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Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é uma forma de prevenção da infecção pelo HIV usando os medicamentos que fazem parte do coquetel utilizado no tratamento da Aids, para pessoas que possam ter entrado em contato com o vírus recentemente, pelo sexo sem camisinha. Esses medicamentos, precisam ser tomados por 28 dias, sem parar, para impedir a infecção pelo vírus, sempre com orientação médica.

O atendimento inicial é de urgência: no caso de um possível contato com o vírus HIV, busque, o quanto antes, um serviço credenciado. Esse primeiro atendimento é considerado de urgência porque o uso dos medicamentos deve começar o mais cedo possível. O ideal é que você comece a tomar a medicação em até 2 horas após a exposição ao vírus HIV e no máximo após 72 horas. A eficácia da PEP pode diminuir à medida que as horas passam.

A indicação de utilização dos medicamentos para prevenção será avaliada por um médico.

A política pode ajudar a controlar a epidemia de HIV/aids

Brasil Post
O controle da epidemia de HIV/aids sempre esteve muito ligado — senão totalmente dependente — à duas coisas: desenvolvimento científico e vontade política. O primeiro evoluiu muito, das dezenas de pílulas diárias com terríveis efeitos colaterais para o atual único comprimido diário de baixíssima toxicidade. O segundo, por sua vez, teve seus altos e baixos.

Diz-se, por exemplo, que se o ex-presidente americano Ronald Reagan tivesse sido mais enfático na resposta inicial contra a epidemia, no começo dos anos 80, é possível que esta nunca tivesse tomado proporções mundiais, tal como aconteceu. Desde a primeira publicação médica sobre a doença, em 1981, passaram-se anos até que Reagan mencionasse publicamente a aids pela primeira vez, em outubro 1987, e finalmente tomasse medidas para controlar a doença. Neste intervalo de seis longos anos, a imprensa já divulgava amplamente notícias sobre a epidemia e, mesmo assim, Reagan mantinha silêncio. Quando resolveu agir, os Estados Unidos já contava com quase 60 mil casos identificados de infecção naquele ano — 28 mil dos quais morreram. Desde então, estima-se que o HIV/aids já tenha matado 36 milhões de pessoas no mundo todo.

Com o avanço médico e científico, as mortes foram controladas. Cada vez menos pessoas morrem de HIV/aids e, por isso, passamos a contar os vivos: hoje, há 35,3 milhões de pessoas vivendo com HIV/aids no mundo todo. E a expectativa de vida daqueles que têm tratamento adequado já é muito semelhante à de pessoas que não vivem com HIV, com tendência a se igualar nos próximos anos. Para avaliar a epidemia, também é computada a taxa de incidência, isto é, o número de novas infecções. Para que a epidemia seja controlada precisamos impedir que novas infecções aconteçam.

As ferramentas médicas e científicas para isso já estão disponíveis. Sabemos, por exemplo, que é muito importante aumentar o número de testes realizados. Um exemplo prático é o caso de São Francisco, nos Estados Unidos, onde o aumento do número de testes de HIV reduziu o número de novas infecções. Com mais testes, as pessoas eventualmente diagnosticadas positivas para o vírus iniciam o tratamento mais cedo, o qual, bem-sucedido, reduz vertiginosamente a transmissibilidade, inclusive em casos de falha no uso da camisinha.

Esse entendimento, aliás, influiu diretamente na legislação americana: em julho deste ano o Departamento de Justiça americano publicou o “Guia de Melhores Práticas para Reformar as Leis Penais Específicas para o HIV e Alinhar com Fatores Cientificamente Comprovados”, a fim de acabar com as leis discriminatórias que ainda vigoravam em alguns estados daquele país e já levaram à cadeia centenas de soropositivos que não transmitiram o vírus a seus parceiros sexuais. Agora, ao invés de condenar soropositivos à prisão, a justiça americana está ordenando que busquem tratamento antirretroviral.

Mais recentemente, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças americano (CDC, na sigla em inglês) lançaram uma nova campanha de HIV/aids exclusivamente focada no tratamento para o HIV, como meio eficaz para prevenir a incidência de casos de infecção. Em outras palavras, como diz a própria campanha do CDC: “O tratamento para o HIV funciona”. A ideia, com isso, é fazer com que as pessoas não tenham medo de fazer o teste de HIV e iniciar o tratamento, fundamental para reduzir a transmissibilidade.

Americanos, britânicos e canadenses já atualizaram suas diretrizes sobre a redução do risco de transmissão com o tratamento antirretroviral e vários países já adotaram a profilaxia pré exposição, que consiste no uso controlado dos medicamentos antirretrovirais para prevenir a eventual exposição ao HIV em populações vulneráveis, tal como recomendado pela OMS. Nesse quesito, infelizmente, o Brasil está para trás: o País ainda não fez uma diretriz que oriente seus profissionais de saúde sobre os últimos avanços científicos. Como consequência, as informações divulgadas são, muitas vezes, contraditórias e equivocadas, aumentando a desinformação sobre prevenção, teste e tratamento.

O País sempre foi exemplo na luta contra a aids, com tratamento universal e gratuito. Precisamos continuar assim e melhorar, acompanhando de perto os últimos estudos, aumentando o número de testes e cuidando melhor da distribuição de medicamentos, tão importante para estimular a adesão ao tratamento. É preciso acabar com as frequentes reduções no estoque de medicamentos que temos experimentado nos últimos anos e implementar o antirretroviral em único comprimido, prometido há vários anos e que ainda não chegou às farmácias do SUS. Também precisamos falar mais sobre HIV/aids para reduzir o estigma. Silêncio não funciona.

Ainda assim, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Everaldo Pereira (PSC), Eduardo Jorge (PV) e Luciana Genro (PSOL) preferiram não falar nada sobre a epidemia de HIV/aids. Sequer responderam à pergunta: qual a sua proposta para combater a epidemia de HIV e aids no país?, feita pela Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA) para a edição de setembro de seu Boletim. O único candidato que o fez foi Aécio Neves (PSDB).

Em seu discurso, Aécio vai ao encontro das últimas diretrizes da OMS, ao dizer que “os programas de prevenção abordarão temática atualizada, não preconceituosa e objetiva, com foco nos grupos mais vulneráveis diagnosticados através de inquéritos epidemiológicos realizados e divulgados em todo o país”. Sobre o número de testes, afirma que “o objetivo é reduzir o diagnóstico tardio através da disponibilização de testes rápidos”. Ele não se posiciona claramente sobre a profilaxia pré-exposição, mas abre espaço para conversa, dizendo que este é um assunto a ser “discutido pela academia, organizações não governamentais e governo sempre galgados em protocolos científicos e clínicos de desenvolvimento local e internacional.” Enfim, ele tem o meu voto.

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Podemos falar de alternativas de prevenção?


Aprender sobre métodos adicionais de prevenção do HIV não diminui uso de camisinha

Por Roger Pebody em 15 de setembro

Campanhas de saúde podem combinar informações sobre preservativos e métodos alternativos de prevenção biomédica sem prejudicar as atitudes e as intenções de usar preservativos, de acordo com um estudo experimental publicado na edição de setembro da Aids & Behavior.

“Nossos resultados são inconsistentes com a teoria da compensação de risco, que postula que o uso de uma abordagem de prevenção biomédica vai levar a atitudes e intenções menos positivas em relação ao uso de preservativos”, disseram os autores.

Normalmente, as mensagens de educação em saúde incentivam as pessoas a um único curso de ação, sem considerar opções alternativas. No entanto, uma abordagem de “prevenção combinada” pode incluir a defesa quanto ao uso de mais de um método de proteção. Há poucas pesquisas sobre como receber diversas mensagens de prevenção afeta a atitude e intenção de usar preservativos. Os preservativos continuam a ser uma forma particularmente barata e eficaz de prevenção da transmissão do HIV naqueles que estão satisfeitos em usá-los.

A partir disso, os pesquisadores realizaram um experimento em que homens homossexuais soronegativos assistiram à vídeos informativos sobre diversos métodos de prevenção. Quatro vídeos de prevenção do HIV foram desenvolvidos: um focando apenas na camisinha, outros apenas na PrEP (profilaxia pré-exposição), outro apenas na PEP (profilaxia pós-exposição) e um último apenas sobre microbicidas retais. Cada vídeo tinha um estilo semelhante, oferecendo uma gama semelhante de informações factuais sobre o custo financeiro do processo, da eficácia na prevenção da infecção, modo de operação, efeitos colaterais e impacto sobre o prazer sexual.

Os participantes do estudo foram distribuídos aleatoriamente para assistir a um único vídeo, uma combinação de dois vídeos ou todos os quatro vídeos juntos. Em seguida, os pesquisadores pediram aos homens para falar sobre a sua intenção de usar o(s) método(s) de prevenção do(s) qual(is) acabara(m) de receber informações sobre. Além disso, os entrevistados foram questionados sobre as vantagens e desvantagens de sexo com e sem preservativo.

Uma amostra de 803 homens homossexuais soronegativos foi recrutada através de publicidade direcionada pelo Facebook, nos Estados Unidos. Vale notar que os homens desta amostra relataram taxas relativamente altas de uso de preservativos — quatro em cada cinco disseram que sempre usaram preservativos com parceiros casuais no ano passado.

Os pesquisadores queriam verificar se ouvir falar de opções alternativas de prevenção faria com que as pessoas se sentissem menos favoráveis ao uso do preservativo. Os resultados foram muito reconfortantes: não houve diferença significativa entre os participantes em sua intenção de uso do preservativo ou em sua opinião sobre os preservativos, seus custos e benefícios, a partir dos vídeos que tinham sido vistos.

O mesmo se deu quanto à intenção do uso PEP, PrEP ou microbicidas retais. Ver informações sobre opções adicionais não fez diferença para a intenção dos homens em usar um método específico (por exemplo, um microbicida) ou foi associado a uma maior intenção de usá-los (PEP, PrEP).

Os resultados foram consistentes para os homens que relataram relações sexuais desprotegidas com parceiros casuais, e os homens que não o fizeram.

Os pesquisadores concluíram que “em resumo, nossos resultados sugerem não haver diferenças nas atitudes e intenções em relação ao uso do preservativo ou sexo desprotegido quando HSH [homens que fazem sexo com homens] recebem breves mensagens sobre preservativos e diversos métodos de prevenção biomédica”. Os pesquisadores acreditam que os resultados devem incentivar aqueles que pretendem disseminar informações sobre as opções de prevenção biomédica.

Referência
Mustanski B et al. Effects of Messaging About Multiple Biomedical and Behavioral HIV Prevention Methods on Intentions to use Among US MSM: Results of an Experimental Messaging Study. AIDS and Behavior 18: 1651-1660, 2014.

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Em desenvolvimento


Novos medicamentos em desenvolvimento trazem esperança a pacientes com HIV/aids

Washington, DC (10 de setembro de 2014) as empresas de pesquisa biofarmacêutica dos Estados Unidos estão atualmente desenvolvendo 44 medicamentos e vacinas para o tratamento e prevenção do HIV/aids, de acordo com os mais recente relatório Medicamentos em Desenvolvimento, feito pelo Pharmaceutical Research and Manufacturers of America (PhRMA). Um segundo relatório, um informe oficial da Boston Healthcare Associates, Inc. (BHA), patrocinado pela PhRMA , O Valor da Inovação na Terapia de HIV/aids”, destaca os progressos no tratamento de HIV/aids e seu impacto sobre os pacientes que sofrem com a doença.

Ambos os relatórios estão sendo lançados em conjunto com o Prêmio de Pesquisa e Esperança 2014 da PhRMA, que irá homenagear os pesquisadores e defensores dos pacientes pelo seu papel na melhoria da pesquisa e do tratamento de HIV/aids.

Vários avanços médicos têm ocorrido desde 1981, quando os Centros de Controle e Prevenção de Doenças identificou os cinco primeiros casos de HIV/aids. Desde que o tratamento antirretroviral (ARV) foi aprovado, em 1995, mortes relacionadas com o HIV/aids caíram em 83% nos Estados Unidos, resultando em uma queda de 32% em internações relacionadas ao HIV/aids. Estes medicamentos estão melhorando a assistência global para os pacientes e estão ajudando a evitar os custos associados ao tratamento da doença. De acordo com um estudo da Universidade de Chicago, os pacientes de HIV/aids hoje vivem 15 anos mais do que na década de 1980.

“Ao longo dos últimos 35 anos, o HIV/aids passou de uma sentença de morte para uma doença crônica, doença controlável em grande parte graças aos avanços da pesquisa biofarmacêutica“, disse o presidente e CEO da PhRMA John J. Castellani. Apesar do progresso que tem sido feito, os pesquisadores continuam a luta contra o HIV/aids e, com mais de 40 medicamentos a caminho, mais esperança do que nunca de que uma cura pode ser alcançada.

Atualmente, as empresas biofarmacêuticas estão focadas na melhoria dos regimes de tratamento, terapias mais eficazes e vacinas preventivas que estão tanto em estudos clínicos ou aguardando revisão pela Food and Drug Administration. Os 44 medicamentos e vacinas no caminho de desenvolvimento incluem 25 medicamentos antivirais, 16 vacinas e três terapias de células/gene. Estes incluem:

  • Medicamento com intenção de impedir o HIV de romper a membrana celular;
  • Terapia celular que modifica as próprias células do paciente, numa tentativa de tornar estas resistentes ao HIV; e,
  • Vacina terapêutica para a indução de respostas de células T, que desempenham um papel na proteção imunitária contra infecções virais.

Hoje, existem 94 estudos clínicos em andamento para medicamentos de HIV e vacinas nos Estados Unidos. Destes, 43 ainda não começaram a recrutar pacientes ou começaram recentemente a buscar participantes. As terapias que estão sendo pesquisadas envolvem inibidores de fixação, a modificação de gene e indução de respostas de células T, entre outros. O desenvolvimento de terapias novas e inovadoras não seria possível sem os pacientes que se voluntariam para participar em estudos clínicos. Estes estudos, em combinação com as novas abordagens científicas promissoras que os pesquisadores estão usando, colaboram com o progresso na luta contra a infecção pelo HIV.

De acordo com o relatório Valor da Inovação na Terapia de HIV/aids, os avanços no tratamento, incluindo o método de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), evoluíram ao longo do tempo, resultando em melhores resultados para os pacientes através do uso de medicamentos mais cedo e em combinação. Uma pesquisa recente revelou que muitas destas terapias são eficazes na prevenção da transmissão de vírus. Ambas diretrizes nacionais e internacionais recomendam o uso da PrEP de medicamentos como parte de um plano abrangente de prevenção do HIV em populações que são desproporcionalmente afetadas pelo HIV.

Para destacar a inovação e o progresso no tratamento do HIV/aids e ouvir as histórias inspiradoras dos vencedores Prêmio de Pesquisa e Esperança, a PhRMA realizará uma coletiva de imprensa no Capitol Visitor Center.

Sobre a PhRMA
A Pharmaceutical Research and Manufacturers of America (PhRMA) representa as principais empresas biofarmacêuticas inovadoras do país em pesquisa e biotecnologia, que são dedicados à descoberta e desenvolvimento de medicamentos que permitem que os pacientes vivam mais tempo, de forma mais saudável e mais produtiva. Desde 2000, as empresas associadas à PhRMA investiram mais de US$ 550.000.000.000 na busca de novos tratamentos e curas, incluindo uma estimativa de 51,1 bilhões dólares apenas em 2013.

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Novos anticorpos e vacinas


Um time de cientistas do NIH descobriu um anticorpo contra o HIV que se liga a um novo alvo no vírus

Uma equipe de cientistas liderada pelo NIH  descobriu uma nova vulnerabilidade na armadura do HIV, a qual uma vacina, outro regime ou tratamento preventivo poderia explorar. O local fica entre duas proteínas, gp41 e gp120, que se projetam para fora do vírus, aumentando o número de lugares conhecidos onde anticorpos amplamente neutralizantes (bNAbs) se ligam ao HIV. Este novo local recentemente identificado no vírus é onde um novo anticorpo encontrado pelos cientistas em uma pessoa infectada pelo HIV liga-se ao vírus. Chamado 35O22, o anticorpo é extremamente potente: impediu 62% das cepas conhecidas de HIV de infectar as células em laboratório, o que quer dizer que mesmo uma quantidade relativamente pequena foi capaz de neutralizar o vírus.

Em seguida, os cientistas descobriram que anticorpos semelhantes ao 35O22 são comuns em um grupo de pessoas infectadas pelo HIV, cujo sangue continha anticorpos que neutralizaram potencialmente uma ampla gama de cepas de HIV. Segundo os pesquisadores, isso sugere que pode ser mais fácil para uma vacina provocar o corpo a produzir o 35O22 do que alguns outros bNAbs conhecidos, que são menos comuns.

Uma vez que o 35O22 se liga apenas à partes da superfície do vírus que aparecem naturalmente no HIV, os cientistas acreditam que uma vacina que induza os anticorpos 35O22 precisaria imitar a forma natural do vírus, tanto quanto possível. Isso exigiria uma abordagem diferente do que a utilizada em muitas vacinas anteriores e experimentais contra o HIV, que incluíram apenas a partes superfície do vírus, em vez de uma estrutura que se parece com todo o vírus.

Além disso, relatam os pesquisadores, as cepas de HIV que 35O22 neutraliza complementa as cepas neutralizadas por outros bNAbs. Isto sugere que a indução combinanda do 35O22 com alguns outros bNAbs em uma vacina, PrEP ou tratamento poderia neutralizar a grande maioria das cepas de HIV encontradas em todo o mundo, de acordo com os cientistas.

ARTIGO:
J Huang et al. Broad and potent HIV-1 neutralization by a human antibody that binds the gp41-120 interface. Nature DOI: 10.1038/nature13601 (2014).
QUEM:
Anthony S. Fauci, M.D., director of the National Institute of Allergy and Infectious Diseases, part of NIH, is available for comment. Mark Connors, M.D., chief of the HIV-Specific Immunity Section of the NIAID Laboratory of Immunoregulation and the principal investigator of the study, also is available for interviews.


Cientistas recebem US$ 25 milhões para vacina que pode prevenir e curar o HIV

A Oregon Health & Science University (OSHU) recebeu uma doação de US$ 25 milhões da Fundação Bill & Melinda Gates para a pesquisa de vacinas contra o HIV, de acordo com uma declaração da OSHU. A vacina que está sendo pesquisada na OSHU, por uma equipe liderada pelo Dr. Louis Picker, pode, eventualmente, tanto prevenir a infecção pelo HIV como curar as pessoas infectadas pelo vírus.

Em 2013, a equipe da OSHU publicou seus resultados na revista Nature, os quais foram considerados um avanço potencial na pesquisa de vacinas contra o HIV. Eles criaram uma vacina por engenharia do citomegalovírus (CMV), que é um vírus comum encontrado na maioria dos seres humanos e primatas, para fazer expressar proteínas de vírus da imunodeficiência símia (SIV).

Após a vacinação de 16 macacos rhesus, os cientistas, em seguida, infectaram eles com uma forma altamente agressiva de SIV, que é o primo do HIV que pode causar a aids nos primatas. Nove dos macacos eliminaram o vírus. A vacina conseguiu produzir uma resposta imunológica sustentada a partir de células-T de memória eficaz, ou células CD8, que matam as células infectadas pelo SIV.

A doação de Gates vai ajudar a financiar a Fase I dos estudos clínicos para testar a segurança de uma versão de um protótipo humano da vacina em seres humanos. A doação também irá ajudar a financiar o desenvolvimento de uma versão otimizada da vacina para testes de eficácia em escala maior. Esta doação é focada principalmente na prevenção, mas a mesma tecnologia será aplicada para a cura.


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Vídeo

Não é sofrido viver com HIV?

Brasil Post

Há algumas semanas, fui abordado, por e-mail, por dois jornalistas da mais conhecida emissora de TV do país. Eles me convidavam a participar de um programa, no qual tratariam do tema da “aids nos dias de hoje”. Para isso, diziam, gostariam de entrevistar jovens que sofrem com os efeitos colaterais dos medicamentos antirretrovirais. Segundo eles, mesmo com os avanços no tratamento e uma vida normal, ainda existiria esta consequência do uso dos remédios contra o HIV. Mostrar isso, contar essa história de sofrimento constante após o diagnóstico, seria uma maneira de fazer um alerta para que as pessoas se cuidem, se previnam mais.

Embora eu tenha sofrido com efeitos colaterais no passado, recusei a entrevista, pois eu não mais sofro com isso. Quando fui diagnosticado positivo para o HIV, em outubro de 2010, eu tinha pouco conhecimento sobre o HIV e da vida de quem toma antirretrovirais. Sobre o HIV e aids, lembro que aprendi na escola, ouvi de meus pais e assisti na extinta MTV Brasil que era preciso usar camisinha, camisinha e camisinha. Essa era a única história que contavam, cujo final trágico em caso de falha em seu uso era o diagnóstico positivo. Recebido o resultado “reagente” para o teste de HIV, eu, claro, entrei em desespero. Eu não sabia qual era a história que se seguiria a partir dali, mas presumia que não seria nada agradável.

O primeiro médico infectologista que visitei, Dr. O., corroborou com essa presunção. Me explicou que os efeitos colaterais dos remédios que eu estava prestes a tomar eram quase que inevitáveis e, muitas vezes, tão fortes que poderiam me levar ao hospital. “Se isso acontecer, me dê uma ligada”, disse ele. Tomei os primeiros comprimidos de Kaletra e Biovir, a combinação de antirretrovirais sugerida pelo doutor, às 22h do dia 5 de janeiro de 2011. Às 22:30h, já corria para o banheiro, com dores abdominais indescritíveis e uma diarreia que jamais experimentara antes. Dias depois, fui sim parar no pronto-socorro, depois de acordar vomitando e vomitando, sem parar. Liguei, mas o doutor não atendeu. Noutra ocasião, defequei nas calças, enquanto andava na rua. Foram quatro meses, sob esta mesma combinação de remédios a qual o doutor insistia ser a melhor, de contínuo e constante sofrimento, traçando uma história condizente com a esperada por mim quando li “reagente” no papel do laboratório — afinal, não é sofrido viver com HIV?

Essa última pergunta foi feita meses antes por outra jornalista, de uma revista feminina de saúde do Grupo Abril, que me cedeu toda uma página para escrever sobre a vida com HIV. Era a edição de junho, mês do dia dos namorados. Meu texto foi integralmente reproduzido, tal como eu o escrevi, exceto seu final. O ponto de exclamação, digitado por mim, foi substituído por reticências, mudando completamente o sentido da última frase. Noutras palavras, o bom humor foi trocado por melancolia e, pior, bem no final do texto. Quando questionei a jornalista, sua resposta foi sincera: “nós nunca imaginaríamos que não seria sofrido viver com HIV.” Ainda assim, a exclamação não voltou. E, para que as reticências não ficassem, o acordo foi encerrar o texto sem a última frase.

É claro, durante toda minha história inicial com HIV, seria impossível ter usado exclamação. Mas aprendi que não precisava ser assim. Comecei a ler, pesquisar, escrever e acabei por mudar de médico. Conheci o Dr. Esper Kallás, meu infectologista atual. Sua primeira recomendação foi trocar meu coquetel “por um menos tóxico”. Mal sabia eu que era possível fazer essa troca, que havia outras opções de combinação de remédios e tampouco que poderia haver uma que não me causaria efeitos colaterais. Dito e feito. Em 24 horas após a troca dos meus medicamentos, a diarreia cessou. O enjoo sumiu. E a minha vida voltou ao normal.

Ainda demorou para que eu reescrevesse a minha história, compreendendo que havia espaço para bom humor e mais leveza. Hoje, percebo que o começo da minha história com o vírus foi enormemente influenciado pela única história que se contava do HIV e de quem vive com ele: uma história de medo, dor, tragédia e sofrimento. Hoje, aprendi que o diagnóstico positivo é difícil, sim, mas não é uma tragédia sem fim. É possível dar a voltar por cima e entender que a história que nos é contada repetidas vezes, a “oficial”, não é a única e está longe de ser a melhor.

É verdade também que a minha história não é a única história. Existem aqueles que, apesar de experimentar todas as combinações possíveis de coquetel, ainda assim sofrem com efeitos colaterais. Existem aqueles que, diagnosticados nas primeiras décadas da epidemia, já se tornaram resistentes aos medicamentos menos tóxicos, com menos efeitos colaterais, ou que, na pior das hipóteses, tiveram efeitos colaterais físicos irrecuperáveis, como lipodistrofia e danos neurológicos que causam dores constantes. Porém, a minha história é uma história real e representa a de muitas pessoas que vivem bem e com HIV. Sei que é uma história que ajuda quem foi diagnosticado a não cair em desespero e quem está com medo de fazer o teste de HIV a seguir em frente e fazê-lo logo.

Estamos numa nova era da epidemia de HIV/aids. É hora de mudar esta velha história que é contada por aí, de medo, culpa e sofrimento. A “aids nos dias de hoje” não é mais a dos efeitos colaterais, mas a da melhora no tratamento com um apenas um único comprimido por dia, da supressão do vírus no organismo para níveis indetectáveis, o que faz daqueles que vivem com HIV e tomam antirretrovirais como parceiros sexuais mais seguros do que parceiros de sorologia desconhecida, da expectativa de vida igual a de soronegativos, das alternativas de prevenção ao uso da camisinha, do fim do medo e da culpa pela falha em seu uso e da consciência que quem cuida da saúde, soropositivo ou soronegativo, deve se orgulhar disso, pois esta é a melhor forma de controlar a epidemia no mundo.

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Positivo e indetectável: o que isso quer dizer?


Sou soropositivo, faço tratamento e estou indetectável. Então, sai do meu pé!

Por Dave. R. para o PositiveLite.com em 22 de agosto de 2014

Dave R. pergunta: “Você não faria sexo comigo porque eu tenho HIV? Eu ofereço menos risco do que você, meu amigo. Vá em frente, tente provar que estou errado!”

Estou oficialmente cansado de ser tratado como um pária (que no dicionário é definido como: “um termo de censura e abuso: uma pessoa inútil ou desprezível; um miserável, um vira-lata.”)!

De onde vem isso? Sou soropositivo, estou em tratamento e o vírus é indetectável no meu corpo. Ainda assim, sou visto como impuro, indigno de toque e pouco atraente. Por que isso? Porque é que o mundo, em geral, e, sim, os meus companheiros homossexuais, sempre empáticos, acham isso? Você sabe me explicar?

Apesar das últimas pesquisas e do fato de praticamente não haver casos conhecidos de uma pessoa como eu, com carga viral indetectável, infectar outra pessoa, por que eu não entro para o grupo de pessoas consideradas como parceiros sexuais seguros? Rejeições recentes, sutis e rudes, confirmaram o meu status como um pária social, mesmo dentro da minha própria comunidade.

Estou generalizando, é claro. Existem centenas de razões pelas quais as pessoas não me acham atraente, para não falar da minha idade cronológica. Tudo bem, não há problema quanto a isso. Está no olho de quem vê. No entanto, quando sou rejeitado por causa da sigla mais carregada de conotações e histórias antiquadas de todas, o HIV, isso me irrita.

Pessoas que vivem com HIV já passaram por 30 anos de infecção, sobrevivência, tratamento, melhora do tratamento, até tornarem-se saudáveis e indetectáveis, provando-se opções sexuais mais seguras do que alguém que não faz o teste. Ainda assim, somos vistos como “impuros”, que devem evitados e humilhados a todo custo.

Eu aceito que demore algum tempo para que a população em geral acompanhe as notícias e entenda que as pessoas indetectáveis ​​não transmitem o vírus. Mas me aborreço diante do fato de que ninguém está interessado em divulgar esta notícia. Também me irrito diante da covardia das organizações em prol dos soropositivos e dos meios de comunicação LGBT, que também são relutantes em publicar quaisquer descobertas que possam danificar a mensagem de sexo seguro, sempre qualificando qualquer declaração com ressalvas. Quem é que não está farto de ler “A pesquisa sugere …”?

Qual é o problema destas organizações? O problema delas está em recusar a aceitar que o Tratamento como Prevenção [TasP, do inglês Treatment as Prevention] vai derrubar a transmissão do HIV. Ao invés disso, gritam como se a liberdade pessoal estivesse sob ataque, sempre que se sugere que todo mundo deveria ser testado e, se necessário, tratado para o HIV. Não há lógica por trás disso e, ainda assim, as organizações LGBT em todo o mundo estão enterrando a cabeça na areia, se recusando a encarar os fatos.

Aquele idiota, [diretor da Aids Healthcare Foundation, Michael] Weinstein, que disse que o Truvada não é nada mais do que uma droga para festas capaz de nos levar às orgias em uma escala romana, tipifica este grupo de pessoas que, devemos concordar, estão desgostosas com a ideia de um pênis sem camisinha entrar num ânus. São tão arrogantes que não podem confiar que existem pessoas capazes de fazer escolhas sensatas e assumir a responsabilidade pela sua própria saúde. Ainda assim, este homem é chamado de líder dos soropositivos! Porém, não é disso o que precisamos mais. Temos os meios para reduzir o estigma do HIV, mas, mesmo assim, julgamentos morais ainda governam o dia.

Recentemente, tive a experiência pessoal de ser categorizado e rotulado a ponto de humilhação e desprezo. Depois de ter perdido uma relação de amizade, decidi me reerguer voltar ao mundo dos relacionamentos. No entanto, há muito tempo desisti da ideia de esconder o meu status sorológico e minha história — é tanto parte de quem sou, que é inútil tentar escondê-lo. Diferentemente de como fazia antes, em vez de ser passivo e esperar que as pessoas entrassem em contato comigo, decidi enviar mensagens exploratórias para aqueles com quem senti que poderia estar interessado. Não entrei em contato com jovens, ou mesmo com pessoas com menos de 40, pois me sinto atraído por pessoas maduras que já viram um pouco da vida. Minha ideia era falar abertamente da minha condição e não esconder os fatos.

Algumas reações foram francamente horripilantes. Demonstraram negação completa da minha existência e silêncio total a partir da minha revelação, ou até investidas contra minha moral, duvidando e sugerindo que eu tivesse praticado atos de depravação, me acusando de querer espalhar a minha “doença” entre os “inocentes”. Felizmente, nem todo mundo reagiu dessa forma. Houve aqueles que educadamente me disseram que não iriam nunca considerar ter relações sexuais com um cara positivo (o que não é bom para o ego, mas aceitável em nome da liberdade de escolha) e aqueles que francamente admitiram que estavam com medo de serem infectados. Ao meu ver, honestidade nunca é insulto.

Para muitas pessoas, é simplesmente impossível tentar apresentar os fatos. As campanhas de saúde pública dos anos 80 fizeram o seu trabalho muito bem, fazendo todos pensarem que estávamos morrendo — e, de fato, muitos morreram. Porém, agora já se passaram mais de 20 anos. Ainda assim, informar as pessoas sobre as últimas descobertas científicas não vem como crível: elas não estão lendo isso como prova científica e nos meios de comunicação adequados.

Informar as pessoas que soropositivos indetectáveis ​​e em tratamento são sexualmente mais seguros do que a maioria das pessoas seria uma boa notícia, digna de alarde por todos os meios. No entanto, há uma relutância tangível em dar às pessoas os fatos. Provavelmente, porque muito poucos escritores de manchete são capazes de resistir a frase que vem depois dela, como “… orgias sexuais ilimitadas inevitáveis!” Nós já estamos enfrentando o tsunami do uso do Truvada na prostituição, pois a prevenção também é vista como uma porta de entrada para a depravação.

O problema é que, para muita gente, a palavra “indetectável” significa muito pouco. A palavra não representa o que deveria: risco quase nulo de infecção. A palavra não está sendo usada lá fora e eu quero saber o porquê. Precisamos driblar os sites de organizações gays com um pensamento mais liberal e também precisamos — eu odeio dizer isso — que os meios de comunicação heterossexuais façam algum jornalismo sério, educando as pessoas.

Os detratores mais racionais dizem que é muito cedo e que as chances de erro, com todas suas possíveis consequências, são muito grandes. OK. Mas prove para mim que as pessoas indetectáveis ​​são, de algum modo, um perigo para os outros. E traga os fatos: quantas pessoas em tratamento, com um sistema imunológico forte e níveis indetectáveis ​​de HIV no sangue infectaram alguém? Você não pode dizer, porque não existe ninguém.

O argumento contra é o de que o HIV pode permanecer detectável em outros fluídos e órgãos do corpo e que ele é indetectável apenas nos métodos de ensaio atuais. Mesmo supondo que seja assim mesmo, os níveis “invisíveis” pelos exames atuais devem ser minúsculos, dado que a infecção cruzada simplesmente não está acontecendo. Caso contrário, haveria estatísticas de todo o mundo, com pessoas indetectáveis ainda infectando outras pessoas. Se você tem argumentos contra, eu imploro, refute o meu ponto de vista.

Só podemos concluir que, para além do sempre presente perigo de outras DSTs (sempre presente também para o resto da população, gostaria de lembrar), o meu estado presente significa que ninguém pode pegar HIV de mim, se eu fizer sexo seguro ou não. Não fosse verdade, os aumentos de infecção pelo HIV teriam sido inundados por milhões de novos casos, se espalhando como incêndios florestais em todo o mundo.

O ressurgimento do barebacking [sexo anal sem camisinha] (se é que já foi embora um dia) teria visto muitas infecções deste tipo. A cepa mais comum de HIV começou em um lugar e se espalhou em 10 anos por todo o mundo. Algo está impedindo que isso aconteça novamente e este algo é o tratamento antirretroviral eficaz. Sim, casos de novas infecções ainda estão acontecendo, mas eles são em sua maioria de pessoas que não sabem que estão infectadas porque ainda não fizeram o teste. Assim, agora que o pânico do HIV está mais brando, considerando o número de jovens (e idosos) que descartam os preservativos, por que é que não vemos o HIV fora de controle novamente? Porque o tratamento é danado de eficaz.

Pessoas com HIV e indetectáveis são parceiros sexuais seguros. Se você sabe de algo que eu não sei e tem evidência para sustentá-lo, prometo engolir minhas palavras. Enquanto isso, não há razão para não dizer ao mundo os fatos e definir as pessoas indetectáveis longe das algemas do estigma. O problema que temos é um problema de imagem. Nós já estamos contaminados; já estamos sujos demais para deixar esse conhecimento solto no mundo novamente.

Na busca por aceitação entre a sociedade cética, nossas próprias organizações se esqueceram de que o sexo é uma parte integrante da nossa identidade e preferem que não falemos sobre isso. Atrevo-me a dizer que a razão disso é para evitar que os patrocinadores não cortem seu apoio! Estão esperando que toda a primeira e segunda geração de soropositivos morra (de causas naturais) para, em seguida, com um novo tom rosado, as comunidades LGBT ilibadas tomarem o seu lugar na sociedade, imaculadas pela insinuação sexual do HIV.

Os homossexuais continuam a fazer sexo pela bunda — e sempre o farão — e a população hetero nunca vai se esquecer disso, não importa quantos buquês de noiva e casas com cercas brancas em volta apareçam por aí.


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