Todos os posts com a tag: profilaxia

Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é uma forma de prevenção da infecção pelo HIV usando os medicamentos que fazem parte do coquetel utilizado no tratamento da Aids, para pessoas que possam ter entrado em contato com o vírus recentemente, pelo sexo sem camisinha. Esses medicamentos, precisam ser tomados por 28 dias, sem parar, para impedir a infecção pelo vírus, sempre com orientação médica.

O atendimento inicial é de urgência: no caso de um possível contato com o vírus HIV, busque, o quanto antes, um serviço credenciado. Esse primeiro atendimento é considerado de urgência porque o uso dos medicamentos deve começar o mais cedo possível. O ideal é que você comece a tomar a medicação em até 2 horas após a exposição ao vírus HIV e no máximo após 72 horas. A eficácia da PEP pode diminuir à medida que as horas passam.

A indicação de utilização dos medicamentos para prevenção será avaliada por um médico.

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Encontros com Timothy Ray Brown — o “Paciente de Berlim”

Era 28 de janeiro. Eu saía do metrô quando notei que o céu começava a clarear, depois de uma manhã de vento e chuva. O termômetro da cidade marcava 12 graus. Dobrei a segunda rua à direita, e alcancei o Culturgest, prédio da Caixa Geral de Depósitos de Lisboa. Vesti o crachá que me entregaram na recepção e atravessei o saguão de carpete vermelho-sangue. À minha volta, os stands dos fabricantes de medicamentos antirretrovirais. Bristol-Myers Squibb, Gilead, Janssen, Merck Sharp & Dohme, ViiV Healthcare e AbbVie — esta última, fazendo propaganda do Kaletra, o primeiro antirretroviral que tomei, logo após o meu diagnóstico positivo para o HIV, em outubro de 2010. Impossível não lembrar de seus terríveis efeitos colaterais, vômitos e diarreia que perduraram incessantemente pelos quatro meses seguintes e me fizeram perder um total de 15 quilos. Só vim a melhorar com meu novo médico infectologista, o Dr. Esper Kallás, que, logo em nossa primeira consulta, recomendou a imediata troca do coquetel antirretroviral para outra combinação, e os efeitos colaterais cessaram totalmente. Agarrei um …

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HIV resistente ao Tenofovir não é incomum

Resistência a um dos principais medicamentos contra o HIV é comum no mundo todo e pode significar problemas para tratar e prevenir o vírus que causa a aids, de acordo com um novo estudo. Em algumas partes do mundo, mais de metade das pessoas que continuam a ter HIV não controlado mesmo sob tratamento acabaram por ter uma forma do vírus que é resistente ao medicamento Tenofovir, afirmam os pesquisadores na The Lancet Infectious Diseases. O novo estudo sugere que o tratamento e acompanhamento de pacientes com HIV no mundo todo precisa ser melhorado, bem como a vigilância deve ser aumentada, disse o autor sênior, Dr. Ravi Gupta, da University College London. “Se você desenvolver resistência, é uma perda muito grande.” O Tenofovir é o principal medicamento para tratar e prevenir o vírus da imunodeficiência humana, o HIV. O fármaco também pode ser usado para tratar a hepatite B. “Se você desenvolver resistência a isso, é uma perda muito grande”, disse o autor do estudo Dr. Robert Shafer, da Universidade de Stanford, na Califórnia. “A …

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Que boa notícia, hein, Lu?! (Foto: TV Globo)

Em Malhação, médica fala sobre o risco de adquirir HIV

Chegou a hora mais esperada na vida de Luciana (Marina Moschen): o resultado do seu exame de sangue. No consultório, a médica dá a boa notícia: “Veja aqui que o resultado do seu exame de HIV deu negativo”. A gata fica aliviada, e a profissional explica mais: “O risco de você adquirir o HIV naquele acidente era praticamente zero. Achei melhor receitar o remédio porque você e sua mãe estavam muito abaladas e receber o tratamento era um direito de vocês”. Luciana escuta com atenção todos os conselhos da doutora. “O rapaz com quem você se acidentou se trata desde criança e certamente ele está  com ‘carga viral indetectável’. Ele não está curado, mas tem tão pouco HIV no sangue dele, graças aos remédios, que a chance dele transmitir o vírus é praticamente nula”. [Continue lendo…] Em 15 de janeiro de 2016 pelo GShow

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#EuFaloSobre Malhação

Gabriel Estrëla, do Projeto Boa Sorte, aproveita a atual trama da telenovela Malhação, da Rede Globo, que agora conta com um jovem personagem soropositivo, para falar sobre profilaxia pós-exposição (PEP), risco de transmissão do HIV a partir de quem faz tratamento antirretroviral e tem carga viral indetectável e o direito ao sigilo a respeito da sorologia positiva.

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PrEP infantil previne transmissão na amamentação

Um estudo feito em quatro países da África, publicado no The Lancet, mostra que administrar uma fórmula líquida de medicamentos para o HIV em bebês com até 12 meses, durante a fase de amamentação com as suas mães soropositivas, é altamente eficaz em protegê-los da infecção, incluindo no período de 6 a 12 meses após o nascimento, o qual não tinha sido analisado em pesquisas anteriores. O estudo é pelo professor Philippe Van de Perre, do Institut national de la santé et de la recherche médicale (INSERM), em  Montpellier, França, e seus colegas. Estratégias para prevenir a transmissão vertical do HIV-1 pós-parto na África, incluindo proteger diretamente as crianças através de profilaxia com formulações pediátricas especiais de medicamentos para o HIV, nunca haviam sido avaliadas depois de 6 meses de amamentação, apesar da amamentação ser recomendada até 12 meses após nascimento. Neste novo estudo, os autores tinham como objetivo comparar a eficácia e a segurança da profilaxia infantil com dois regimes de drogas (Lamivudina ou Lopinavir/Ritonavir) para evitar a transmissão pós-parto do HIV-1 em até 50 semanas de …

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“Extra! Extra! Estrela de Hollywood tem HIV”

A década de 1980 está de volta: não na forma de estrelas pop do sexo masculino usando delineador, mas em manchetes gotejando o estigma. “Pânico de HIV em Hollywood”, anuncia o jornal The Sun. “Uma lista de astros que tiveram o diagnóstico abala o showbiz” e “Astro mulherengo tem uma lista de ex-amantes”, acrescenta. Ver a combinação de “HIV” e “pânico” na imprensa não é algo que a minha geração está acostumada; mas três décadas atrás, esta era uma norma trágica. Para aqueles que passaram boa parte de suas vidas fazendo campanha para superar o estigma dessa doença tratável, estamos num dia sombrio. “Mesmo com os avanços na testagem e no tratamento do HIV, ainda permanecem preconceitos infundados”, afirma a organização Terrence Higgins Trust. “Atitudes como esta é que perpetuam o estigma do HIV.” Se uma celebridade — ou qualquer outra pessoa — tem HIV, realmente não é da sua conta. E retratá-los como uma arma biológica ambulante, portadores de uma peste que os torna uma ameaça para os outros, tem consequências terríveis. A caça …

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Camisinha obrigatória na pornografia não ajuda a saúde pública

Por Scott Wiener em 7 de novembro de 2015 para Medium Há poucos dias, um referendo estadual [na Califórnia, Estados Unidos] passou a exigir que os atores de cinema adulto usem preservativos a partir de 2016. Embora possivelmente superficialmente atraente, esta medida é terrível para a saúde pública, e temos de derrotá-la. É uma medida de artifício que não tem apoio na comunidade ativista do HIV/aids para além da organização patrocinadora, a Aids Healthcare Foundation, de Los Angeles, que também se opôs e defendeu contra a profilaxia pré-exposição (PrEP), talvez a mais poderosa ferramenta de prevenção ao HIV que existe atualmente. Esta medida eleitoreira — que permite que os atores que não usem preservativos sejam processados — não resultará em um único preservativo adicional dentro dos filmes adultos. Ao invés disso, vai simplesmente levar a indústria de filmes adultos às ocultas ou para fora do estado, para regiões com menos infraestrutura de saúde pública que a Califórnia. Quando esta mesma organização patrocinou e aprovou uma medida eleitoreira similar no condado de Los Angeles há alguns …

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Susan Sontag, autora de Assim Vivemos Agora, A Doença Como Metáfora, entre outros ensaios.

Literatura pós-coquetel (parte 2)

Por Alexandre Nunes em 16 de outubro de 2015 para Revista Cariri As respostas à epidemia aids não podem ser entendidas fora do campo da discursividade. A síndrome surgiu atravessada pelos meios de comunicação que criavam sujeitos e estigmas. Foi assim que a imprensa a denominou inicialmente como Gay-Related Imunodeficience — GRID (Imunodeficiência relacionada a gays) e popularizou-a nos primeiros anos o Câncer Gay. Naquela mesma época, a escritora norte-americana Susan Sontag deu importante contribuição para o tema das problemáticas discursivas da aids. Talvez por ter passado pelo processo de estigmatização devido a um câncer (experiência que originaria seu ensaio hoje clássico, A Doença como Metáfora), Sontag, ao refletir sobre a aids em 1986, resolveu estender os argumentos do escrito anterior criando um outro texto divisor de águas: A Aids e Suas Metáforas. Como afirmou a autora já nas primeiras linhas do ensaio: “Relendo agora a doença como metáfora pensei […] a metáfora, escreveu Aristóteles, consiste em dar a uma coisa o nome de outra.” E é especialmente contra as metáforas de guerra no discurso …

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Literatura pós-coquetel (parte 1)

Por Alexandre Nunes em 6 de outubro de 2015 para Revista Cariri Houve um tempo em que viver com HIV era sinônimo de sentença de morte. E houve um tempo em que esta sentença não existia discursivamente nas realidades dos governos e das políticas públicas. O início da epidemia de aids foi marcado pelo pânico moral e o processo de implementação do neoliberalismo no mundo, o que levou o então Presidente dos EUA Ronald Regan a vergonhosamente pronunciar o nome da síndrome em público apenas em 1987, próximo ao final do seu segundo mandato. Naquele momento já faziam mais de quatro anos desde que o vírus tinha sido identificado e contabilizava-se milhares de mortes. A reação a tal negligência viria dos movimentos sociais e em especial dos ativismos ligados às artes. Era a época do surgimento do Queer Nation e do Act Up, este último com seu clássico slogan: silêncio = morte. Diante da flagrante omissão das autoridades, era necessário falar. E foi assim que se configurou um fenômeno, chamado por Marcelo Secron Bessa de …

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