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Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é uma forma de prevenção da infecção pelo HIV usando os medicamentos que fazem parte do coquetel utilizado no tratamento da Aids, para pessoas que possam ter entrado em contato com o vírus recentemente, pelo sexo sem camisinha. Esses medicamentos, precisam ser tomados por 28 dias, sem parar, para impedir a infecção pelo vírus, sempre com orientação médica.

O atendimento inicial é de urgência: no caso de um possível contato com o vírus HIV, busque, o quanto antes, um serviço credenciado. Esse primeiro atendimento é considerado de urgência porque o uso dos medicamentos deve começar o mais cedo possível. O ideal é que você comece a tomar a medicação em até 2 horas após a exposição ao vírus HIV e no máximo após 72 horas. A eficácia da PEP pode diminuir à medida que as horas passam.

A indicação de utilização dos medicamentos para prevenção será avaliada por um médico.

Podemos falar de alternativas de prevenção?


Aprender sobre métodos adicionais de prevenção do HIV não diminui uso de camisinha

Por Roger Pebody em 15 de setembro

Campanhas de saúde podem combinar informações sobre preservativos e métodos alternativos de prevenção biomédica sem prejudicar as atitudes e as intenções de usar preservativos, de acordo com um estudo experimental publicado na edição de setembro da Aids & Behavior.

“Nossos resultados são inconsistentes com a teoria da compensação de risco, que postula que o uso de uma abordagem de prevenção biomédica vai levar a atitudes e intenções menos positivas em relação ao uso de preservativos”, disseram os autores.

Normalmente, as mensagens de educação em saúde incentivam as pessoas a um único curso de ação, sem considerar opções alternativas. No entanto, uma abordagem de “prevenção combinada” pode incluir a defesa quanto ao uso de mais de um método de proteção. Há poucas pesquisas sobre como receber diversas mensagens de prevenção afeta a atitude e intenção de usar preservativos. Os preservativos continuam a ser uma forma particularmente barata e eficaz de prevenção da transmissão do HIV naqueles que estão satisfeitos em usá-los.

A partir disso, os pesquisadores realizaram um experimento em que homens homossexuais soronegativos assistiram à vídeos informativos sobre diversos métodos de prevenção. Quatro vídeos de prevenção do HIV foram desenvolvidos: um focando apenas na camisinha, outros apenas na PrEP (profilaxia pré-exposição), outro apenas na PEP (profilaxia pós-exposição) e um último apenas sobre microbicidas retais. Cada vídeo tinha um estilo semelhante, oferecendo uma gama semelhante de informações factuais sobre o custo financeiro do processo, da eficácia na prevenção da infecção, modo de operação, efeitos colaterais e impacto sobre o prazer sexual.

Os participantes do estudo foram distribuídos aleatoriamente para assistir a um único vídeo, uma combinação de dois vídeos ou todos os quatro vídeos juntos. Em seguida, os pesquisadores pediram aos homens para falar sobre a sua intenção de usar o(s) método(s) de prevenção do(s) qual(is) acabara(m) de receber informações sobre. Além disso, os entrevistados foram questionados sobre as vantagens e desvantagens de sexo com e sem preservativo.

Uma amostra de 803 homens homossexuais soronegativos foi recrutada através de publicidade direcionada pelo Facebook, nos Estados Unidos. Vale notar que os homens desta amostra relataram taxas relativamente altas de uso de preservativos — quatro em cada cinco disseram que sempre usaram preservativos com parceiros casuais no ano passado.

Os pesquisadores queriam verificar se ouvir falar de opções alternativas de prevenção faria com que as pessoas se sentissem menos favoráveis ao uso do preservativo. Os resultados foram muito reconfortantes: não houve diferença significativa entre os participantes em sua intenção de uso do preservativo ou em sua opinião sobre os preservativos, seus custos e benefícios, a partir dos vídeos que tinham sido vistos.

O mesmo se deu quanto à intenção do uso PEP, PrEP ou microbicidas retais. Ver informações sobre opções adicionais não fez diferença para a intenção dos homens em usar um método específico (por exemplo, um microbicida) ou foi associado a uma maior intenção de usá-los (PEP, PrEP).

Os resultados foram consistentes para os homens que relataram relações sexuais desprotegidas com parceiros casuais, e os homens que não o fizeram.

Os pesquisadores concluíram que “em resumo, nossos resultados sugerem não haver diferenças nas atitudes e intenções em relação ao uso do preservativo ou sexo desprotegido quando HSH [homens que fazem sexo com homens] recebem breves mensagens sobre preservativos e diversos métodos de prevenção biomédica”. Os pesquisadores acreditam que os resultados devem incentivar aqueles que pretendem disseminar informações sobre as opções de prevenção biomédica.

Referência
Mustanski B et al. Effects of Messaging About Multiple Biomedical and Behavioral HIV Prevention Methods on Intentions to use Among US MSM: Results of an Experimental Messaging Study. AIDS and Behavior 18: 1651-1660, 2014.

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Em desenvolvimento


Novos medicamentos em desenvolvimento trazem esperança a pacientes com HIV/aids

Washington, DC (10 de setembro de 2014) as empresas de pesquisa biofarmacêutica dos Estados Unidos estão atualmente desenvolvendo 44 medicamentos e vacinas para o tratamento e prevenção do HIV/aids, de acordo com os mais recente relatório Medicamentos em Desenvolvimento, feito pelo Pharmaceutical Research and Manufacturers of America (PhRMA). Um segundo relatório, um informe oficial da Boston Healthcare Associates, Inc. (BHA), patrocinado pela PhRMA , O Valor da Inovação na Terapia de HIV/aids”, destaca os progressos no tratamento de HIV/aids e seu impacto sobre os pacientes que sofrem com a doença.

Ambos os relatórios estão sendo lançados em conjunto com o Prêmio de Pesquisa e Esperança 2014 da PhRMA, que irá homenagear os pesquisadores e defensores dos pacientes pelo seu papel na melhoria da pesquisa e do tratamento de HIV/aids.

Vários avanços médicos têm ocorrido desde 1981, quando os Centros de Controle e Prevenção de Doenças identificou os cinco primeiros casos de HIV/aids. Desde que o tratamento antirretroviral (ARV) foi aprovado, em 1995, mortes relacionadas com o HIV/aids caíram em 83% nos Estados Unidos, resultando em uma queda de 32% em internações relacionadas ao HIV/aids. Estes medicamentos estão melhorando a assistência global para os pacientes e estão ajudando a evitar os custos associados ao tratamento da doença. De acordo com um estudo da Universidade de Chicago, os pacientes de HIV/aids hoje vivem 15 anos mais do que na década de 1980.

“Ao longo dos últimos 35 anos, o HIV/aids passou de uma sentença de morte para uma doença crônica, doença controlável em grande parte graças aos avanços da pesquisa biofarmacêutica“, disse o presidente e CEO da PhRMA John J. Castellani. Apesar do progresso que tem sido feito, os pesquisadores continuam a luta contra o HIV/aids e, com mais de 40 medicamentos a caminho, mais esperança do que nunca de que uma cura pode ser alcançada.

Atualmente, as empresas biofarmacêuticas estão focadas na melhoria dos regimes de tratamento, terapias mais eficazes e vacinas preventivas que estão tanto em estudos clínicos ou aguardando revisão pela Food and Drug Administration. Os 44 medicamentos e vacinas no caminho de desenvolvimento incluem 25 medicamentos antivirais, 16 vacinas e três terapias de células/gene. Estes incluem:

  • Medicamento com intenção de impedir o HIV de romper a membrana celular;
  • Terapia celular que modifica as próprias células do paciente, numa tentativa de tornar estas resistentes ao HIV; e,
  • Vacina terapêutica para a indução de respostas de células T, que desempenham um papel na proteção imunitária contra infecções virais.

Hoje, existem 94 estudos clínicos em andamento para medicamentos de HIV e vacinas nos Estados Unidos. Destes, 43 ainda não começaram a recrutar pacientes ou começaram recentemente a buscar participantes. As terapias que estão sendo pesquisadas envolvem inibidores de fixação, a modificação de gene e indução de respostas de células T, entre outros. O desenvolvimento de terapias novas e inovadoras não seria possível sem os pacientes que se voluntariam para participar em estudos clínicos. Estes estudos, em combinação com as novas abordagens científicas promissoras que os pesquisadores estão usando, colaboram com o progresso na luta contra a infecção pelo HIV.

De acordo com o relatório Valor da Inovação na Terapia de HIV/aids, os avanços no tratamento, incluindo o método de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), evoluíram ao longo do tempo, resultando em melhores resultados para os pacientes através do uso de medicamentos mais cedo e em combinação. Uma pesquisa recente revelou que muitas destas terapias são eficazes na prevenção da transmissão de vírus. Ambas diretrizes nacionais e internacionais recomendam o uso da PrEP de medicamentos como parte de um plano abrangente de prevenção do HIV em populações que são desproporcionalmente afetadas pelo HIV.

Para destacar a inovação e o progresso no tratamento do HIV/aids e ouvir as histórias inspiradoras dos vencedores Prêmio de Pesquisa e Esperança, a PhRMA realizará uma coletiva de imprensa no Capitol Visitor Center.

Sobre a PhRMA
A Pharmaceutical Research and Manufacturers of America (PhRMA) representa as principais empresas biofarmacêuticas inovadoras do país em pesquisa e biotecnologia, que são dedicados à descoberta e desenvolvimento de medicamentos que permitem que os pacientes vivam mais tempo, de forma mais saudável e mais produtiva. Desde 2000, as empresas associadas à PhRMA investiram mais de US$ 550.000.000.000 na busca de novos tratamentos e curas, incluindo uma estimativa de 51,1 bilhões dólares apenas em 2013.

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Novos anticorpos e vacinas


Um time de cientistas do NIH descobriu um anticorpo contra o HIV que se liga a um novo alvo no vírus

Uma equipe de cientistas liderada pelo NIH  descobriu uma nova vulnerabilidade na armadura do HIV, a qual uma vacina, outro regime ou tratamento preventivo poderia explorar. O local fica entre duas proteínas, gp41 e gp120, que se projetam para fora do vírus, aumentando o número de lugares conhecidos onde anticorpos amplamente neutralizantes (bNAbs) se ligam ao HIV. Este novo local recentemente identificado no vírus é onde um novo anticorpo encontrado pelos cientistas em uma pessoa infectada pelo HIV liga-se ao vírus. Chamado 35O22, o anticorpo é extremamente potente: impediu 62% das cepas conhecidas de HIV de infectar as células em laboratório, o que quer dizer que mesmo uma quantidade relativamente pequena foi capaz de neutralizar o vírus.

Em seguida, os cientistas descobriram que anticorpos semelhantes ao 35O22 são comuns em um grupo de pessoas infectadas pelo HIV, cujo sangue continha anticorpos que neutralizaram potencialmente uma ampla gama de cepas de HIV. Segundo os pesquisadores, isso sugere que pode ser mais fácil para uma vacina provocar o corpo a produzir o 35O22 do que alguns outros bNAbs conhecidos, que são menos comuns.

Uma vez que o 35O22 se liga apenas à partes da superfície do vírus que aparecem naturalmente no HIV, os cientistas acreditam que uma vacina que induza os anticorpos 35O22 precisaria imitar a forma natural do vírus, tanto quanto possível. Isso exigiria uma abordagem diferente do que a utilizada em muitas vacinas anteriores e experimentais contra o HIV, que incluíram apenas a partes superfície do vírus, em vez de uma estrutura que se parece com todo o vírus.

Além disso, relatam os pesquisadores, as cepas de HIV que 35O22 neutraliza complementa as cepas neutralizadas por outros bNAbs. Isto sugere que a indução combinanda do 35O22 com alguns outros bNAbs em uma vacina, PrEP ou tratamento poderia neutralizar a grande maioria das cepas de HIV encontradas em todo o mundo, de acordo com os cientistas.

ARTIGO:
J Huang et al. Broad and potent HIV-1 neutralization by a human antibody that binds the gp41-120 interface. Nature DOI: 10.1038/nature13601 (2014).
QUEM:
Anthony S. Fauci, M.D., director of the National Institute of Allergy and Infectious Diseases, part of NIH, is available for comment. Mark Connors, M.D., chief of the HIV-Specific Immunity Section of the NIAID Laboratory of Immunoregulation and the principal investigator of the study, also is available for interviews.


Cientistas recebem US$ 25 milhões para vacina que pode prevenir e curar o HIV

A Oregon Health & Science University (OSHU) recebeu uma doação de US$ 25 milhões da Fundação Bill & Melinda Gates para a pesquisa de vacinas contra o HIV, de acordo com uma declaração da OSHU. A vacina que está sendo pesquisada na OSHU, por uma equipe liderada pelo Dr. Louis Picker, pode, eventualmente, tanto prevenir a infecção pelo HIV como curar as pessoas infectadas pelo vírus.

Em 2013, a equipe da OSHU publicou seus resultados na revista Nature, os quais foram considerados um avanço potencial na pesquisa de vacinas contra o HIV. Eles criaram uma vacina por engenharia do citomegalovírus (CMV), que é um vírus comum encontrado na maioria dos seres humanos e primatas, para fazer expressar proteínas de vírus da imunodeficiência símia (SIV).

Após a vacinação de 16 macacos rhesus, os cientistas, em seguida, infectaram eles com uma forma altamente agressiva de SIV, que é o primo do HIV que pode causar a aids nos primatas. Nove dos macacos eliminaram o vírus. A vacina conseguiu produzir uma resposta imunológica sustentada a partir de células-T de memória eficaz, ou células CD8, que matam as células infectadas pelo SIV.

A doação de Gates vai ajudar a financiar a Fase I dos estudos clínicos para testar a segurança de uma versão de um protótipo humano da vacina em seres humanos. A doação também irá ajudar a financiar o desenvolvimento de uma versão otimizada da vacina para testes de eficácia em escala maior. Esta doação é focada principalmente na prevenção, mas a mesma tecnologia será aplicada para a cura.


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Vídeo

Não é sofrido viver com HIV?

Brasil Post

Há algumas semanas, fui abordado, por e-mail, por dois jornalistas da mais conhecida emissora de TV do país. Eles me convidavam a participar de um programa, no qual tratariam do tema da “aids nos dias de hoje”. Para isso, diziam, gostariam de entrevistar jovens que sofrem com os efeitos colaterais dos medicamentos antirretrovirais. Segundo eles, mesmo com os avanços no tratamento e uma vida normal, ainda existiria esta consequência do uso dos remédios contra o HIV. Mostrar isso, contar essa história de sofrimento constante após o diagnóstico, seria uma maneira de fazer um alerta para que as pessoas se cuidem, se previnam mais.

Embora eu tenha sofrido com efeitos colaterais no passado, recusei a entrevista, pois eu não mais sofro com isso. Quando fui diagnosticado positivo para o HIV, em outubro de 2010, eu tinha pouco conhecimento sobre o HIV e da vida de quem toma antirretrovirais. Sobre o HIV e aids, lembro que aprendi na escola, ouvi de meus pais e assisti na extinta MTV Brasil que era preciso usar camisinha, camisinha e camisinha. Essa era a única história que contavam, cujo final trágico em caso de falha em seu uso era o diagnóstico positivo. Recebido o resultado “reagente” para o teste de HIV, eu, claro, entrei em desespero. Eu não sabia qual era a história que se seguiria a partir dali, mas presumia que não seria nada agradável.

O primeiro médico infectologista que visitei, Dr. O., corroborou com essa presunção. Me explicou que os efeitos colaterais dos remédios que eu estava prestes a tomar eram quase que inevitáveis e, muitas vezes, tão fortes que poderiam me levar ao hospital. “Se isso acontecer, me dê uma ligada”, disse ele. Tomei os primeiros comprimidos de Kaletra e Biovir, a combinação de antirretrovirais sugerida pelo doutor, às 22h do dia 5 de janeiro de 2011. Às 22:30h, já corria para o banheiro, com dores abdominais indescritíveis e uma diarreia que jamais experimentara antes. Dias depois, fui sim parar no pronto-socorro, depois de acordar vomitando e vomitando, sem parar. Liguei, mas o doutor não atendeu. Noutra ocasião, defequei nas calças, enquanto andava na rua. Foram quatro meses, sob esta mesma combinação de remédios a qual o doutor insistia ser a melhor, de contínuo e constante sofrimento, traçando uma história condizente com a esperada por mim quando li “reagente” no papel do laboratório — afinal, não é sofrido viver com HIV?

Essa última pergunta foi feita meses antes por outra jornalista, de uma revista feminina de saúde do Grupo Abril, que me cedeu toda uma página para escrever sobre a vida com HIV. Era a edição de junho, mês do dia dos namorados. Meu texto foi integralmente reproduzido, tal como eu o escrevi, exceto seu final. O ponto de exclamação, digitado por mim, foi substituído por reticências, mudando completamente o sentido da última frase. Noutras palavras, o bom humor foi trocado por melancolia e, pior, bem no final do texto. Quando questionei a jornalista, sua resposta foi sincera: “nós nunca imaginaríamos que não seria sofrido viver com HIV.” Ainda assim, a exclamação não voltou. E, para que as reticências não ficassem, o acordo foi encerrar o texto sem a última frase.

É claro, durante toda minha história inicial com HIV, seria impossível ter usado exclamação. Mas aprendi que não precisava ser assim. Comecei a ler, pesquisar, escrever e acabei por mudar de médico. Conheci o Dr. Esper Kallás, meu infectologista atual. Sua primeira recomendação foi trocar meu coquetel “por um menos tóxico”. Mal sabia eu que era possível fazer essa troca, que havia outras opções de combinação de remédios e tampouco que poderia haver uma que não me causaria efeitos colaterais. Dito e feito. Em 24 horas após a troca dos meus medicamentos, a diarreia cessou. O enjoo sumiu. E a minha vida voltou ao normal.

Ainda demorou para que eu reescrevesse a minha história, compreendendo que havia espaço para bom humor e mais leveza. Hoje, percebo que o começo da minha história com o vírus foi enormemente influenciado pela única história que se contava do HIV e de quem vive com ele: uma história de medo, dor, tragédia e sofrimento. Hoje, aprendi que o diagnóstico positivo é difícil, sim, mas não é uma tragédia sem fim. É possível dar a voltar por cima e entender que a história que nos é contada repetidas vezes, a “oficial”, não é a única e está longe de ser a melhor.

É verdade também que a minha história não é a única história. Existem aqueles que, apesar de experimentar todas as combinações possíveis de coquetel, ainda assim sofrem com efeitos colaterais. Existem aqueles que, diagnosticados nas primeiras décadas da epidemia, já se tornaram resistentes aos medicamentos menos tóxicos, com menos efeitos colaterais, ou que, na pior das hipóteses, tiveram efeitos colaterais físicos irrecuperáveis, como lipodistrofia e danos neurológicos que causam dores constantes. Porém, a minha história é uma história real e representa a de muitas pessoas que vivem bem e com HIV. Sei que é uma história que ajuda quem foi diagnosticado a não cair em desespero e quem está com medo de fazer o teste de HIV a seguir em frente e fazê-lo logo.

Estamos numa nova era da epidemia de HIV/aids. É hora de mudar esta velha história que é contada por aí, de medo, culpa e sofrimento. A “aids nos dias de hoje” não é mais a dos efeitos colaterais, mas a da melhora no tratamento com um apenas um único comprimido por dia, da supressão do vírus no organismo para níveis indetectáveis, o que faz daqueles que vivem com HIV e tomam antirretrovirais como parceiros sexuais mais seguros do que parceiros de sorologia desconhecida, da expectativa de vida igual a de soronegativos, das alternativas de prevenção ao uso da camisinha, do fim do medo e da culpa pela falha em seu uso e da consciência que quem cuida da saúde, soropositivo ou soronegativo, deve se orgulhar disso, pois esta é a melhor forma de controlar a epidemia no mundo.

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Positivo e indetectável: o que isso quer dizer?


Sou soropositivo, faço tratamento e estou indetectável. Então, sai do meu pé!

Por Dave. R. para o PositiveLite.com em 22 de agosto de 2014

Dave R. pergunta: “Você não faria sexo comigo porque eu tenho HIV? Eu ofereço menos risco do que você, meu amigo. Vá em frente, tente provar que estou errado!”

Estou oficialmente cansado de ser tratado como um pária (que no dicionário é definido como: “um termo de censura e abuso: uma pessoa inútil ou desprezível; um miserável, um vira-lata.”)!

De onde vem isso? Sou soropositivo, estou em tratamento e o vírus é indetectável no meu corpo. Ainda assim, sou visto como impuro, indigno de toque e pouco atraente. Por que isso? Porque é que o mundo, em geral, e, sim, os meus companheiros homossexuais, sempre empáticos, acham isso? Você sabe me explicar?

Apesar das últimas pesquisas e do fato de praticamente não haver casos conhecidos de uma pessoa como eu, com carga viral indetectável, infectar outra pessoa, por que eu não entro para o grupo de pessoas consideradas como parceiros sexuais seguros? Rejeições recentes, sutis e rudes, confirmaram o meu status como um pária social, mesmo dentro da minha própria comunidade.

Estou generalizando, é claro. Existem centenas de razões pelas quais as pessoas não me acham atraente, para não falar da minha idade cronológica. Tudo bem, não há problema quanto a isso. Está no olho de quem vê. No entanto, quando sou rejeitado por causa da sigla mais carregada de conotações e histórias antiquadas de todas, o HIV, isso me irrita.

Pessoas que vivem com HIV já passaram por 30 anos de infecção, sobrevivência, tratamento, melhora do tratamento, até tornarem-se saudáveis e indetectáveis, provando-se opções sexuais mais seguras do que alguém que não faz o teste. Ainda assim, somos vistos como “impuros”, que devem evitados e humilhados a todo custo.

Eu aceito que demore algum tempo para que a população em geral acompanhe as notícias e entenda que as pessoas indetectáveis ​​não transmitem o vírus. Mas me aborreço diante do fato de que ninguém está interessado em divulgar esta notícia. Também me irrito diante da covardia das organizações em prol dos soropositivos e dos meios de comunicação LGBT, que também são relutantes em publicar quaisquer descobertas que possam danificar a mensagem de sexo seguro, sempre qualificando qualquer declaração com ressalvas. Quem é que não está farto de ler “A pesquisa sugere …”?

Qual é o problema destas organizações? O problema delas está em recusar a aceitar que o Tratamento como Prevenção [TasP, do inglês Treatment as Prevention] vai derrubar a transmissão do HIV. Ao invés disso, gritam como se a liberdade pessoal estivesse sob ataque, sempre que se sugere que todo mundo deveria ser testado e, se necessário, tratado para o HIV. Não há lógica por trás disso e, ainda assim, as organizações LGBT em todo o mundo estão enterrando a cabeça na areia, se recusando a encarar os fatos.

Aquele idiota, [diretor da Aids Healthcare Foundation, Michael] Weinstein, que disse que o Truvada não é nada mais do que uma droga para festas capaz de nos levar às orgias em uma escala romana, tipifica este grupo de pessoas que, devemos concordar, estão desgostosas com a ideia de um pênis sem camisinha entrar num ânus. São tão arrogantes que não podem confiar que existem pessoas capazes de fazer escolhas sensatas e assumir a responsabilidade pela sua própria saúde. Ainda assim, este homem é chamado de líder dos soropositivos! Porém, não é disso o que precisamos mais. Temos os meios para reduzir o estigma do HIV, mas, mesmo assim, julgamentos morais ainda governam o dia.

Recentemente, tive a experiência pessoal de ser categorizado e rotulado a ponto de humilhação e desprezo. Depois de ter perdido uma relação de amizade, decidi me reerguer voltar ao mundo dos relacionamentos. No entanto, há muito tempo desisti da ideia de esconder o meu status sorológico e minha história — é tanto parte de quem sou, que é inútil tentar escondê-lo. Diferentemente de como fazia antes, em vez de ser passivo e esperar que as pessoas entrassem em contato comigo, decidi enviar mensagens exploratórias para aqueles com quem senti que poderia estar interessado. Não entrei em contato com jovens, ou mesmo com pessoas com menos de 40, pois me sinto atraído por pessoas maduras que já viram um pouco da vida. Minha ideia era falar abertamente da minha condição e não esconder os fatos.

Algumas reações foram francamente horripilantes. Demonstraram negação completa da minha existência e silêncio total a partir da minha revelação, ou até investidas contra minha moral, duvidando e sugerindo que eu tivesse praticado atos de depravação, me acusando de querer espalhar a minha “doença” entre os “inocentes”. Felizmente, nem todo mundo reagiu dessa forma. Houve aqueles que educadamente me disseram que não iriam nunca considerar ter relações sexuais com um cara positivo (o que não é bom para o ego, mas aceitável em nome da liberdade de escolha) e aqueles que francamente admitiram que estavam com medo de serem infectados. Ao meu ver, honestidade nunca é insulto.

Para muitas pessoas, é simplesmente impossível tentar apresentar os fatos. As campanhas de saúde pública dos anos 80 fizeram o seu trabalho muito bem, fazendo todos pensarem que estávamos morrendo — e, de fato, muitos morreram. Porém, agora já se passaram mais de 20 anos. Ainda assim, informar as pessoas sobre as últimas descobertas científicas não vem como crível: elas não estão lendo isso como prova científica e nos meios de comunicação adequados.

Informar as pessoas que soropositivos indetectáveis ​​e em tratamento são sexualmente mais seguros do que a maioria das pessoas seria uma boa notícia, digna de alarde por todos os meios. No entanto, há uma relutância tangível em dar às pessoas os fatos. Provavelmente, porque muito poucos escritores de manchete são capazes de resistir a frase que vem depois dela, como “… orgias sexuais ilimitadas inevitáveis!” Nós já estamos enfrentando o tsunami do uso do Truvada na prostituição, pois a prevenção também é vista como uma porta de entrada para a depravação.

O problema é que, para muita gente, a palavra “indetectável” significa muito pouco. A palavra não representa o que deveria: risco quase nulo de infecção. A palavra não está sendo usada lá fora e eu quero saber o porquê. Precisamos driblar os sites de organizações gays com um pensamento mais liberal e também precisamos — eu odeio dizer isso — que os meios de comunicação heterossexuais façam algum jornalismo sério, educando as pessoas.

Os detratores mais racionais dizem que é muito cedo e que as chances de erro, com todas suas possíveis consequências, são muito grandes. OK. Mas prove para mim que as pessoas indetectáveis ​​são, de algum modo, um perigo para os outros. E traga os fatos: quantas pessoas em tratamento, com um sistema imunológico forte e níveis indetectáveis ​​de HIV no sangue infectaram alguém? Você não pode dizer, porque não existe ninguém.

O argumento contra é o de que o HIV pode permanecer detectável em outros fluídos e órgãos do corpo e que ele é indetectável apenas nos métodos de ensaio atuais. Mesmo supondo que seja assim mesmo, os níveis “invisíveis” pelos exames atuais devem ser minúsculos, dado que a infecção cruzada simplesmente não está acontecendo. Caso contrário, haveria estatísticas de todo o mundo, com pessoas indetectáveis ainda infectando outras pessoas. Se você tem argumentos contra, eu imploro, refute o meu ponto de vista.

Só podemos concluir que, para além do sempre presente perigo de outras DSTs (sempre presente também para o resto da população, gostaria de lembrar), o meu estado presente significa que ninguém pode pegar HIV de mim, se eu fizer sexo seguro ou não. Não fosse verdade, os aumentos de infecção pelo HIV teriam sido inundados por milhões de novos casos, se espalhando como incêndios florestais em todo o mundo.

O ressurgimento do barebacking [sexo anal sem camisinha] (se é que já foi embora um dia) teria visto muitas infecções deste tipo. A cepa mais comum de HIV começou em um lugar e se espalhou em 10 anos por todo o mundo. Algo está impedindo que isso aconteça novamente e este algo é o tratamento antirretroviral eficaz. Sim, casos de novas infecções ainda estão acontecendo, mas eles são em sua maioria de pessoas que não sabem que estão infectadas porque ainda não fizeram o teste. Assim, agora que o pânico do HIV está mais brando, considerando o número de jovens (e idosos) que descartam os preservativos, por que é que não vemos o HIV fora de controle novamente? Porque o tratamento é danado de eficaz.

Pessoas com HIV e indetectáveis são parceiros sexuais seguros. Se você sabe de algo que eu não sei e tem evidência para sustentá-lo, prometo engolir minhas palavras. Enquanto isso, não há razão para não dizer ao mundo os fatos e definir as pessoas indetectáveis longe das algemas do estigma. O problema que temos é um problema de imagem. Nós já estamos contaminados; já estamos sujos demais para deixar esse conhecimento solto no mundo novamente.

Na busca por aceitação entre a sociedade cética, nossas próprias organizações se esqueceram de que o sexo é uma parte integrante da nossa identidade e preferem que não falemos sobre isso. Atrevo-me a dizer que a razão disso é para evitar que os patrocinadores não cortem seu apoio! Estão esperando que toda a primeira e segunda geração de soropositivos morra (de causas naturais) para, em seguida, com um novo tom rosado, as comunidades LGBT ilibadas tomarem o seu lugar na sociedade, imaculadas pela insinuação sexual do HIV.

Os homossexuais continuam a fazer sexo pela bunda — e sempre o farão — e a população hetero nunca vai se esquecer disso, não importa quantos buquês de noiva e casas com cercas brancas em volta apareçam por aí.


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Sobre PrEP, camisinha e sexualidade


Quando a Ciência encontra a prevenção, o prazer não fica para trás

Por Mathew Rodriguez para o

Com o auditório praticamente lotado durante a 20ª Conferência Internacional de Aids (Aids 2014), um grupo de palestrantes liderados pelo escritor e ativista Sean Strub, abordaram as mudanças que estão no horizonte da prevenção do HIV — um horizonte que agora inclui camisinha, PrEP (profilaxia pré-exposição), PEP (profilaxia pós-expsoição), escolha de parceiros sexuais com base na condição sorológica [serosorting], escolha de práticas sexuais com base no risco [seropositioning] e provavelmente também microbicidas, entre outras intervenções.

Strub abriu a sessão apontando que a análise do risco inclui tanto o racional — dados científicos que mostram que a camisinha e outras opções de prevenção reduzem vertiginosamente o risco de transmissão do HIV — quanto o irracional, o qual inclui dois importantes componentes: desejo e prazer. Ele lembrou que os fatos que são considerados na análise de risco, a equação que precede o eventual encontro sexual, estão constantemente mudando em decorrência do avanço na sensibilidade oferecida pela camisinha, prevenções biomédicas, tratamento como prevenção (TasP), PrEP, PEP e microbicidas.

Udi Davidovich, pesquisador e professor na Universidade de Amsterdã, cujo trabalho é focado em determinantes sociais para comportamentos de risco diante do HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, lembrou também que a ciência comportamental, embora envolvida com a epidemia de HIV desde seu início, fez pouco em incorporar questões a respeito do prazer nas pesquisas. De acordo com Davidovich, o fato da camisinha ser bastante utilizada por homens gays (estimado entre 60-70% de uso consistente) é um milagre, dado que seu uso antes da epidemia girava em torno de 20%.

Segundo Davidovich, agora a ciência comportamental deveria se dirigir aos 30-40% de homens gays que não fazem uso consistente da camisinha. Recebido com cumprimentos e palmas da plateia, Davidovich lembrou que a sociedade rotulou o sexo mais natural — sem camisinha — como “problemático” e que dedicamos milhares de dólares em pesquisas para entender porque as pessoas estão aderindo a este sexo mais natural disponível, sem camisinha. A ciência comportamental, ele disse, deveria se concentrar em ajudar as pessoas a fazer o sexo que lhe é mais natural. Para em torno de 12% dos homens que fazem sexo com homens (HSH), o uso de camisinha resulta em perda de ereção e inabilidade de terminar o ato de penetração sexual. Com as atuais alternativas de prevenção, Davidovich lembra que o elemento do prazer é “muito importante, pois o ignoramos ao longo dos últimos anos.”

Garrett Prestage, um sociólogo australiano, falou sobre as interpretações que os pesquisadores favorecem quando respondem às questões sobre porque homens gays não usam camisinha. Muitos são rápidos em responsabiliar traumas e auto-estima baixa, enquanto descartam a realidade do desejo e prazer sexual. Prestage disse que, em sua própria pesquisa, é evidente que muitas vezes são homens bem educados, que compreendem os riscos sexuais e suas consequências, que resolvem correr este risco em prol de mais prazer. “Quando confrontados com a oportunidade de sentir prazer, preferem ir em frente e aproveitar o prazer, ao invés de viver com um medo mórbido do sexo”, disse ele.

Sobre as diversas preocupações e críticas a respeito da PrEP, Prestage lembrou que não podemos abandonar a PrEP como estratégia de prevenção do HIV, assim como não abandonamos a camisinha mesmo diante dos eventuais problemas desta estratégia. Segundo ele, o fato de que qualquer intervenção pode apresentar falhas “diz mais a respeito de serviços de saúde e educação do que da capacidade dos homens gays de utilizar estas estratégias.” Ele guardou suas críticas mais duras para aqueles que usam o moralismo velado para demonizar aqueles que estão usando PrEP, especialmente porque aqueles que a utilizam fazem uso de uma opção de prevenção que mais se adequa ao seu desejo de ter um sexo prazeroso e se manter soronegativo. Prestage chamou este moralismo de “anti-científico, anti-sexual e anti-gay” e advertiu contra pesquisadores sociais que não conseguiram enxergar a PrEP como uma ferramenta libertadora para os homens gays que têm vivido com medo de sexo, ao invés de aproveitarem da biomedicalização como prevenção do HIV.

Quando Cecilia Chung, do Transgender Law Center, perguntou aos participantes quantos deles tinham recebido educação sexual trans-inclusiva, apenas cinco ou seis mãos foram levantadas, num auditório com centenas de pessoas. Chung lembrou que em sua cidade, São Francisco, há um tratamento quase universal com bons resultados para aqueles que vivem com HIV. No entanto, mulheres transexuais são comumente deixadas para trás nestes casos de sucesso. Apenas 65% das mulheres transexuais que vivem com HIV em São Francisco estão em tratamento antirretroviral, com apenas 40% de taxa de supressão viral, o que pode indicar que o tratamento não é prioridade na vida delas. Chung afirma que muitas mulheres transexuais que se inscreveram no estudo iPrex (o maior estudo sobre a eficácia da PrEP feito até o momento) abandonaram o estudo porque seus pesquisadores e médicos não estavam bem preparados para lidar com transexuais — que são uma das “populações vulneráveis”. Ela concluiu sua fala apontando que antes de podermos falar sobre prevenção e prazer entre mulheres transexuais, precisamos encorajá-las a falar sobre sexo.

Jessica Whitbread, uma artista e ativista canadense, atualmente Diretora Interina da Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com HIV (ICW, na sigla em inglês) preferiu lançar algumas perguntas instigantes a todos os presentes. Ela lembrou que, como uma mulher soropositiva, a ciência tem grande papel em sua vida sexual e “ajudou minha causa pelo prazer na cama.” No entanto, ela disse, “a ciência fez pouco para desafiar as disparidades de gênero no quarto” e ainda é muito difícil discutir sobre prazer entre mulheres, quando estas mulheres têm grande dificuldade em negociar o uso da camisinha com seus parceiros. Whitbread também pediu que a plateia ponderasse porque todas as práticas sexuais que não incluem pênis (tal como no sexo lésbico), têm recomendação de luvas e protetores bucais, enquanto a atividade sexual masculina é focada exclusivamente em preservativos. “É como se eles não tivessem mãos e bocas!”, disse. Ela terminou sua apresentação com uma pequena crítica à PrEP, reconhecendo seus méritos, mas querendo saber se, nessa encarnação, só vai fazer diferença para homens gays brancos de um certo status social na América do Norte.

A apresentação final foi feita por Sothembiso Promise Mthembu, uma feminista e ativista de direitos humanos da África do Sul, que falou sobre a prevenção do HIV e prazer sob o contexto de direitos humanos para mulheres. Uma vez que grande parte de seu trabalho é focado em direitos humanos, ela enfatizou que o direito ao prazer deve ser aproveitado pelas mulheres, mas isso tem sido negado à todas mulheres no mundo todo. Segundo Mthembu, quando discutimos prazer e sexualidade feminina, não podemos jamais divorciar este assunto das discussões sobre o poder em situações sociais e sexuais.

Num comentário que impressionou bastante o público, Mthembu lembrou que as mensagens de prevenção sobre uso da camisinha são quase sempre focadas no homem, enquanto as mulheres não podem “usar” a camisinha, mas apenas “negociar o seu uso.” Apesar das mulheres terem a opção da camisinha feminina — a qual Jessica Whitbread disse defender, mas, pessoalmente, a usou apenas “um punhado de vezes” –, esta estratégia de prevenção pode frequentemente trazer mais problemas, uma vez que pode sugerir ao homem que a mulher está no controle de seu próprio corpo, algo que muitas vezes é recebido com violência pelo parceiro sexual masculino. Mthembu comentou também sobre as vacinas para HPV como colaboradoras da prevenção do HIV, mas também advertiu contra qualquer abordagem à saúde sexual das mulheres e à prevenção do HIV que fosse “fragmentada”, focada em um único aspecto da saúde da mulher e da sexualidade. Ao invés disso, ela defende uma abordagem holística da saúde sexual e corporal.



O uso de profilaxia pré-exposição, práticas sexuais e incidência de HIV em homens e mulheres transexuais que fazem sexo com homens: um estudo de coorte

Prof Robert M Grant MD a b c Corresponding AuthorEmail Address, Prof Peter L Anderson PharmD d, Vanessa McMahan BSc a, Albert Liu MD b e, K Rivet Amico PhD f, Megha Mehrotra MPH a, Sybil Hosek PhD g, Carlos Mosquera MD h, Martin Casapia MD i, Orlando Montoya j, Susan Buchbinder MD b e, Valdilea G Veloso MD k, Prof Kenneth Mayer MD l, Prof Suwat Chariyalertsak MD m, Prof Linda-Gail Bekker PhD n, Esper G Kallas MD o, Prof Mauro Schechter MD p, Juan Guanira MD h, Lane Bushman BChem d, David N Burns MD q, James F Rooney MD r, Prof David V Glidden PhD b, for the iPrEx study team

Apresentação

O efeito da profilaxia pré-exposição (PrEP) para o HIV depende do uso, adesão e práticas sexuais. Nosso objetivo foi avaliar estes fatores em uma coorte de pessoas soronegativas sob risco de infecção.

Métodos

Em nosso estudo de coorte, os homens e mulheres transexuais que fazem sexo com homens anteriormente inscritos em estudos de PrEP (ATN 082, iPrEx e US Safety Study) foram incluídos numa extensão aberta de 72 semanas. Medimos concentrações da droga no plasma sanguíneo e em gotas de sangue seco em soroconversores a partir de uma amostra aleatória de participantes soronegativos. Avaliamos o uso da PrEP, adesão, práticas sexuais e incidência do HIV. Métodos estatísticos utilizados incluem os modelos de Poisson, a comparação de proporções e equações de etimativas generalizadas.

Descobertas

Foram incluídas 1.603 pessoas soronegativas, das quais 1.225 (76%) receberam PrEP. O uso foi maior entre aqueles que relataram fazer coito anal receptivo sem preservativo (416/519 [81%] vs 809/1084 [75%], p = 0,003) e com evidência sorológica de herpes (612/791 [77%] vs 613/812 [75%], p = 0,03). Dos que receberam PrEP, a incidência do HIV foi de 1,8 infecções por 100 pessoas-ano, em comparação com 2,6 infecções por 100 pessoas-ano naqueles que simultaneamente não escolheram tomar PrEP (HR 0,51, 95% CI 0,26 – 1,01, ajustado para comportamentos sexuais), e 3,9 infecções por 100 pessoas-ano no grupo de recebeu placebo na fase anterior, randomizada, (HR 0,49, 95% CI 0,31 -0,77). Entre aqueles que receberam PrEP, a incidência do HIV foi de 4,7 infecções por 100 pessoas-ano, se droga não foi detectada em gotas de sangue seco, 2,3 infecções por 100 pessoas-ano, se as concentrações de droga sugeria uso inferior a dois comprimidos por semana, 0,6 por 100 pessoas-ano para o uso de dois a três comprimidos por semana, e 0,0 por 100 pessoas-ano para o uso de quatro ou mais comprimidos por semana (p<0,0001). Concentrações da droga da PrEP foram maiores entre as pessoas de idade mais avançada, com maior escolaridade, que relataram não usar camisinha durante o coito anal receptivo, que tiveram mais parceiros sexuais e que tinham histórico de sífilis ou herpes.

Interpretação

O uso da PrEP foi elevado quando disponibilizada gratuitamente pelos provedores. O efeito da PrEP é aumentado por maior uso e adesão durante os períodos de maior risco. Concentrações da droga em gotas de sangue seco estão fortemente correlacionadas com benefício da proteção.

Financiamento

National Institutes of Health dos EUA.

[Para ler o artigo completo, em inglês, clique aqui.]


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