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Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é uma forma de prevenção da infecção pelo HIV usando os medicamentos que fazem parte do coquetel utilizado no tratamento da Aids, para pessoas que possam ter entrado em contato com o vírus recentemente, pelo sexo sem camisinha. Esses medicamentos, precisam ser tomados por 28 dias, sem parar, para impedir a infecção pelo vírus, sempre com orientação médica.

O atendimento inicial é de urgência: no caso de um possível contato com o vírus HIV, busque, o quanto antes, um serviço credenciado. Esse primeiro atendimento é considerado de urgência porque o uso dos medicamentos deve começar o mais cedo possível. O ideal é que você comece a tomar a medicação em até 2 horas após a exposição ao vírus HIV e no máximo após 72 horas. A eficácia da PEP pode diminuir à medida que as horas passam.

A indicação de utilização dos medicamentos para prevenção será avaliada por um médico.

Positivo e indetectável: o que isso quer dizer?


Sou soropositivo, faço tratamento e estou indetectável. Então, sai do meu pé!

Por Dave. R. para o PositiveLite.com em 22 de agosto de 2014

Dave R. pergunta: “Você não faria sexo comigo porque eu tenho HIV? Eu ofereço menos risco do que você, meu amigo. Vá em frente, tente provar que estou errado!”

Estou oficialmente cansado de ser tratado como um pária (que no dicionário é definido como: “um termo de censura e abuso: uma pessoa inútil ou desprezível; um miserável, um vira-lata.”)!

De onde vem isso? Sou soropositivo, estou em tratamento e o vírus é indetectável no meu corpo. Ainda assim, sou visto como impuro, indigno de toque e pouco atraente. Por que isso? Porque é que o mundo, em geral, e, sim, os meus companheiros homossexuais, sempre empáticos, acham isso? Você sabe me explicar?

Apesar das últimas pesquisas e do fato de praticamente não haver casos conhecidos de uma pessoa como eu, com carga viral indetectável, infectar outra pessoa, por que eu não entro para o grupo de pessoas consideradas como parceiros sexuais seguros? Rejeições recentes, sutis e rudes, confirmaram o meu status como um pária social, mesmo dentro da minha própria comunidade.

Estou generalizando, é claro. Existem centenas de razões pelas quais as pessoas não me acham atraente, para não falar da minha idade cronológica. Tudo bem, não há problema quanto a isso. Está no olho de quem vê. No entanto, quando sou rejeitado por causa da sigla mais carregada de conotações e histórias antiquadas de todas, o HIV, isso me irrita.

Pessoas que vivem com HIV já passaram por 30 anos de infecção, sobrevivência, tratamento, melhora do tratamento, até tornarem-se saudáveis e indetectáveis, provando-se opções sexuais mais seguras do que alguém que não faz o teste. Ainda assim, somos vistos como “impuros”, que devem evitados e humilhados a todo custo.

Eu aceito que demore algum tempo para que a população em geral acompanhe as notícias e entenda que as pessoas indetectáveis ​​não transmitem o vírus. Mas me aborreço diante do fato de que ninguém está interessado em divulgar esta notícia. Também me irrito diante da covardia das organizações em prol dos soropositivos e dos meios de comunicação LGBT, que também são relutantes em publicar quaisquer descobertas que possam danificar a mensagem de sexo seguro, sempre qualificando qualquer declaração com ressalvas. Quem é que não está farto de ler “A pesquisa sugere …”?

Qual é o problema destas organizações? O problema delas está em recusar a aceitar que o Tratamento como Prevenção [TasP, do inglês Treatment as Prevention] vai derrubar a transmissão do HIV. Ao invés disso, gritam como se a liberdade pessoal estivesse sob ataque, sempre que se sugere que todo mundo deveria ser testado e, se necessário, tratado para o HIV. Não há lógica por trás disso e, ainda assim, as organizações LGBT em todo o mundo estão enterrando a cabeça na areia, se recusando a encarar os fatos.

Aquele idiota, [diretor da Aids Healthcare Foundation, Michael] Weinstein, que disse que o Truvada não é nada mais do que uma droga para festas capaz de nos levar às orgias em uma escala romana, tipifica este grupo de pessoas que, devemos concordar, estão desgostosas com a ideia de um pênis sem camisinha entrar num ânus. São tão arrogantes que não podem confiar que existem pessoas capazes de fazer escolhas sensatas e assumir a responsabilidade pela sua própria saúde. Ainda assim, este homem é chamado de líder dos soropositivos! Porém, não é disso o que precisamos mais. Temos os meios para reduzir o estigma do HIV, mas, mesmo assim, julgamentos morais ainda governam o dia.

Recentemente, tive a experiência pessoal de ser categorizado e rotulado a ponto de humilhação e desprezo. Depois de ter perdido uma relação de amizade, decidi me reerguer voltar ao mundo dos relacionamentos. No entanto, há muito tempo desisti da ideia de esconder o meu status sorológico e minha história — é tanto parte de quem sou, que é inútil tentar escondê-lo. Diferentemente de como fazia antes, em vez de ser passivo e esperar que as pessoas entrassem em contato comigo, decidi enviar mensagens exploratórias para aqueles com quem senti que poderia estar interessado. Não entrei em contato com jovens, ou mesmo com pessoas com menos de 40, pois me sinto atraído por pessoas maduras que já viram um pouco da vida. Minha ideia era falar abertamente da minha condição e não esconder os fatos.

Algumas reações foram francamente horripilantes. Demonstraram negação completa da minha existência e silêncio total a partir da minha revelação, ou até investidas contra minha moral, duvidando e sugerindo que eu tivesse praticado atos de depravação, me acusando de querer espalhar a minha “doença” entre os “inocentes”. Felizmente, nem todo mundo reagiu dessa forma. Houve aqueles que educadamente me disseram que não iriam nunca considerar ter relações sexuais com um cara positivo (o que não é bom para o ego, mas aceitável em nome da liberdade de escolha) e aqueles que francamente admitiram que estavam com medo de serem infectados. Ao meu ver, honestidade nunca é insulto.

Para muitas pessoas, é simplesmente impossível tentar apresentar os fatos. As campanhas de saúde pública dos anos 80 fizeram o seu trabalho muito bem, fazendo todos pensarem que estávamos morrendo — e, de fato, muitos morreram. Porém, agora já se passaram mais de 20 anos. Ainda assim, informar as pessoas sobre as últimas descobertas científicas não vem como crível: elas não estão lendo isso como prova científica e nos meios de comunicação adequados.

Informar as pessoas que soropositivos indetectáveis ​​e em tratamento são sexualmente mais seguros do que a maioria das pessoas seria uma boa notícia, digna de alarde por todos os meios. No entanto, há uma relutância tangível em dar às pessoas os fatos. Provavelmente, porque muito poucos escritores de manchete são capazes de resistir a frase que vem depois dela, como “… orgias sexuais ilimitadas inevitáveis!” Nós já estamos enfrentando o tsunami do uso do Truvada na prostituição, pois a prevenção também é vista como uma porta de entrada para a depravação.

O problema é que, para muita gente, a palavra “indetectável” significa muito pouco. A palavra não representa o que deveria: risco quase nulo de infecção. A palavra não está sendo usada lá fora e eu quero saber o porquê. Precisamos driblar os sites de organizações gays com um pensamento mais liberal e também precisamos — eu odeio dizer isso — que os meios de comunicação heterossexuais façam algum jornalismo sério, educando as pessoas.

Os detratores mais racionais dizem que é muito cedo e que as chances de erro, com todas suas possíveis consequências, são muito grandes. OK. Mas prove para mim que as pessoas indetectáveis ​​são, de algum modo, um perigo para os outros. E traga os fatos: quantas pessoas em tratamento, com um sistema imunológico forte e níveis indetectáveis ​​de HIV no sangue infectaram alguém? Você não pode dizer, porque não existe ninguém.

O argumento contra é o de que o HIV pode permanecer detectável em outros fluídos e órgãos do corpo e que ele é indetectável apenas nos métodos de ensaio atuais. Mesmo supondo que seja assim mesmo, os níveis “invisíveis” pelos exames atuais devem ser minúsculos, dado que a infecção cruzada simplesmente não está acontecendo. Caso contrário, haveria estatísticas de todo o mundo, com pessoas indetectáveis ainda infectando outras pessoas. Se você tem argumentos contra, eu imploro, refute o meu ponto de vista.

Só podemos concluir que, para além do sempre presente perigo de outras DSTs (sempre presente também para o resto da população, gostaria de lembrar), o meu estado presente significa que ninguém pode pegar HIV de mim, se eu fizer sexo seguro ou não. Não fosse verdade, os aumentos de infecção pelo HIV teriam sido inundados por milhões de novos casos, se espalhando como incêndios florestais em todo o mundo.

O ressurgimento do barebacking [sexo anal sem camisinha] (se é que já foi embora um dia) teria visto muitas infecções deste tipo. A cepa mais comum de HIV começou em um lugar e se espalhou em 10 anos por todo o mundo. Algo está impedindo que isso aconteça novamente e este algo é o tratamento antirretroviral eficaz. Sim, casos de novas infecções ainda estão acontecendo, mas eles são em sua maioria de pessoas que não sabem que estão infectadas porque ainda não fizeram o teste. Assim, agora que o pânico do HIV está mais brando, considerando o número de jovens (e idosos) que descartam os preservativos, por que é que não vemos o HIV fora de controle novamente? Porque o tratamento é danado de eficaz.

Pessoas com HIV e indetectáveis são parceiros sexuais seguros. Se você sabe de algo que eu não sei e tem evidência para sustentá-lo, prometo engolir minhas palavras. Enquanto isso, não há razão para não dizer ao mundo os fatos e definir as pessoas indetectáveis longe das algemas do estigma. O problema que temos é um problema de imagem. Nós já estamos contaminados; já estamos sujos demais para deixar esse conhecimento solto no mundo novamente.

Na busca por aceitação entre a sociedade cética, nossas próprias organizações se esqueceram de que o sexo é uma parte integrante da nossa identidade e preferem que não falemos sobre isso. Atrevo-me a dizer que a razão disso é para evitar que os patrocinadores não cortem seu apoio! Estão esperando que toda a primeira e segunda geração de soropositivos morra (de causas naturais) para, em seguida, com um novo tom rosado, as comunidades LGBT ilibadas tomarem o seu lugar na sociedade, imaculadas pela insinuação sexual do HIV.

Os homossexuais continuam a fazer sexo pela bunda — e sempre o farão — e a população hetero nunca vai se esquecer disso, não importa quantos buquês de noiva e casas com cercas brancas em volta apareçam por aí.


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Sobre PrEP, camisinha e sexualidade


Quando a Ciência encontra a prevenção, o prazer não fica para trás

Por Mathew Rodriguez para o

Com o auditório praticamente lotado durante a 20ª Conferência Internacional de Aids (Aids 2014), um grupo de palestrantes liderados pelo escritor e ativista Sean Strub, abordaram as mudanças que estão no horizonte da prevenção do HIV — um horizonte que agora inclui camisinha, PrEP (profilaxia pré-exposição), PEP (profilaxia pós-expsoição), escolha de parceiros sexuais com base na condição sorológica [serosorting], escolha de práticas sexuais com base no risco [seropositioning] e provavelmente também microbicidas, entre outras intervenções.

Strub abriu a sessão apontando que a análise do risco inclui tanto o racional — dados científicos que mostram que a camisinha e outras opções de prevenção reduzem vertiginosamente o risco de transmissão do HIV — quanto o irracional, o qual inclui dois importantes componentes: desejo e prazer. Ele lembrou que os fatos que são considerados na análise de risco, a equação que precede o eventual encontro sexual, estão constantemente mudando em decorrência do avanço na sensibilidade oferecida pela camisinha, prevenções biomédicas, tratamento como prevenção (TasP), PrEP, PEP e microbicidas.

Udi Davidovich, pesquisador e professor na Universidade de Amsterdã, cujo trabalho é focado em determinantes sociais para comportamentos de risco diante do HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, lembrou também que a ciência comportamental, embora envolvida com a epidemia de HIV desde seu início, fez pouco em incorporar questões a respeito do prazer nas pesquisas. De acordo com Davidovich, o fato da camisinha ser bastante utilizada por homens gays (estimado entre 60-70% de uso consistente) é um milagre, dado que seu uso antes da epidemia girava em torno de 20%.

Segundo Davidovich, agora a ciência comportamental deveria se dirigir aos 30-40% de homens gays que não fazem uso consistente da camisinha. Recebido com cumprimentos e palmas da plateia, Davidovich lembrou que a sociedade rotulou o sexo mais natural — sem camisinha — como “problemático” e que dedicamos milhares de dólares em pesquisas para entender porque as pessoas estão aderindo a este sexo mais natural disponível, sem camisinha. A ciência comportamental, ele disse, deveria se concentrar em ajudar as pessoas a fazer o sexo que lhe é mais natural. Para em torno de 12% dos homens que fazem sexo com homens (HSH), o uso de camisinha resulta em perda de ereção e inabilidade de terminar o ato de penetração sexual. Com as atuais alternativas de prevenção, Davidovich lembra que o elemento do prazer é “muito importante, pois o ignoramos ao longo dos últimos anos.”

Garrett Prestage, um sociólogo australiano, falou sobre as interpretações que os pesquisadores favorecem quando respondem às questões sobre porque homens gays não usam camisinha. Muitos são rápidos em responsabiliar traumas e auto-estima baixa, enquanto descartam a realidade do desejo e prazer sexual. Prestage disse que, em sua própria pesquisa, é evidente que muitas vezes são homens bem educados, que compreendem os riscos sexuais e suas consequências, que resolvem correr este risco em prol de mais prazer. “Quando confrontados com a oportunidade de sentir prazer, preferem ir em frente e aproveitar o prazer, ao invés de viver com um medo mórbido do sexo”, disse ele.

Sobre as diversas preocupações e críticas a respeito da PrEP, Prestage lembrou que não podemos abandonar a PrEP como estratégia de prevenção do HIV, assim como não abandonamos a camisinha mesmo diante dos eventuais problemas desta estratégia. Segundo ele, o fato de que qualquer intervenção pode apresentar falhas “diz mais a respeito de serviços de saúde e educação do que da capacidade dos homens gays de utilizar estas estratégias.” Ele guardou suas críticas mais duras para aqueles que usam o moralismo velado para demonizar aqueles que estão usando PrEP, especialmente porque aqueles que a utilizam fazem uso de uma opção de prevenção que mais se adequa ao seu desejo de ter um sexo prazeroso e se manter soronegativo. Prestage chamou este moralismo de “anti-científico, anti-sexual e anti-gay” e advertiu contra pesquisadores sociais que não conseguiram enxergar a PrEP como uma ferramenta libertadora para os homens gays que têm vivido com medo de sexo, ao invés de aproveitarem da biomedicalização como prevenção do HIV.

Quando Cecilia Chung, do Transgender Law Center, perguntou aos participantes quantos deles tinham recebido educação sexual trans-inclusiva, apenas cinco ou seis mãos foram levantadas, num auditório com centenas de pessoas. Chung lembrou que em sua cidade, São Francisco, há um tratamento quase universal com bons resultados para aqueles que vivem com HIV. No entanto, mulheres transexuais são comumente deixadas para trás nestes casos de sucesso. Apenas 65% das mulheres transexuais que vivem com HIV em São Francisco estão em tratamento antirretroviral, com apenas 40% de taxa de supressão viral, o que pode indicar que o tratamento não é prioridade na vida delas. Chung afirma que muitas mulheres transexuais que se inscreveram no estudo iPrex (o maior estudo sobre a eficácia da PrEP feito até o momento) abandonaram o estudo porque seus pesquisadores e médicos não estavam bem preparados para lidar com transexuais — que são uma das “populações vulneráveis”. Ela concluiu sua fala apontando que antes de podermos falar sobre prevenção e prazer entre mulheres transexuais, precisamos encorajá-las a falar sobre sexo.

Jessica Whitbread, uma artista e ativista canadense, atualmente Diretora Interina da Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com HIV (ICW, na sigla em inglês) preferiu lançar algumas perguntas instigantes a todos os presentes. Ela lembrou que, como uma mulher soropositiva, a ciência tem grande papel em sua vida sexual e “ajudou minha causa pelo prazer na cama.” No entanto, ela disse, “a ciência fez pouco para desafiar as disparidades de gênero no quarto” e ainda é muito difícil discutir sobre prazer entre mulheres, quando estas mulheres têm grande dificuldade em negociar o uso da camisinha com seus parceiros. Whitbread também pediu que a plateia ponderasse porque todas as práticas sexuais que não incluem pênis (tal como no sexo lésbico), têm recomendação de luvas e protetores bucais, enquanto a atividade sexual masculina é focada exclusivamente em preservativos. “É como se eles não tivessem mãos e bocas!”, disse. Ela terminou sua apresentação com uma pequena crítica à PrEP, reconhecendo seus méritos, mas querendo saber se, nessa encarnação, só vai fazer diferença para homens gays brancos de um certo status social na América do Norte.

A apresentação final foi feita por Sothembiso Promise Mthembu, uma feminista e ativista de direitos humanos da África do Sul, que falou sobre a prevenção do HIV e prazer sob o contexto de direitos humanos para mulheres. Uma vez que grande parte de seu trabalho é focado em direitos humanos, ela enfatizou que o direito ao prazer deve ser aproveitado pelas mulheres, mas isso tem sido negado à todas mulheres no mundo todo. Segundo Mthembu, quando discutimos prazer e sexualidade feminina, não podemos jamais divorciar este assunto das discussões sobre o poder em situações sociais e sexuais.

Num comentário que impressionou bastante o público, Mthembu lembrou que as mensagens de prevenção sobre uso da camisinha são quase sempre focadas no homem, enquanto as mulheres não podem “usar” a camisinha, mas apenas “negociar o seu uso.” Apesar das mulheres terem a opção da camisinha feminina — a qual Jessica Whitbread disse defender, mas, pessoalmente, a usou apenas “um punhado de vezes” –, esta estratégia de prevenção pode frequentemente trazer mais problemas, uma vez que pode sugerir ao homem que a mulher está no controle de seu próprio corpo, algo que muitas vezes é recebido com violência pelo parceiro sexual masculino. Mthembu comentou também sobre as vacinas para HPV como colaboradoras da prevenção do HIV, mas também advertiu contra qualquer abordagem à saúde sexual das mulheres e à prevenção do HIV que fosse “fragmentada”, focada em um único aspecto da saúde da mulher e da sexualidade. Ao invés disso, ela defende uma abordagem holística da saúde sexual e corporal.



O uso de profilaxia pré-exposição, práticas sexuais e incidência de HIV em homens e mulheres transexuais que fazem sexo com homens: um estudo de coorte

Prof Robert M Grant MD a b c Corresponding AuthorEmail Address, Prof Peter L Anderson PharmD d, Vanessa McMahan BSc a, Albert Liu MD b e, K Rivet Amico PhD f, Megha Mehrotra MPH a, Sybil Hosek PhD g, Carlos Mosquera MD h, Martin Casapia MD i, Orlando Montoya j, Susan Buchbinder MD b e, Valdilea G Veloso MD k, Prof Kenneth Mayer MD l, Prof Suwat Chariyalertsak MD m, Prof Linda-Gail Bekker PhD n, Esper G Kallas MD o, Prof Mauro Schechter MD p, Juan Guanira MD h, Lane Bushman BChem d, David N Burns MD q, James F Rooney MD r, Prof David V Glidden PhD b, for the iPrEx study team

Apresentação

O efeito da profilaxia pré-exposição (PrEP) para o HIV depende do uso, adesão e práticas sexuais. Nosso objetivo foi avaliar estes fatores em uma coorte de pessoas soronegativas sob risco de infecção.

Métodos

Em nosso estudo de coorte, os homens e mulheres transexuais que fazem sexo com homens anteriormente inscritos em estudos de PrEP (ATN 082, iPrEx e US Safety Study) foram incluídos numa extensão aberta de 72 semanas. Medimos concentrações da droga no plasma sanguíneo e em gotas de sangue seco em soroconversores a partir de uma amostra aleatória de participantes soronegativos. Avaliamos o uso da PrEP, adesão, práticas sexuais e incidência do HIV. Métodos estatísticos utilizados incluem os modelos de Poisson, a comparação de proporções e equações de etimativas generalizadas.

Descobertas

Foram incluídas 1.603 pessoas soronegativas, das quais 1.225 (76%) receberam PrEP. O uso foi maior entre aqueles que relataram fazer coito anal receptivo sem preservativo (416/519 [81%] vs 809/1084 [75%], p = 0,003) e com evidência sorológica de herpes (612/791 [77%] vs 613/812 [75%], p = 0,03). Dos que receberam PrEP, a incidência do HIV foi de 1,8 infecções por 100 pessoas-ano, em comparação com 2,6 infecções por 100 pessoas-ano naqueles que simultaneamente não escolheram tomar PrEP (HR 0,51, 95% CI 0,26 – 1,01, ajustado para comportamentos sexuais), e 3,9 infecções por 100 pessoas-ano no grupo de recebeu placebo na fase anterior, randomizada, (HR 0,49, 95% CI 0,31 -0,77). Entre aqueles que receberam PrEP, a incidência do HIV foi de 4,7 infecções por 100 pessoas-ano, se droga não foi detectada em gotas de sangue seco, 2,3 infecções por 100 pessoas-ano, se as concentrações de droga sugeria uso inferior a dois comprimidos por semana, 0,6 por 100 pessoas-ano para o uso de dois a três comprimidos por semana, e 0,0 por 100 pessoas-ano para o uso de quatro ou mais comprimidos por semana (p<0,0001). Concentrações da droga da PrEP foram maiores entre as pessoas de idade mais avançada, com maior escolaridade, que relataram não usar camisinha durante o coito anal receptivo, que tiveram mais parceiros sexuais e que tinham histórico de sífilis ou herpes.

Interpretação

O uso da PrEP foi elevado quando disponibilizada gratuitamente pelos provedores. O efeito da PrEP é aumentado por maior uso e adesão durante os períodos de maior risco. Concentrações da droga em gotas de sangue seco estão fortemente correlacionadas com benefício da proteção.

Financiamento

National Institutes of Health dos EUA.

[Para ler o artigo completo, em inglês, clique aqui.]


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Vídeo

Uma nova era

Brasil Post

“Sem colocar as pessoas em primeiro lugar, sem garantir que as pessoas que vivem afetadas pela epidemia são parte de um novo movimento, a aids não vai ter fim”, diz Michel Sidibé, diretor executivo da Unaids. “Sem uma abordagem humana, não vamos longe na era pós-2015.”

É uma nova era na epidemia de HIV/aids e, para falar sobre ela, precisamos antes concordar num ponto: as pessoas erram, falham. No sexo, transam, às vezes ou sempre, por acidente ou deliberadamente e mesmo cientes dos riscos, sem camisinha. Não fosse verdade, você não estaria aqui neste mundo, lendo esse texto — e, já que está, responda com sinceridade: alguma vez você transou sem camisinha?

As campanhas de saúde nos lembram que sempre devemos usar o preservativo, o qual sempre foi e continua sendo plenamente seguro em prevenir HIV/aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), além de evitar a gravidez indesejada. Sua segurança já foi testada e comprovada em laboratório. Segundo o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, “os preservativos oferecem 10 mil vezes mais proteção contra o vírus da aids do que a sua não utilização.” Pesquisadores já “esticaram e ampliaram 2 mil vezes o látex do preservativo masculino e não foi encontrado nenhum poro. Em outro estudo que examinou as marcas de camisinha mais utilizadas no mundo, a borracha foi ampliada 30 mil vezes (nível de ampliação que possibilita a visão do HIV) e nenhum exemplar apresentou poros.”

No entanto, as pessoas simplesmente falham em usar a camisinha consistentemente e, com isso, o número de novas infecções de HIV/aids continua a crescer. O vídeo de apresentação da campanha Atitude Abril traz alguns dados sobre essa realidade no Brasil.

 O País representa 2% do número de pessoas vivendo com HIV. Segundo o último relatório da Unaids, há 35 milhões de pessoas vivendo com o vírus no mundo; destes, 19 milhões não sabem da sua condição e, como consequência, nutrem as novas infecções. Não é à toa que, no Brasil, surgiu também a campanha “Fique Sabendo”. As campanhas tradicionais de uso da camisinha não têm sido (mais) capazes de conscientizar a todos sobre a importância do uso do preservativo. Se são capazes, as pessoas mesmo assim não o utilizam. E a nova era no controle da epidemia de HIV/aids no mundo começa com o reconhecimento dessa realidade.

Nessa nova era, começamos a admitir a validade de outros métodos de prevenção, complementares à camisinha. Consensos médicos no Canadá, Estados Unidos e Inglaterra deram os primeiros passos, atualizando suas diretrizes de saúde pública e reconhecendo os resultados de relevantes estudos, como HPTN 052 e Partner, sobre a redução da transmissibilidade do vírus pelo tratamento antirretroviral. Este tratamento é o mesmo que eu e toda pessoa diagnosticada positiva para o HIV deve começar a fazer para cuidar da própria saúde. Ele é capaz de reduzir a carga viral, que é a quantidade de vírus no sangue, a níveis indetectáveis e, como consequência, a transmissibilidade do vírus também é bastante reduzida, funcionando assim como meio de prevenção. Em outras palavras, tal como explica o relatório da Unaids, “além de salvar a vida de pessoas que vivem com HIV, a terapia antirretroviral reduz a transmissão do HIV.”

Os três consensos não descartam a importância da camisinha, mas reconhecem a eficácia do “Tratamento como Prevenção” (ou TasP, do inglês Treatment as Prevention) na falta dela. O consenso canadense é o mais recente deles, publicado em maio deste ano pela Comissão de Infecções Transmissíveis Sexualmente e pelo Sangue (CITSS) do Institut National de Santé Publique du Québec (INSPQ). O documento publicado faz lembrar que o conceito de TasP não é novo. Ele vem desde meados dos anos 90, quando “alguns pesquisadores levantaram a ideia de que, ao controlar a replicação viral, a terapia antirretroviral poderia diminuir o risco de transmissão do HIV. Desde então, uma série de estudos observacionais, um estudo randomizado controlado e uma série de revisões sistemáticas da literatura médica têm destacado o importante papel desempenhado pela carga viral em reduzir o risco de transmissão sexual do HIV.”

Por sua vez, o consenso britânico, publicado em janeiro de 2013 pela British HIV Association (BHIVA) e Expert Advisory Group on Aids (EAGA), afirma que “hoje temos evidência conclusiva de estudos clínicos randomizados sobre casais heterossexuais, nos quais um dos parceiros tem infecção pelo HIV e o outro não, que, se o parceiro soropositivo toma antirretrovirais, a transmissão do HIV através do sexo vaginal é significativamente reduzida (em 96%). A redução na transmissão do HIV observada nos estudos clínicos mostra que a terapia antirretroviral bem-sucedida em pessoas soropositivas pode ser tão eficaz em limitar a transmissão viral quanto o uso consistente do preservativo”, desde que sejam atendidas as seguintes condições:

  • Nenhum dos parceiros deve ter outra DST;
  • A pessoa que vive com HIV deve ter a carga viral indetectável por pelo menos seis meses;
  • A testagem de carga viral deve ser feita regularmente, a cada três ou quatro meses.

Os canadenses vão um pouco mais além e incluem nessa lista a adesão à terapia antirretroviral em pelo menos 95%, acompanhamento e aconselhamento médico do casal a cada três ou quatro meses. Cumpridos estes requisitos, os dois consensos reconhecem que, na falha no uso da camisinha, o risco de transmissão do HIV através de sexo vaginal, oral e anal sem camisinha pode ser “negligenciável” ou “muito baixo”. As autoridades médicas britânicas acreditam que estes termos são melhores do que números, os quais podem ser mal interpretados e, com isso, induzir ao erro.

Já os americanos preferem falar só em números. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (ou CDC, do inglês Centers for Disease Control and Prevention), um dos órgãos responsáveis por identificar os primeiros casos de HIV/aids no mundo, publicou um texto em que afirma que o uso da terapia antirretroviral “pode reduzir o risco de uma pessoa infectada pelo HIV transmitir a infecção para outro em até 96%. Com a camisinha e terapia antirretroviral combinadas o risco de contrair HIV através de exposição sexual é reduzido em 99,2%.”

Consensos como estes têm se mostrado fundamentais em traduzir o conhecimento científico, muitas vezes complexo, em mensagens úteis e compreensíveis, que orientam os médicos e a população no cuidado da saúde e na prevenção do HIV. Vale ressaltar, nenhum dos consensos descarta a importância do uso do preservativo. O próprio consenso britânico, afirma que “os preservativos continuam a ser a forma mais eficaz de evitar a propagação de outras doenças sexualmente transmissíveis”. No entanto, ao falar sobre possibilidades complementares de prevenção, reconhece que a falha no uso da camisinha é real. É algo que acontece. E hoje temos alternativas para cuidar disso também.

Em março deste ano, dois estudos conduzidos pela organização humanitária internacional Médicos sem Fronteiras mostraram que essas alternativas funcionam: duas localidades na África, assoladas pela epidemia de HIV/aids, tiveram enorme redução na incidência de novos casos de infecção graças ao início da oferta de tratamento antirretroviral em larga escala. Segundo o último relatório da Unaids, “maior acesso ao tratamento antirretroviral, em combinação com outros métodos de prevenção do HIV, está derrubando novas infecções pelo HIV.” Comparando a cobertura do tratamento com o número de novas infecções pelo HIV, a Unaids conclui que, “para cada aumento de 10% na cobertura da terapia antirretroviral, a taxa de transmissão na população diminui em 1%”.

Ainda assim, 22 milhões de pessoas ainda não têm acesso ao tratamento e 2,1 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV somente em 2013. Talvez por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) propõe ainda mais intervenções na prevenção. As últimas Diretrizes Consolidadas para Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do HIV e Cuidado de Populações Vulneráveis incluem uma recomendação ao uso de antirretrovirais em “populações vulneráveis” como profilaxia pré-exposição (PrEP), isto é, o uso destes medicamentos por pessoas soronegativas como forma prevenir a infecção em uma eventual exposição ao vírus, além da manutenção da oferta de profilaxia pós-exposição (PEP).

Para alcançar as metas propostas pela Unaids, de 90% de redução em novas infecções, 90% de redução no estigma e discriminação e 90% de redução das mortes relacionadas à aids, precisamos ir além do que já estamos fazendo. Nesta nova era de controle da epidemia de HIV/aids, a camisinha continua muito importante. Entretanto, no lugar de culpar e meter medo pela eventual falha em seu uso, surgem alternativas de prevenção. Precisamos falar sobre elas, com base em dados atualizados de sérios estudos científicos.

É tempo de superar o discurso rígido e adotar uma abordagem humana, que reconhece que as falhas no uso da camisinha acontecem, mas que podemos cuidar delas também. Quem cuida da própria saúde, soropositivo ou soronegativo, deve se orgulhar disso, pois essa é uma ferramenta muito importante para prevenir novas infecções e controlar a epidemia no mundo.

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Relatório da Unaids de 2014

A Unaids divulgou hoje, 16 de julho de 2014, seu relatório de 2014 sobre a epidemia de HIV/aids, que contabiliza os dados do ano passado. Diferentemente do Relatório Global, este traz os números da epidemia sobre “as pessoas deixadas para trás”, que estão nas lacunas do controle da epidemia. Estes números mostram que 35 milhões de pessoas vivem hoje com HIV, 19 dos quais não sabem da sua condição. Em 2013, aconteceram 2,1 milhões novas infecções, 38% menos do que em 2001. A transmissão vertical, de mãe para filho, decresceu 58% desde 2001 — ainda assim, 240 mil crianças foram infectadas no ano passado. As mortes em decorrência da aids foram reduzidas em 35% desde seu pico, em 2005. 12,9 milhões de pessoas têm acesso à terapia antirretroviral, o que representa 37% das pessoas vivendo com HIV. Foram investidos 19 bilhões de dólares no mundo todo, em resposta à aids. Os três países com maior incidência de HIV são África do Sul, Nigéria e Uganda. O Brasil empata com os Estados Unidos, com 2% dos novos casos de infecção.

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Novas diretrizes da OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou as Diretrizes Consolidadas para Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do HIV e Cuidado de Populações Vulneráveis.

Segundo o documento, as populações vulneráveis são grupos que “devido a comportamentos específicos de maior risco, estão sob maior risco de contrair HIV, independentemente do tipo de epidemia ou contexto local. Além disso, estes grupos muitas vezes sofrem problemas judiciais e sociais relacionados com seus comportamentos, o que aumenta sua vulnerabilidade ao HIV.” As diretrizes da OMS se concentram em cinco populações vulneráveis: 1) homens que fazem sexo com homens, 2) usuários de drogas injetáveis, 3) prisioneiros e encarcerados, 4) profissionais do sexo e 5) transexuais. Nestas populações, a OMS recomenda as seguintes intervenções:

PREVENÇÃO DO HIV

1

Uso correto e consistente de camisinha com lubrificantes compatíveis é recomendado para todas as populações vulneráveis para prevenir a transmissão sexual do HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

2

Entre homens que fazem sexo com homens, a profilaxia pré-exposição (PrEP) é recomendada como opção adicional dentro de um pacote abrangente de prevenção do HIV. (NOVA RECOMENDAÇÃO)

3

Sempre que casais sorodiscordantes puderem ser identificados e opções adicionais de prevenção do HIV forem necessárias, a PrEP oral diária (especificamente Tenofovir ou a combinação de Tenofovir e Emtricitabina) pode ser considerada como uma possível intervenção adicional para o parceiro não infectado.

4

Profilaxia pós-exposição (PEP) deve estar disponível de forma voluntária para todas as pessoas elegíveis nas populações vulneráveis depois de uma possível exposição do HIV.

5

Circuncisão masculina médica voluntária é recomendada como uma importante estratégia adicional de prevenção do HIV por transmissão heterossexual em homens, em especial em situações hiperendêmicas ou de epidemia generalizada de HIV e baixa prevalência de circuncisão masculina.

REDUÇÃO DE DANOS EM USUÁRIOS DE DROGAS

6

Todas as pessoas das populações vulneráveis que usam drogas injetáveis devem ter acesso a injeções estéreis através de programas de agulhas e seringas descartáveis.

7

Todas as pessoas de populações vulneráveis que são dependentes de opióides devem ter a possibilidade de acesso a terapia de substituição de opióides.

8

Todas as pessoas de populações vulneráveis que fazem uso prejudicial de álcool ou outras substâncias devem ter acesso a intervenções baseadas em evidências, incluindo breves intervenções psicossociais envolvendo avaliação, feedback específico e aconselhamento.

TESTAGEM DE HIV E ACONSELHAMENTO

10

Testagem voluntária de HIV e aconselhamento devem ser rotineiramente oferecidas para todas as populações vulneráveis, tanto na comunidade quanto em ambientes clínicos. Testagem de HIV e aconselhamento baseados na comunidade, ligados à prevenção, cuidado e serviços de tratamento é recomendada como complemento à testagem e aconselhamento comuns.

TRATAMENTO PARA O HIV E CUIDADO DE SAÚDE

11

Populações vulneráveis vivendo com HIV devem ter o mesmo acesso a terapia antirretroviral (TARV) e a administração de antirretrovirais (ARV) que outras populações.

12

Todas as mulheres grávidas das populações vulneráveis devem ter o mesmo acesso a serviços de prevenção da transmissão vertical e seguir as mesmas recomendações para mulheres de outras populações.

PREVENÇÃO E CUIDADO DE COINFECÇÕES E COMORBIDADES

13

Populações vulneráveis devem ter o mesmo acesso a prevenção, diagnóstico e tratamento de tuberculose que outras população sob risco ou vivendo com HIV.

14

Populações vulneráveis devem ter o mesmo acesso a prevenção, diagnóstico e tratamento de hepatites B e C que outras população sob risco ou vivendo com HIV.

15

Exames de rotina e cuidado de disfunções de saúde mental (depressão e stress) devem ser oferecidos às pessoas das populações vulneráveis que vivem com HIV, a fim de otimizar os resultados de saúde e melhorar a adesão aos ARVs. O cuidado pode ir do aconselhamento sobre HIV e depressão à terapias médicas apropriadas.

SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA

16

Exame, diagnóstico e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis devem ser oferecidos rotineiramente como parte de uma estratégia ampla de prevenção do HIV e cuidado de saúde para as populações vulneráveis.

17

Pessoas das populações vulneráveis, incluindo aqueles que vivem com HIV, devem poder ter uma experiência completa e prazerosas da vida sexual e acesso a uma gama de opções reprodutivas.

18

Leis e serviços de aborto devem proteger a saúde e os direitos humanos de todas as mulheres, incluindo as que fazem parte de populações vulneráveis.

19

É importante oferecer exames para câncer cervical à todas as mulheres das populações vulneráveis.

20

É importante que todas as mulheres das populações vulneráveis tenham o mesmo suporte e acesso ao cuidado de saúde para gravidez e parto que mulheres de outras populações.

FACILITADORES

1

Leis, políticas e práticas devem ser revistas e, quando necessário, revisadas por formuladores de políticas e líderes governamentais, com envolvimento significativo de representantes das populações vulneráveis, a fim de permitir e apoiar a implementação e ampliação de serviços de cuidado de saúde para as populações vulneráveis.

2

Os países devem trabalhar em prol da implementação e aplicação de leis protetoras e antidiscriminação, derivadas de padrões de direitos humanos, a fim de eliminar o estigma, a discriminação e a violência contra as pessoas das populações vulneráveis.

3

Serviços de saúde devem ser disponíveis, acessíveis e aceitáveis para as populações vulneráveis, baseados nos princípios de direto à saúde e ética médica, sem estigma, não discriminatórios.

4

Programas de implementação devem visar intervenções que aumentem o poder das comunidades nas populações vulneráveis.

5

A violência contra pessoas de populações vulneráveis deve ser prevenida e abordada em parceria com organizações vinculadas às populações vulneráveis. Toda violência contra pessoas de populações vulneráveis deve ser monitorada e relatada, e mecanismos de reparação devem ser estabelecidos a fim de proporcionar justiça.

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Pesquisa da cura e patogênese


Tirando o Atraso com a Pesquisa da Cura e Patogênese na CROI 2014

Por Richard Jefferys do Treatment Action Group

Além dos estudos mencionados em posts anteriores (um possível segundo caso de cura pediátrica, a terapia genética da Sangamo e as limitações dos agentes de reversão de latência), a CROI 2014 contou com uma miscelânea de apresentações relacionadas à patogênese e pesquisa da cura. Webcasts de todas as sessões da conferência estão on-line, e muitos documentos já estão disponíveis em formato PDF. Breves resumos de alguns estudos notáveis ​​são anexados abaixo, com links para webcasts e documentos, sempre que possível. Resumos dos documentos que não estão disponíveis em formato PDF podem ser encontrados no livro da conferência.

(mais…)

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