Efavirenz, dia 1

Ontem à noite tomei minha primeira dose de Efavirenz. Lembro de deitar perceber a incrível habilidade do tato e da audição, tão apurados. E não consegui deixar de prestar atenção aos ruídos do travesseiro e na textura do meu lençol, bem macio, aliás. Mas foi quando adormeci que a experiência começou de verdade. O sonho que tive foi mais ou menos assim:

E não foi um único, mas vários. Todos extremamente vívidos e altamente psicodélicos. Cores vibrantes, realistas, e uma história cuja trama era bastante complexa. Quase um roteiro de cinema. E tampouco era um roteiro qualquer. Foi, no mínimo, revisado por físico quântico. Confesso que não lembro dele por inteiro, pois acordei assustado, em um momento em que um dos personagens gritava comigo. Mas me recordo de suas feições. Elas não eram assustadoras, mas traziam uma expressão angústia muito intensa. Mais intensa do que eu poderia aguentar.

Tudo começou num cenário surrealista, que envolvia um treinamento de garçom misturado com escola de medicina, e eu era o aluno. Cada erro que cometia deveria ser refeito, corrigido, inúmeras vezes. Os casos usados nesse treinamento eram com pacientes reais, o que trazia um enorme sentimento de responsabilidade. No entanto, a cada erro e o subsequente retorno para sua correção, alteravam-se as condições de tempo e espaço. E isso fazia com que fosse totalmente impossível corrigir um caso sem com isso afetar outro. Quando eu voltava para corrigir um, voltava no tempo e perdia o que tinha feito com o outro. Tudo era uma última chance. Sem espaço para erro.

No meio do sonho, salvei um paciente, mas perdi outro que salvara antes, porque, ao voltar para salvá-lo, o tempo e o espaço voltaram junto. Assim, voltei exatamente para quando e onde estava antes, sem progresso algum. Me assustei com esse último paciente, que urrou de dor e angústia, gritando comigo por ter errado em seu tratamento.

Acordei assustado com os gritos to paciente. E tive mais uma surpresa no mundo real: ao abrir os olhos e enxerguei tudo colorido, mesmo em pleno quarto escuro. Algo rápido, por poucos minutos apenas — o tempo que meu cérebro para perceber que ali não era mais espaço para alucinações. Então, fui ao banheiro, voltei e dormi melhor.

Hoje cedo, ao abrir os olhos, as paredes do quarto demoraram alguns segundos a mais para estabelecer sua cor natural. Dentro de dose horas devo tomar o coquetel novamente. E… confesso, que estou até curioso!

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1.351 Comentários em “Efavirenz, dia 1”

  1. Força, Foco e Fé!
    30/07/2014 at 22:27 #

    Cara Tranquilo, já add vc so Skype, sei que os primeiros dias do diagnóstico não é fácil. se quiser tirar alguma dúvida ou ter alguém para conversar..

  2. alex
    31/07/2014 at 09:11 #

    Opa……vou voltar para a academia hoje mesmo, rsrsrs….estou meio molenga hoje. Só quero ver TV.
    Tive uma tonturinha no cafe da manha mas já melhorou acho melhor mesmo me distrair e ir na academia. Vou fazer series leves e a medida que a rotina volte eu engreno, valeu.

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