloqueada, o HIV não consegue entrar nessa célula. Esse processo impediria o vírus de se multiplicar e poderia também reduzir a quantidade de HIV no corpo.

A injeção não funciona para todas as cepas de HIV — apenas para a R5. No entanto, uma vez que os dados mostram que cerca de 70% das pessoas com HIV têm a cepa R5 e que 90% das novas infecções são R5, o Pro 140 ganhou a atenção dos cientistas e reguladores. Até hoje, os mesmos benefícios que este novo remédio oferece só foi conseguido com doses diárias de fármacos antirretrovirais. Mas uma série de estudos clínicos do Pro 140 feito pela CytoDyn espera trazer um tratamento emocionalmente e fisicamente menos oneroso.

Tomada diariamente, a terapia antirretroviral suprime o HIV. Porém, manter um regime de medicação diária pode ser difícil para alguns, especialmente aqueles que enfrentam barreiras sociais e estruturais, como o estigma do HIV, habitação instável, insegurança alimentar e problemas de saúde mental. Para algumas pessoas, os antirretrovirais são caros. Ou podem não ser capazes de tolerar os efeitos colaterais, que incluem náuseas, fadiga e problemas nervosos de curto prazo, além de resistência à insulina e outros problemas de longo do tempo.

Somente cerca de um terço dos pacientes americanos que tomam antirretrovirais consistentemente tem carga viral indetectável [No Brasil, 88% dos soropositivos que estão em tratamento têm carga viral indetectável.] “Vamos precisar de outras abordagens”, disse o Dr. Nelson Michael, diretor do U.S. Military HIV Research Program no Walter Reed Army Institute.

Oito meses depois do estudo, Charlie Sheen disse que não sentiu nenhum efeito colateral. “Você poderia imaginar que eu tenho esta doença e que estou fazendo um estudo e, por isso, estaria cheio de sequelas e tudo mais. Mas de modo algum! Eu não senti nada! Nada! A única coisa que notei foi que, no dia da injeção, senti um pouco de fadiga. Só um pouco. Mas o que isso importa? Eu mal podia notar isso e agora estou ótimo. É muito mais do que incrível.”

Mensagem de texto entre Charlie Sheen e o diretor do estudo clínico, Dr. Nader Pourhassan, dizendo a ele que sua carga viral estava completamente suprimida graças a injeção experimental Pro 140.

Na terça-feira, 29 de novembro, Sheen recebeu uma mensagem de texto do Dr. Nader Pourhassan, CEO da empresa farmacêutica CytoDyn, de Washington, a qual esta por trás do novo medicamento, dizendo que ele tinha acabado de receber os dois resultados de sua carga viral. Ambos estavam indetectáveis — isto é: supressão total.

Uma vez que este é um estudo de fase III, Sheen faz parte do último lote de voluntários humanos a experimentar o Pro 140 antes que de sua liberação. Faltam apenas alguns meses até que os resultados sejam estudados pela FDA, a qual vai avaliar se o medicamento pode ser distribuído comercialmente. A CytoDyn acredita que isto vai acontecer entre meados de 2017 ou início de 2018.

 

Indetectável = Intransmissível

Em novembro de 2015, Sheen falou que uma pessoa com uma “carga viral indetectável” tem “risco insignificante” de transmitir o vírus, na mesma época em que ele revelou seu diagnóstico. Uma pessoa com HIV torna-se “indetectável” quando a terapia antirretroviral suprime o vírus a um nível tão baixo no sangue que este não pode mais ser detectado.

Apesar da crescente onda de estudos científicos apoiando esta visão, Sheen foi criticado. No entanto, em agosto, uma coalizão internacional de médicos e autoridade de políticas de saúde assinaram a primeira declaração de consenso que reconhece que os estudos mostram que os medicamentos antirretrovirais tornam o risco de transmissão “insignificante” — tão baixo que não vale a pena ser considerado. Foi a primeira vez que um funcionário de saúde pública dos Estados Unidos apoiou publicamente esta ideia — neste caso, o Comissário Assistente da Saúde de Nova York.

Uma série de pesquisas, publicadas no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, mostram que ainda há mal-entendidos a respeito do HIV, aids, as diferenças entre os dois e o que significa ser soropositivo em 2016. Uma pesquisa da YouGov descobriu que 20% das pessoas ainda acredita que o HIV pode ser transmitido através de beijo — algo que há décadas foi provado ser impossível. Quase um terço das pessoas, numa pesquisa de 2.000 pessoas, acredita que compartilhar uma escova de dentes pode transmitir o HIV, o que também é impossível, uma vez que o HIV — um patógeno incrivelmente fraco — não consegue sobreviver fora do corpo. Além disso, 61% das pessoas não sabiam que o vírus pode ser suprimido a um nível tão baixo que a transmissão é praticamente impossível.

O risco real de transmissão está entre as pessoas não testadas que podem espalhar o vírus sem saber que são portadoras dele. Pessoas que foram testadas, diagnosticadas com HIV, que receberam tratamento e alcançaram a supressão viral não podem transmitir o vírus. A supressão viral também pode proteger as pessoas com HIV de passar o vírus para seus filhos — o que foi novidade para 29% dos entrevistados pelo YouGov.

De acordo com o Dr. Carl Dieffenbach, Diretor da Divisão de Aids dos National Institutes of Health, este mal-entendido sobre a supressão viral é o maior obstáculo à conscientização pública em torno do HIV/aids atualmente. “Se você for virologicamente suprimido você não vai transmitir o HIV para o seu parceiro”, disse ele. “Vou dizer isso novamente: se a pessoa com HIV estiver virologicamente suprimida — o que significa que não há vírus em seu organismo — e estiver assim há vários meses, sua chance de transmitir o HIV é zero. Vamos ser claros sobre isso: ZERO.”

“Se, no dia seguinte, essa pessoa parar a terapia por duas semanas e tiver rebotes, sua chance sobe. É por isso que falamos sobre a supressão viral durável. Você é tão virologicamente suprimido quanto a sua adesão. Essa é a mensagem.”

 

Avanços de 2016 e o futuro

Décadas depois dos anos 80, o foco agora está em aumentar a conscientização sobre a supressão viral e apoiar a pesquisa do HIV. “Os avanços da medicina e da ciência estão mudando vidas de maneiras que nunca imaginamos ser possível”, disse Bruce Richman, diretor-executivo da Prevention Access Campaign.

Dr. Anthony Fauci elogiou pessoalmente um estudo feito em macacos de medicamentos contra o HIV — são raros os endossos pessoais para o que ele acredita estar mais próximo da “cura funcional”.

“Há vinte anos, aprendemos que um tratamento eficaz contra o HIV salvaria vidas. Agora sabemos que também previne a transmissão do HIV para outras pessoas. As pessoas que vivem com HIV podem agora ter confiança de que, se tiverem carga viral indetectável e tomarem os seus medicamentos regularmente, viverão vidas mais saudáveis e não transmitirão o HIV a outras pessoas. Isso tira um fardo tremendo das pessoas com HIV e de seus parceiros. Se nos concentrarmos nos fatos em vez do medo, temos oportunidades sem precedentes de acabar com o estigma do HIV e de acabar com a epidemia.”

De fato, em um poderoso editorial para a revista Time, o Dr. Oxiris Barbot, Primeiro Vice-Comissário de Saúde de Nova York, declarou que é possível acabar com a aids durante o nosso tempo de vida. Este ano, pela primeira vez desde o começo da epidemia, nenhum bebê nasceu com HIV em Nova York. “Com estratégias coordenadas para manter os pais sem HIV ou viralmente suprimidos, podemos acabar com a transmissão do HIV de mãe para filho não só na cidade de Nova York, mas em todo o país”, escreveu o Dr. Barbot.

O Dr. Demetre Daskalakis, comissário assistente da agência de HIV/aids da cidade, disse que o objetivo é combater a aids até 2020 — e ele acredita que essa é uma estimativa realista. “As lições que nos levaram ao fim desta importante parte da epidemia são as lições que nos levarão ao nosso objetivo de extinguir a aids até 2020”, disse ele. “A tecnologia biomédica e o envolvimento da comunidade se fundem em uma única estratégia para combater esta epidemia, com amor e respeito pelas comunidades mais afetadas por esta infecção. Juntos, vamos acabar com a divisão do HIV causada pelo estigma e veremos um progresso ainda mais rápido em nosso objetivo de uma geração livre da aids.”

Refletindo sobre o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, Charlie Sheen disse que o progresso é agridoce. “Quando você pensa nas incontáveis almas que pereceram, dizimadas na confusão dos anos oitenta… Eu sinto que estou aqui para aqueles indivíduos também. É agridoce. Mas eu sou muito grato por fazer do futuro e poder apoiar a pesquisa com este estudo clínico.”

Por Mia De Graaf em 1º de dezembro de 2016 para o DailyMail

Israel discrimina falecidos com HIV


israelhayom

Médicos especializados em HIV, ao lado da Aids Task Force Israel, estão se manifestando contra as novas diretrizes do Ministério da Saúde israelense sobre os cuidados para sepultamento de corpos de pessoas infectadas com o HIV/aids e outras doenças infecciosas. Segundo os médicos, as diretrizes não são baseadas em informação médica e são completamente infundadas e incorretas, aumentando a já grave estigmatização de pessoas com HIV/aids, sugerindo, por exemplo, que a doença pode ser transmitida pelo ar.

“Perigo! Infeccioso”

As novas recomendações publicadas incluem colocar avisos de “Perigo! Infeccioso” sobre o corpo, envolvê-lo em plástico para então ser levado para a ambulância. Além disso, foi instruído o rastreamento especial destes corpos, com registros de onde estes corpos serão sepultados em cada cemitério, especificação de equipe que realizou o enterro e aplicação de uma camada de concreto sobre o corpo, que deve ser enterrado a uma distância de pelo menos 10 metros de outros corpos.

As orientações levantaram críticas da Aids Task Force Israel contra o Ministério da Saúde israelense em fevereiro deste ano, depois que o Tribunal Magistrado em Kiryat Gat manteve uma decisão sobre o sepultamento de uma menina de 18 anos que morreu de aids e cuja família não teve permissão para fazer o reconhecimento e nem o ritual judaico de purificação do corpo, por causa da doença.

O diretor do Aids Task Force Israel, Dr. Yuval Livnat (foto por Yehoshua Yosef)

“É incorreto falar da aids dessa maneira.”

Em uma carta enviada esta semana pelo Dr. Yuval Livnat, presidente da Aids Task Force, para o diretor de Serviços de Saúde Pública do Ministério da Saúde israelense, Prof. Itamar Grotto, ele afirma que “É um insulto e é incorreto falar da aids dessa maneira. Não há justificativa médica para que o traslado do corpo tenha de ser feito com este cuidado, pois não há qualquer risco de contágio. As diretrizes indicam histeria, provavelmente e infelizmente, em virtude do estigma que envolve a doença, sem justificativa médica.”

Não há justificativa para não permitir o ritual judaico de purificação do corpo.

O Dr. Livnat também escreveu que não há justificativa para não permitir o ritual judaico de purificação do corpo, porque “medidas básicas de proteção já podem oferecer proteção a quem aplicar o ritual.” Ele prossegue: “Além disso, é possível que o falecido não tivesse conhecimento de que era soropositivo. O registro especial do enterro é uma violação grave do direito da pessoa à privacidade sob a lei.” O presidente da Associação Israelense Médica de HIV e Doenças Infecciosas Dr. Michal Paira e o diretor da Unidade para Cuidados de Aids no Centro Médico Tel Hashomer Sheba Dr. Itzik Levy disseram que estas diretrizes são diametralmente opostas ao conhecimento médico sobre a aids.

“Um rascunho das diretrizes foi publicado por engano.”

O Ministério da Saúde israelense informou que “um rascunho das diretrizes foi publicado por engano e não a sua versão final” e afirmou que estavam “trabalhando em procedimentos relativos ao tratamento de corpos de pessoas infectadas com outras doenças infecciosas, não apenas HIV, incluindo o ebola.”

Em 30 de novembro de 2016 pelo Israel Hayom

Blogs em Destaque: Dia Mundial de Luta Contra a AIDS

WordPress.com em Português (Brasil)

O Dia 1º de dezembro é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, criado para destacar o esforço global da luta contra a AIDS.

Para auxiliar no propósito dessa data decidimos divulgar alguns blogs hospedados no WordPress.com que ajudam na reflexão e esclarecimento sobre o AIDS, o Soropositivo.org e o Diário de um Jovem Soropositivo.

Diário de um Jovem Soropositivo: percebi que no blog você usa um pseudônimo, existe muito preconceito hoje com os soropositivos?

Vou te dar um exemplo: soropositivos que pretendem viajar para outros países precisam, antes de comprar a passagem, verificar se o país de destino aceita viajantes que vivem com HIV. Há países que deportam soropositivos ou impõe algum outro tipo de restrição, como a duração do tempo de permanência.

Nos Estados Unidos as leis que impediam entrada de soropositivos foram revogadas apenas em 2009, porém vários estados americanos ainda possuem leis que punem desproporcionalmente quem vive com HIV:…

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Sexo, Remédios & HIV

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A prevenção ao HIV mudou. Como isso afeta as nossas relações?

Em comemoração ao dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids, os Núcleos de Educação Comunitária do Laboratório de Imunologia Clínica e Alergia da Faculdade de Medicina da USP e da Unidade de Pesquisa II do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, com patrocínio da HIV Prevention Trials Network (HPTN), promovem dois encontros para falar sobre:

Sexo, Remédios & HIV

Semelhante ao que ocorreu com a pílula anticoncepcional nos anos 60, estamos assistindo a uma nova onda de medicalização do sexo. Agora se sabe que os remédios antirretrovirais não só tratam a pessoa vivendo com HIV, como também previnem a transmissão sexual.

Cada vez mais autoridades reconhecem que pessoas vivendo com HIV em tratamento eficaz – conhecidos como indetectáveis – não transmitem o vírus. Por sua vez, os negativos agora podem tomar antirretrovirais diariamente para se proteger: a PrEP*. Outra opção para os negativos é a PEP**, o antirretroviral de emergência, método antigo que vem se tornando mais acessível em São Paulo.

Os desdobramentos sobre a incorporação de novas tecnologias em como conduzimos nosso sexo, afetos e relações sociais só estão começando a ser desenhados. Como no caso dos anticoncepcionais, o assunto toca em dois pontos delicados: sexo e opressões sociais.

O quanto as novas tecnologias podem empoderar grupos oprimidos e vulnerabilizados ao HIV? Até que ponto contribuirão para reduzir o estigma e a invisibilidade das pessoas vivendo com HIV? Como está se dando o acesso aos novos métodos?

Programação:

Quarta 7/12 das 19-22h: “Eu sou indetectável”

Quinta 8/12 das 19-22h: “Eu uso Prep” / “Eu usei PEP”

Inscreva-se aqui

 

Convidados:

Mesa “Eu sou indetectável”:

  • Carlos Henrique de Oliveira, é escritor e militante do movimento negro de SP, da Rede de Jovens São Paulo Positivo e da Nova Organização Socialista (NOS).
  • Carué Contreiras, médico sanitarista e pediatra, é coordenador do Núcleo de Educação Comunitária da Unidade de Pesquisa do CRT DST/Aids. Já foi colaborador da Agência de Notícias da Aids.
  • Ésper Kallas, médico Infectologista e imunologista, é Professor Associado da Disciplina de Imunologia Clínica e Alergia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Livre-Docente pela FMUSP em 2009. Também é Pesquisador do LIM-60, na Disciplina de Imunologia Clínica e Alergia, onde realiza projetos de medicina de tradução, trazendo conceitos de ciência básica para aplicações clínicas, especialmente em infecções pelo HIV, HTLV, CMV, vírus herpes, flavivírus, hepatites virais e micobacterioses.
  • Jef Martins, relações públicas, sempre trabalhou com comunicação e acredita que é através dela que as diferenças passam a conviver de forma harmônica. Em 2015 participou da campanha “Cartaz HIV Positivo” comunicando através dessa ação sua sorologia positiva para o mundo. De lá pra cá, vem praticando o que batiza de “Ativismo de APP”, onde pretende através do micro, trocar com as pessoas sobre como é viver com HIV, prevenção combinada, e outras cositas más!
  • Micaela Cyrino, artista plástica e ativista.

 

Mesa “Eu uso PrEP” / “Eu usei PrEP”:

  • Artur Zalewska, criador do grupo de Facebook Fórum PrEP e voluntário da pesquisa PrEP Brasil, membro do Conselho de Acompanhamento Comunitário do CRT-DST/Aids e da FMUSP para pesquisas em HIV/Aids
  • Flávia Carvalhães já se sentia uma mulher desde de Criança, hoje cresceu e se tornou a Mulher que é hoje! Servidora, é uma pessoa reservada, guerreira, educada, carismática, atenciosa e que n aceita injustiças. Tem sonhos de fazer algumas cirurgias. É muito família e adora fazer amizades.
  • Lua Lucas, atriz, performer e cantora trans. Artivista militante da causa trans. Criou na funarte Sp a ocupação de gênero e sexualidade: oCU-Pah e vem lutando pela representatividade trans na arte e em todos os outros espaços. Formada pela Casa das artes de Laranjeiras no Rio, já encenou transexualidades nas pistas do Teatro Oficina Uzyna Uzona, em performances contra o machistério Temeroso dirigidas por Cibelle Forjaz e principalmente em festas LGBTQIA+. Acredita que a mulher trans feliz é um ato político e revolucionário!
  • Márcio Caparica, editor-chefe do Lado Bi, programa de rádio online e blog. Como designer gráfico e webdesigner, no mundo da produção jornalística, sempre ficou com a parte de deixar tudo lindo para os leitores, trabalhando na edição de arte de revistas como Recreio, Men’s Health e Runner’s World. Depois que foi se aventurar no mundo das agências e editoras menores, descobriu que, embora deixasse a revista linda, não havia senso estético que salvasse texto tosco. Então começou a correr atrás de maneiras de produzir o tipo de conteúdo que gostaria de encontrar.
  • Piero Mori, paulistano, tem 33 anos e é desenvolvedor web formado pela Universidade Mackenzie. Foi fundador e diretor do XTeens, ONG dedicada ao apoio de jovens e adolescentes LGBTs. É membro do Conselho de Acompanhamento Comunitário do CRT-DST/Aids e da FMUSP para pesquisas em HIV/Aids
  • Rico Vasconcelos, médico Clínico Geral e Infectologista formado pela Faculdade de Medicina da USP é hoje Médico Supervisor do Serviço de Extensão e Atendimento ao Paciente com HIV/Aids (SEAP HIV/Aids, Ambulatório de HIV do Hospital das Clínicas da FMUSP), trabalhando com atendimento de pessoas vivendo com HIV/Aids e com a formação de médicos residentes em infectologia e alunos da graduação da FMUSP. Além disso trabalha com prevenção de HIV desde 2010 quando participou como médico subinvestigador do iPrEX (Iniciativa da Profilaxia Pré Exposição). No momento atuando como coordenador clínico do centro da USP dos projetos PrEP Brasil e HPTN 083.

 

Local:

Faculdade de Medicina da USP
Rua Dr. Arnaldo 455, prédio central
Metrô Clínicas (saída Faculdade de Medicina)

7/12: Anfiteatro de Microbiologia – 2º andar – sala 2104
8/12: Anfiteatro dos Paramédicos – 4º andar – sala 4303

* PrEP é a profilaxia PRÉ-exposição, uso contínuo de antirretrovirais por pessoas negativas para o HIV, com objetivo de prevenção.
** PEP é a profilaxia PÓS-exposição, uso emergencial de antirretrovirais por 28 dias, que deve ser começado em até 72 horas após uma situação de sexo sem camisinha.